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Gato com dor ao andar: o que pode ser?

Resposta rápida

A dor ao andar em gatos pode ser sinal de osteoartrite, que afeta quase nove em cada dez animais com mais de dez anos, mas também pode indicar acidentes ou emergências graves como o tromboembolismo arterial. Procure atendimento veterinário imediato se a dificuldade para caminhar aparecer com paralisia nas pernas traseiras.

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Gato com dor ao andar: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de gato

Sabe aquela cena em que você chega da rua, chama o gato e percebe que ele desceu do sofá com um jeitinho estranho, meio travado, como se estivesse pesando cada centímetro do movimento? Se você reparar nisso, a primeira dúvida que vem à cabeça é o que pode estar acontecendo com as pernas daquele pequeno felino que normalmente salta com tanta facilidade.

A dor ao andar em gatos pode ser sinal de várias coisas, desde um desgaste natural nas articulações até emergências médicas que exigem atendimento imediato. A causa mais comum para essa alteração na rotina é a osteoartrite, que é o desgaste progressivo da cartilagem que protege as articulações. Muita gente acha que bicho velho só fica mais lento porque o tempo passa, mas a verdade é que quase nove em cada dez gatos com mais de dez anos sofrem com dores articulares em alguma parte do corpo, seja nos quadris, nos joelhos ou na coluna.

Acontece que os gatos são mestres disfarçados quando o assunto é esconder o sofrimento. Na natureza, mostrar fraqueza era um convite para virar presa, então eles raramente miam ou choram de dor. Em vez de um grito de socorro, o que você vê no dia a dia é uma mudança silenciosa de hábitos.

Como o gato mostra que está com dor ao andar?

Se o seu companheiro peludo parou de subir na janela que ele tanto amava, ou se você nota que ele para diante da cama, mede o tamanho do salto com os olhos e desiste, desconfie das articulações. Ele não virou preguiçoso de uma hora para a outra. Ele simplesmente aprendeu a calcular o preço doloroso de cada pulo.

Outro detalhe que costuma passar despercebido acontece na hora da higiene. Sabe aquela pelagem opaca ou emaranhada bem na altura da lombar? Muitas vezes, a culpa não é de falta de banho ou desleixo do animal, mas sim da dor na coluna e nos quadris que impede o gato de se contorcer para fazer a própria limpeza. Por outro lado, se ele passa o dia inteiro lambendo obcecadamente a mesma pata ou uma única articulação, vale a pena olhar bem de perto para aquela região.

Até a caixa de areia pode virar um tormento. Se as bordas forem altas, o gato precisa fazer um esforço físico considerável para entrar e sair. Quando isso dói, não é raro que ele comece a fazer as necessidades do lado de fora, não por birra, mas porque a caixinha antiga virou um obstáculo intransponível.

O que mais pode causar dor ao andar?

Apesar de o desgaste nas juntas liderar as estatísticas dos mais velhos, as origens para esse incômodo costumam ser bastante variadas. Algumas raças carregam traços genéticos que merecem atenção redobrada. Os bichanos da raça Scottish Fold, conhecidos pelas orelhas dobradas para frente, enfrentam uma condição que altera a formação da cartilagem e costuma trazer bastante rigidez. Os exemplares da raça Munchkin, com aquelas perninhas curtas e charmosas, lidam com um estresse mecânico constante na coluna que também pode cobrar o preço com o passar dos anos.

Quando o paciente é um jovem cheio de energia ou um aventureiro que costuma dar escapadas para a rua, a manecice geralmente nasce de algum acidente. Uma queda mal calculada, um encontrão com outro gato na vizinhança ou até uma unha enroscada e quebrada geram machucados que ficam camuflados embaixo da pelagem densa.

Acontece que existe um cenário específico capaz de gelar o sangue de qualquer tutor e que representa uma emergência absoluta. Se a dificuldade para caminhar aparecer do nada, acompanhada de paralisia nas pernas traseiras e de almofadinhas plantares visivelmente frias e pálidas, o sinal vermelho acende para o tromboembolismo arterial. Trata-se de um coágulo que entope o fluxo sanguíneo na região onde a aorta se divide para irrigar os membros inferiores. Diante desse quadro, a corrida para o atendimento profissional precisa ser imediata.

O perigo da automedicação

Aqui entra um alerta definitivo que jamais deve ser ignorado. Nunca ofereça medicamentos analgésicos de uso humano para o seu felino de jeito nenhum. Fármacos muito comuns em nossas gavetas, a exemplo do paracetamol e da dipirona, funcionam como verdadeiros venenos para o metabolismo dos gatos, provocando falência hepática ou renal severa com pouquíssimas gotas. Aquela pílula que resolve a sua enxaqueca pode custar a vida do seu pequeno companheiro.

Como deixar a casa mais amiga do seu gato?

Enquanto você aguarda o dia da consulta com o veterinário para investigar o que está acontecendo, vale a pena adaptar o território doméstico para poupar o corpo do animal. Pense nisso como uma reforma focada em ergonomia para quem precisa de um descanso nas juntas.

Colocar rampas ou banquinhos de apoio perto da poltrona favorita evita o impacto dos saltos diretos. Trocar o banheiro higiênico por uma caixa com a borda baixa elimina aquele esforço acrobático na hora de fazer as necessidades. Forrar os pisos escorregadios com tapetes firmes impede derrapagens que forçam os membros. Vale a pena também elevar um pouco os potes de ração e água para que o gato não precise curvar tanto o pescoço e a coluna durante as refeições.

Garantir que o gato volte a caminhar com leveza depende de observar esses sinais discretos no dia a dia e buscar orientação profissional diante de qualquer dúvida. Só o veterinário tem o conhecimento necessário para realizar exames físicos detalhados, pedir radiografias e receitar o tratamento adequado, seja ele baseado em suplementos, sessões de fisioterapia, controle de peso ou remédios seguros para devolver o bem-estar ao seu amigo.

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