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Cachorro com queda de pelo: o que pode ser?

Resposta rápida

O cachorro com queda de pelo pode estar sofrendo com alergias, desequilíbrios hormonais como o hipotireoidismo, picadas de pulga ou doenças como a leishmaniose. Observe se há coceira e procure o veterinário rapidamente se surgirem feridas, febre, emagrecimento ou apatia.

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Cachorro com queda de pelo: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 8 min de leitura
Ilustração de cachorro

Você está varrendo a sala pela segunda vez no dia e o pelo continua aparecendo. Só que dessa vez não é aquele tapete fino de sempre: são tufos inteiros, e no meio deles você percebe que o cachorro tem uma falha na lateral do corpo, com a pele meio avermelhada embaixo. A pergunta vem na hora: o que está acontecendo?

A queda de pelo não é uma doença, é um sintoma. O nome técnico é alopecia, e ela pode ter dezenas de causas diferentes, de uma simples troca de estação até problemas sérios que precisam de tratamento. O trabalho aqui não é adivinhar qual delas é, porque isso ninguém faz olhando para o sofá cheio de pelo. O trabalho é aprender a ler os sinais que acompanham a queda, para saber quando dá para observar em casa e quando é hora de marcar o veterinário.

A primeira pergunta: ele coça ou não coça?

Esse detalhe muda tudo, porque separa a queda de pelo em dois grandes grupos.

Quando o cachorro se coça, lambe ou morde a região sem parar, a queda costuma ser consequência do próprio trauma. Ele não está perdendo o pelo porque o folículo falhou, está arrancando o pelo na unha e nos dentes porque algo coça demais. É o que acontece nas alergias, nas picadas de pulga e em boa parte das dermatites. A cena clássica é o cão que tenta alcançar o dorso com os dentes, esfrega a lateral no sofá ou fica mastigando as patas como se elas fossem o petisco mais interessante do mundo.

Quando o pelo cai sem coceira, a história é outra. O folículo simplesmente parou de produzir pelo direito, e isso aponta para causas internas, como alterações hormonais ou problemas genéticos. Um exemplo típico é o hipotireoidismo, que costuma provocar queda simétrica dos dois lados do corpo, junto com ganho de peso, preguiça fora do normal e intolerância ao frio. Se o seu cachorro está perdendo pelo dos dois lados de forma espelhada e não se coça, vale investigar a tireoide com exames.

Percebeu a lógica? Coceira aponta para algo irritando a pele por fora. Ausência de coceira aponta para algo desregulado por dentro. Só essa observação já corta o universo de possibilidades pela metade antes mesmo de você sair de casa.

Alergias: as grandes suspeitas quando há coceira

Alergia é, de longe, uma das causas mais comuns de queda de pelo com coceira em cães. E aqui mora um ponto que pouca gente entende: a pele do cachorro funciona como um casaco impermeável. Uma camada de gordura e células bem organizadas impede que poeira, pólen e ácaros entrem e irritem. No cão com dermatite atópica, que é a alergia a coisas do ambiente, esse casaco vem com defeito de fábrica, cheio de furinhos invisíveis. O resultado é que qualquer ácaro da poeira ou pólen vira uma irritação sem fim, com vermelhidão, coceira intensa e, com o tempo, queda de pelo nas áreas mais atacadas.

A alergia alimentar é parente próxima, mas tem um comportamento diferente: coça o ano inteiro, sem melhora em nenhuma estação. As proteínas mais associadas são as de origem animal comuns nas rações, como frango e carne bovina, além de laticínios e alguns grãos. E aqui vai uma informação que poupa dinheiro e frustração: exame de sangue para descobrir alergia alimentar não é confiável. O método que realmente funciona é a dieta de eliminação, em que o cão passa cerca de oito semanas comendo apenas uma proteína que ele nunca comeu, ou uma ração com proteína hidrolisada, quebrada em pedaços tão pequenos que o sistema imune não reconhece.

Durante esse período, nada de petisco, pão ou resto de comida, porque uma escapadinha invalida o teste inteiro. Sim, inclui aquele pedacinho de queijo que ele ganha quando faz cara de coitado. Esse protocolo precisa ser montado com o veterinário, não por tentativa e erro no petshop, porque trocar de ração a cada duas semanas sem critério só embaralha o quadro e adia o diagnóstico.

E tem a alergia à picada de pulga, talvez a mais injusta de todas. Basta uma única picada para um cão sensível entrar em crise, com coceira violenta principalmente na região da garupa e da base da cauda. Uma pulga. O inseto nem precisa morar no cachorro, basta passar por ali. Por isso o antipulgas em dia, o ano todo, não é luxo: é a forma mais barata de evitar um problema dermatológico que pode durar meses.

