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Gato com olho lacrimejando: o que pode ser?

Resposta rápida

O olho lacrimejando em gatos pode ser causado por irritações, infecções respiratórias, conjuntivites bacterianas, esporotricose, pressão alta em idosos ou características anatômicas de raças de focinho achatado como o Persa. Marcar uma consulta com o veterinário é essencial para descobrir a origem do problema e proteger a visão do animal.

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Gato com olho lacrimejando: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 4 min de leitura
Ilustração de gato

Você está ali no sofá, fazendo carinho na cabeça do gato enquanto ele ronrona, e de repente nota que o pelo ao redor dos olhos dele está molhado e com aquela marquinha escura de lágrima seca. Dá aquela vontade imediata de pegar um paninho e limpar, mas logo surge a dúvida incômoda sobre o que está acontecendo com o bichinho.

O olho lacrimejando em gatos, conhecido no consultório como epífora, é um sinal de que algo está irritando, inflamando ou bloqueando a região ocular, e pode variar desde uma simples irritação até infecções respiratórias, problemas sistêmicos ou características anatômicas da raça.

Por que os olhos do gato insistem em verter líquido?

Para entender melhor, vale a pena olhar além da superfície. Gatos costumam esconder o mal-estar físico com uma habilidade que beira a teimosia, então quando o sintoma aparece visível na pelagem da face, o problema já merece atenção real.

Se o lacrimejamento vem acompanhado de espirros, coriza e aquela indisposição geral, a suspeita costuma recair sobre as infecções do complexo respiratório felino. Vírus como o da rinotraqueíte ou o calicivírus atacam as mucosas, provocando inflamação e deixando o gatinho com o rosto úmido e congestionado. Outro agente comum é uma bactéria especialista em causar conjuntivites persistentes que não somem sozinhas. Se a carteirinha de vacinação estiver desatualizada, o risco dessas infecções se espalharem aumenta consideravelmente. A imunização regular, incluindo as versões que protegem contra a clamidiose, ajuda a blindar as mucosas oculares contra esses patógenos frequentes.

E se o gato tiver acesso à rua?

Se o gatinho costuma dar umas voltas na vizinhança e começa a apresentar feridas na face junto com o olho úmido, o sinal de alerta muda de figura e acende a preocupação com a esporotricose, uma micose profunda transmitida pelo contato com o solo ou brigas com outros animais. Como é uma doença que também pode ser passada para humanos, qualquer alteração suspeita na região dos olhos de gatos que saem de casa exige avaliação profissional imediata e o uso de luvas na manipulação para evitar o contágio.

Acontece que nem todo lacrimejamento nasce de vírus ou bactérias. Em gatos idosos, por exemplo, o excesso de líquido ou alterações no brilho dos olhos podem estar ligados à pressão alta, que afeta a saúde dos vasos da retina e altera a dinâmica visual do felino sênior. O veterinário consegue identificar essas alterações na pressão arterial durante exames de rotina mais detalhados.

E quem tem raças de focinho muito achatado, como o Persa, já convive com uma questão de anatomia. Por causa da seleção estética ao longo do tempo, esses gatos possuem canais lacrimais comprimidos ou órbitas rasas, o que faz com que a lágrima transborde facilmente para a face, exigindo limpeza diária para evitar assaduras e infecções de pele.

O perigo dos remédios caseiros

Diante de um olho molhado, muita gente tenta resolver o problema com o que tem em casa. É aqui que mora o perigo de piorar o quadro sem querer.

Aplicar colírios humanos ou restos de receitas antigas de família é um erro que pode custar caro à visão do animal. Se o lacrimejamento for provocado por uma ferida na córnea, o uso inadequado de um colírio com corticoide pode perfurar o olho do gato em poucos dias. O máximo que você deve fazer em casa antes de ver o veterinário é usar uma gaze limpa umedecida em soro fisiológico frio, passando com extrema delicadeza apenas na parte externa para remover as crostas.

Muitos tutores também se assustam ao ouvir falar sobre toxoplasmose quando o assunto envolve secreção ocular e problemas nos olhos dos felinos. A infecção por esse parasita não é transmitida pelo carinho, pela lambida ou pelo contato direto com o pelo e as lágrimas do gato. O contágio humano acontece por via ambiental ou alimentar, principalmente pelo consumo de carne crua ou mal cozida e pela falta de higiene na limpeza diária da caixa de areia. Proteger o gato mantendo-o em ambiente seguro, longe da rua e da caça de roedores, é a melhor forma de evitar que ele contraia esse e outros parasitas.

Ver o gato com os olhos lacrimejando nunca deve ser tratado como um detalhe sem importância ou uma simples alergia passageira. Marcar uma consulta com o veterinário é o único caminho seguro para descobrir se o incômodo exige apenas um ajuste na rotina de limpeza, a atualização da vacinação múltipla para proteger contra clamidiose, ou um tratamento mais específico para preservar a saúde do seu companheiro.

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