Tartaruga faz barulho ao respirar: o que pode ser?

Você percebe que aquele silêncio tranquilo da sala de estar foi quebrado por um som estranho. Parece um assobio abafado, um chiado sutil ou até um pequeno estalo vindo do canto onde o aquaterrário ou o terrário está montado. A primeira reação costuma ser de estranhamento. Afinal, quelônios não deveriam fazer barulho ao respirar.
A respiração saudável de uma tartaruga ou de um jabuti é estritamente nasal e totalmente silenciosa. Se o seu animal está emitindo chiados, roncos, sibilos ou se mantém a boca aberta para respirar, existe um problema físico ou uma infecção no trato respiratório que precisa de atenção imediata. Não adianta esperar que o som passe sozinho, pois o sistema respiratório desses animais não lida bem com a espera.
Para entender por que isso acontece, vale a pena olhar para a forma como esses animais funcionam por dentro. Ao contrário dos mamíferos, as tartarugas moram em uma casa de concreto que não expande. O casco é fundido às costelas, o que significa que elas não têm um diafragma para inflar e desinflar o peito da maneira tradicional. Para puxar o ar, elas precisam usar a musculatura dos membros e do abdômen para empurrar os órgãos internos para frente e para trás, como se estivessem esvaziando um fole de lareira.
Quando tudo vai bem, o ar entra pelas narinas, passa pela traqueia e chega aos pulmões sem fazer nenhum ruído. Mas, quando há uma obstrução ou um processo inflamatório, o cenário muda completamente e o silêncio dá lugar a ruídos persistentes.
O que está gerando esse barulho
A causa mais comum para os ruídos respiratórios é o acúmulo de secreções. Se houver muco ou placas inflamatórias nas vias aéreas superiores, o ar passa por um espaço muito estreito. É o mesmo princípio físico do bico de uma chaleira quando a água começa a ferver, gerando aquele assobio característico que todo mundo conhece.
Quando a infecção desce para os pulmões, o problema ganha outra proporção. Répteis não têm um reflexo de tosse eficiente e o sistema de limpeza interna deles é bastante limitado. Isso significa que, se houver uma infecção mais grave, o pus acumulado não é expelido com uma tosse forte como a nossa. Ele se transforma em uma espécie de pasta densa que fica presa lá dentro, gerando estertores e chiados audíveis cada vez que o animal tenta respirar.
Como diferenciar os sinais no dia a dia
A forma como o problema se manifesta varia bastante dependendo se você cuida de um bicho de água ou de terra. Afinal, as rotinas e os corpos respondem de maneiras distintas aos mesmos invasores.
Nas tartarugas semiaquáticas, a pneumonia costuma vir acompanhada de um detalhe muito visual e preocupante. Pense em um barco com um dos compartimentos de carga alagados, que acaba navegando inclinado. Como o pulmão afetado perde a capacidade de reter ar do jeito certo, a tartaruga perde o equilíbrio na água. Ela começa a nadar torta, fica boiando de um lado só ou simplesmente recusa entrar na água, passando o dia inteiro apática na área seca.
Já nos jabutis terrestres, o barulho costuma vir acompanhado de uma esticação exagerada do pescoço. O animal estica a cabeça para a frente e abre a boca repetidas vezes, numa tentativa desesperada de puxar mais ar para os pulmões comprimidos pela própria anatomia.
A importância do calor na saúde do pet
Uma das armadilhas mais comuns no manejo envolve a temperatura do ambiente. Como são animais que dependem do calor externo para regular o metabolismo, o sistema imunológico deles simplesmente desacelera quando o ambiente esfria.
Uma queda brusca na temperatura da água ou do terrário paralisa as defesas naturais do quelônio. Sem essa proteção, bactérias que já convivem com o animal encontram o cenário perfeito para se multiplicar e atacar o sistema respiratório. É por isso que manter a água aquecida de forma constante e contar com lâmpadas adequadas de aquecimento não é mero luxo, mas a principal linha de defesa contra doenças graves.
Quando o barulho é apenas alarme falso
Nem todo som repentino significa que o seu pet está doente. Existe uma situação perfeitamente normal que costuma assustar quem cuida de tartarugas pela primeira vez.
Quando um quelônio se assusta com uma aproximação brusca e recolhe a cabeça e as patas para dentro do casco em uma fração de segundo, ele precisa esvaziar o pulmão no susto para abrir espaço físico. Essa expulsão rápida de ar gera um sopro ou um bufado breve. Trata-se de um mecanismo puramente defensivo. Se o som foi único e o animal voltou a respirar em silêncio logo depois, não há motivo para pânico.
Outro comportamento comum é o bombeamento da garganta, aquele movimento ritmado enquanto o animal descansa. A tartaruga está apenas usando o olfato para analisar o ambiente ao redor, farejando pistas químicas no ar. Enquanto a boca estiver fechada e não houver chiados contínuos, trata-se de comportamento absolutamente normal.
O que fazer diante dos sintomas
Diante de um quadro de respiração ruidosa, secreção nasal, bolhas saindo pelas narinas ou apatia, o passo mais importante é garantir a segurança imediata do animal. No caso das tartarugas aquáticas, reduza a lâmina d'água ou coloque-as temporariamente em uma área seca e aquecida para evitar o risco de afogamento por exaustão.
Ajustar imediatamente a temperatura do recinto evita que o quadro piore, mas não substitui o tratamento médico. O alerta mais importante é nunca tentar medicar o animal por conta própria. O uso de remédios caseiros ou antibióticos administrados sem supervisão costuma ser ineficaz e frequentemente perigoso para o organismo sensível dos répteis.
Ao notar qualquer um dos sinais de alerta, procure um veterinário especializado. Apenas um profissional poderá avaliar o pulmão corretamente e indicar o tratamento adequado para que o seu companheiro volte a respirar em paz.




