Gato com pneumonia: o que pode ser?

Sabe aquela cena em que você passa pela sala e estranha o gato estar dormindo num silêncio absoluto, mas percebe que a barriga dele sobe e desce numa velocidade que não parece normal? Na hora, a gente pensa num cansaço comum ou no calor de matar, mas a dúvida aperta: será que pode ser pneumonia?
A pneumonia felina é uma inflamação grave dos pulmões, quase sempre causada por infecções que começaram lá na via respiratória superior e desceram, por complicações de vírus que derrubam a imunidade, por infecções fúngicas ou até pela entrada acidental de líquidos nos pulmões.
Como os gatos são verdadeiros mestres em disfarçar que estão sentindo dor ou mal-estar, quando a dificuldade para respirar fica visível, o problema nos pulmões geralmente já passou da fase inicial. Por isso, se você desconfia de algo, o primeiro passo indispensável é procurar um veterinário presencial para uma auscultação detalhada e exames de imagem, como a radiografia do tórax. Vamos conversar melhor sobre o que leva a isso e como você pode notar os sinais antes que a situação saia do controle?
O que costuma abrir a porta para a pneumonia?
Existe uma ideia bastante comum de que o gato pegou pneumonia só porque apanhou de uma rajada de vento frio ou porque a casa estava com a temperatura baixa. Só que a física e a biologia funcionam de outro jeito. O frio isolado não cria a pneumonia do nada; o que ele faz é derrubar a imunidade local, facilitando a vida dos verdadeiros vilões.
Na grande maioria das vezes, a pneumonia nos felinos surge de carona. Começa com uma gripe comum, aquela rinotraqueíte ou calicivirose que judia do nariz e dos olhos do bichano. Esses vírus destroem a proteção natural das vias aéreas superiores, criando o cenário perfeito para que bactérias oportunistas aproveitem a brecha e invadam os pulmões.
Outro ponto que merece atenção redobrada envolve vírus que mexem fundo com as defesas do animal. Gatos que convivem com o vírus da imunodeficiência felina ou da leucemia felina perdem aquela capacidade robusta de combater ameaças. Para um organismo imunossuprimido, uma infecção respiratória simples pode evoluir rapidinho para um quadro pulmonar pesado.
Sem contar as infecções fúngicas e protozoários que circulam por aí. Na esporotricose, por exemplo, o fungo que causa feridas na pele e no focinho pode avançar e comprometer o sistema respiratório. Já em filhotes ou animais com a imunidade muito baixa, parasitas como o causador da toxoplasmose também podem migrar para os órgãos internos e causar estragos nos pulmões.
A diferença entre espirrar e respirar com esforço
É bem comum a gente confundir um simples espirro com um problema pulmonar grave. O espirro costuma ficar restrito ao trato respiratório superior, ou seja, no nariz e na garganta. A pneumonia, por outro lado, mexe lá embaixo, bem no tecido pulmonar que faz a troca de oxigênio.
Quando o pulmão enche de secreção e perde espaço para o ar, o comportamento do gato muda de um jeito que dá para notar logo. Ele para de pular nos armários, fica amuado e passa a respirar fazendo força com a barriga.
Existe um truque caseiro muito útil para monitorar essa situação: contar as respirações do gato enquanto ele dorme um sono pesado. O ritmo normal costuma ficar entre vinte e trinta movimentos por minuto. Se o ponteiro do relógio mostrar que ele passa de quarenta respirações por minuto de forma constante durante o repouso, é hora de ligar o sinal de alerta.
E se o gato adotar aquela postura clássica em que estica o pescoço para a frente, abre os cotovelos e deixa a boca semiaberta só para puxar o ar, estamos diante de uma emergência veterinária imediata. Gengivas ou língua azuladas também exigem corrida sem demora para o pronto-socorro.
O que você nunca deve fazer em casa
Quando o gato está prostrado, respirando mal e com febre, a vontade de dar um jeito naquilo e aliviar o bichinho é gigante. Mas aqui vai um aviso de segurança que vale ouro: nunca dê remédio humano para um gato.
Aquele analgésico comum que está na sua gaveta, como o paracetamol, é um veneno mortal para a espécie felina. Os gatos têm um ponto fraco no fígado que impede o corpo deles de processar certas substâncias. Dar um comprimido desses pode destruir as células do sangue e causar falência hepática rapidinho. Deixe os medicamentos inteiramente sob a responsabilidade do veterinário.
Outras causas que parecem pneumonia, mas não são
A falta de ar nem sempre é sinal de bactéria nos pulmões. Existem quadros que imitam perfeitamente a pneumonia, mas pedem um tratamento totalmente diferente.
Gatos com problemas no coração, como a doença cardíaca mais comum da espécie, podem acumular líquido dentro ou ao redor dos pulmões. O resultado visual é idêntico, com o animal ofegante, mas a falha vem do coração cansado, e não de uma infecção pulmonar.
Da mesma forma, as crises de asma felina provocam um fechamento dos brônquios que sufoca o animal, exigindo remédios específicos para abrir o canal de ar. Até mesmo gatos de focinho achatado sofrem naturalmente com o fluxo de ar reduzido quando a temperatura sobe muito ou o estresse aperta.
Como proteger o seu gato no dia a dia
Prevenir é sempre bem mais fácil do que encarar um internamento prolongado. Manter a vacinação em dia ajuda a blindar o animal contra os vírus respiratórios mais pesados. Antes de aplicar a vacina contra a leucemia, o veterinário faz um exame de sangue para confirmar que o bicho é negativo para o vírus.
Outra atitude inteligente é manter o gato dentro de casa. Impedir que ele dê voltas na vizinhança reduz o risco de brigas que transmitem vírus perigosos e o contato com os fungos da rua.
Cuidar da respiração do seu companheiro é prestar atenção nos detalhes silenciosos da rotina. Ao menor sinal de que o ritmo do peito mudou ou de que a apatia tomou conta, consulte o veterinário quanto antes para garantir o fôlego e a saúde dele.




