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Cachorro com olho lacrimejando: o que pode ser?

Resposta rápida

O olho lacrimejando em cães costuma ser o sinal de que o organismo tenta se defender de alergias, poeira, pelos crescendo no lugar errado ou do início de infecções. Se o animal mantiver o olho fechado, apresentar secreção com pus ou manchas na córnea, procure atendimento veterinário.

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Cachorro com olho lacrimejando: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de cachorro

Você percebe que o cachorro passou a tarde inteira com o canto dos olhos úmidos, deixando aquele rastro escuro no pelo, e logo pensa que ele só pegou uma ventania no passeio. Sabe aquela mancha marrom que insiste em aparecer no pelo claro ao redor dos olhos, ou aquele brilho constante de lágrimas que parece não secar nunca?

O olho lacrimejando em cães costuma ser o sinal de que o organismo está tentando se defender de algo, seja uma simples irritação com a poeira, uma alergia incômoda, um pelo crescendo no lugar errado ou até o início de uma infecção mais séria. A lágrima canina tem um papel de proteção importante, mas quando ela transborda sem parar, o corpo do animal está enviando um recado claro de que alguma engrenagem não vai bem.

Alergias e a mania de esfregar o rosto

Uma das causas mais comuns para o olho úmido é a reação alérgica. Pense naqueles dias em que a casa acumula um pouco mais de pó ou quando o cão entra em contato com pólen e produtos de limpeza mais fortes.

Cães que sofrem de dermatite atópica ou alergias alimentares sentem um prurido incômodo na região da face. Como o animal não consegue coçar o olho diretamente com a delicadeza que gostaríamos, ele acaba esfregando o focinho e os olhos no tapete, no sofá ou usando a própria patinha. Esse atrito constante irrita a conjuntiva, provoca vermelhidão e faz o olho lacrimejar ainda mais. É um ciclo difícil de quebrar sem entender a origem do problema. Se o seu cachorro passa boa parte do tempo tentando coçar o rosto, vale a pena observar se há outros sinais de coceira pelo corpo.

A anatomia que atrapalha: o caso dos braquicefálicos

Quem convive com raças de focinho curto e olhos grandes, como Pugs, Shih Tzus e Bulldogs, sabe que a anatomia facial traz alguns desafios. Nesses casos, o globo ocular costuma ficar mais exposto, o que facilita a entrada de qualquer cisco, vento ou pelo.

Além disso, existem questões anatômicas específicas que merecem atenção veterinária. O entrópio, por exemplo, acontece quando a pálpebra vira para dentro, fazendo com que os cílios fiquem raspando direto na córnea. A cada piscada, o cão sente um atrito doloroso que dispara a produção de lágrimas. Outro ponto é o chamado olho de cereja, que é o deslize de uma glândula da terceira pálpebra, formando um pequeno volume avermelhado no canto do olho. Quando o filme lacrimal falha por completo, gerando o olho seco, a irritação também se manifesta na forma de corrimento e desconforto persistente.

Infecções e o perigo de ignorar os sintomas

Mesmo quando o começo parece bobagem, esse choro nos olhos pode vir acompanhado de problemas sistêmicos que pedem uma resposta rápida. Filhotes que ainda não tomaram todas as vacinas ou cães com a imunidade baixa podem apresentar secreção ocular junto com quadros virais, a exemplo da cinomose, que dá as caras com uma conjuntivite comum e logo piora.

Em áreas onde a leishmaniose circula, a história muda de figura. A infecção costuma deixar as pálpebras inchadas, avermelhadas e faz o pelo cair ao redor dos olhos, criando uma marca que parece um par de óculos. Antigamente, certas vacinas contra a hepatite infecciosa podiam provocar uma alteração na córnea chamada de olho azul. Hoje em dia, os laboratórios usam fórmulas atualizadas que previnem o problema sem causar esse efeito colateral indesejado na visão.

O mito do vira-lata resistente

Existe um palpite muito antigo de que cães sem raça definida possuem uma blindagem natural contra qualquer doença. O consultório veterinário costuma provar o exato oposto todos os dias.

Um cachorro sem raça definida sofre tanto com alergias, falhas nas pálpebras, sensibilidades na comida e infecções quanto qualquer campeão de pedigree. A pegadinha é que o tutor costuma demorar bem mais para buscar ajuda justamente por acreditar nessa suposta imunidade blindada. O olho úmido de um cachorro sem raça definida precisa da mesma atenção e do mesmo diagnóstico profissional.

O que você pode e o que não deve fazer em casa

Enquanto você espera a consulta com o veterinário, algumas atitudes simples ajudam a manter a área limpa sem colocar a visão do animal em perigo. Vale usar uma gaze limpa umedecida com soro fisiológico para tirar as casquinhas e o excesso de secreção ao redor da pálpebra. O movimento precisa ser sempre do canto de dentro para fora, com bastante delicadeza, sem fazer força nem encostar no globo ocular. Se o cachorro passar o tempo todo tentando esfregar o focinho, colocar um colar protetor em formato de cone evita arranhões sérios na córnea.

Agora, existe uma regra de ouro que não deve ser quebrada por nada neste mundo: jamais pingo colírio humano ou remédio que sobrou de outro tratamento por conta própria. Vários desses produtos levam corticoide na fórmula. Se o seu cão estiver com uma ferida na córnea causada por um cisco ou pelo atrito de um cílio, usar o remédio errado pode simplesmente perfurar o olho do bicho e causar a cegueira definitiva. Chás caseiros e outras receitas milagrosas também ficam proibidos, já que carregam impurezas e agravam a inflamação.

Quando o caso vira urgência

Alguns sintomas exigem que você desista de esperar e corra para o atendimento veterinário sem perder tempo.

Fique de olho se o cachorro mantiver o olho fechado por causa da dor, se notar alguma mudança na transparência da córnea com manchas esbranquiçadas, ou se a secreção ficar amarelada e com cara de pus. Febre, falta de ânimo, prostração e o aparecimento de volumes vermelhos nos cantos dos olhos também merecem investigação imediata.

Esse lacrimejamento pode ser só um incômodo passageiro, mas só uma consulta veterinária garante o tratamento certo para o seu companheiro voltar a enxergar bem e sem dor.

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