Quando a queda de pelo é sinal de algo mais sério

Nem toda causa é alergia, e algumas pedem atenção rápida.

A leishmaniose merece um parágrafo só dela porque é grave, transmitida pelo mosquito-palha e, no Brasil, infelizmente comum. Na pele, ela costuma aparecer como descamação no focinho, nas orelhas e ao redor dos olhos, formando uma espécie de óculos de pelo ralo. O pelo fica opaco e ressecado, podem surgir feridas nas pontas das orelhas e nas articulações, e um sinal clássico é a unha que cresce demais e fica curvada. Se junto com isso o cão emagrece, fica apático ou tem o baço e o fígado aumentados, procure o veterinário sem demora. A leishmaniose não tem cura definitiva, mas tem controle, e quanto antes o diagnóstico, melhor a qualidade de vida do animal.

Também merecem ida rápida ao veterinário: feridas abertas ou com pus, sangramento, crostas dolorosas espalhadas pelo corpo, queda de pelo acompanhada de febre, prostração ou emagrecimento rápido. Nesses casos, não é hora de pesquisar em fórum, é hora de consulta.

E existe ainda um grupo de causas genéticas, ligadas a certas raças. Cães de pelagem azul ou fulva podem ter uma falha no gene de diluição da cor que faz o pelo cair antes do primeiro ano de vida. Há raças com tendência à adenite sebácea, que destrói as glândulas que hidratam a pele, e outras com problemas relacionados ao zinco. Nada disso se resolve com banho ou troca de ração: precisa de diagnóstico, muitas vezes com biópsia.

Vira-lata também tem pele, e ela também coça

Chega de conversa de boteco: o mito de que cachorro vira-lata tem saúde de ferro e nunca fica doente é falso e faz mal. Cães sem raça definida desenvolvem dermatite atópica, alergia alimentar, otite e reação a pulga na mesma proporção que os cães de pedigree. Inclusive, fases hormonais como o primeiro cio podem ser o gatilho para uma fêmea vira-lata começar a perder pelo e apresentar vermelhidão na pele. Quem adota um vira-lata acreditando que ele nunca vai precisar de médico pode demorar a buscar ajuda, e aí o problema que seria simples vira crônico.

O que você nunca deve fazer

Automedicação é o grande erro, e aqui o alerta precisa ser sério. Não dê vermífugo, ivermectina ou qualquer remédio por conta própria para tratar queda de pelo. Raças de pastoreio, como Collie, Border Collie, Pastor Australiano e Sheltie, e também vira-latas com ancestralidade de pastoreio, podem carregar uma mutação no gene MDR1. Essa mutação desativa uma barreira de proteção do cérebro, e medicamentos comuns, como a ivermectina, atravessam essa barreira e causam intoxicação neurológica grave, com convulsões, coma e risco de morte. Como ninguém sabe a árvore genealógica completa de um vira-lata, a regra segura é simples: remédio só com prescrição veterinária.

Na mesma linha, esqueça banho de enxofre, vinagre, óleo caseiro e sabão agressivo. A pele do cão já está fragilizada, e esses produtos removem justamente a camada de gordura que protege. Lembra do casaco impermeável? Você estaria rasgando o que restou dele. Se banho fizer parte do tratamento, será com xampu específico indicado pelo veterinário.

Nem toda queda de pelo é doença

Antes de fechar, um alívio: existe a troca natural de pelagem. Em certas épocas do ano o cão solta mais pelo, e isso é fisiológico. A diferença é que a troca saudável acontece de forma uniforme, sem falhas delimitadas, sem vermelhidão, sem crosta e sem coceira. A pele por baixo continua íntegra e bonita. Se é só isso, a solução é escovação frequente e paciência com a vassoura.

O caminho prático

Se o seu cachorro está perdendo pelo, observe três coisas antes da consulta: se ele coça, onde estão as falhas e se há outros sinais junto, como mudança de peso, apatia, feridas ou unhas crescendo demais. Leve essas observações anotadas, porque elas orientam muito o veterinário na escolha dos exames, que podem incluir raspado de pele, citologia, exames de sangue e hormonais.

E se o problema for crônico, voltar sempre ou não responder aos primeiros tratamentos, peça encaminhamento para um veterinário especialista em dermatologia. Pele é o maior órgão do cachorro e costuma ser a primeira a avisar quando algo não vai bem por dentro. Ouvir esse aviso cedo é o que separa um tratamento simples de meses de coceira, ferida e frustração, para você e para ele.

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