Como diferenciar Mandarim bochecha preta macho e fêmea

Sabe aquela cena em que você fica plantado na frente da gaiola, encarando o passarinho e tentando decifrar se a bochecha preta dele é um sinal de masculinidade implacável ou apenas uma pluma elegante? A sexagem do Mandarim bochecha preta pode gerar uma pequena dúvida genuína em qualquer tutor de primeira viagem que tenta decifrar a pequena ave.
Que, nos exemplares adultos, a diferenciação entre macho e fêmea depende de uma combinação entre a cor do bico, o padrão dos flancos e o comportamento vocal, embora a sexagem molecular por DNA seja a única alternativa cem por cento infalível para filhotes ou em mutações genéticas muito misturadas.
Dizer que o passarinho é macho só porque ele exibe aquela marca escura na bochecha é um clássico erro de cálculo. Na mutação bochecha preta, as fêmeas também podem ostentar manchas faciais parecidas, o que costuma pegar muita gente desprevenida e confundir quem confia apenas no primeiro detalhe que salta aos olhos.
Olhando além da bochecha escura
Para evitar confusões, o melhor truque caseiro envolve prestar muita atenção no bico da ave. Sob a luz natural de uma janela, observe o tom da estrutura córnea. O macho costuma exibir um vermelho-coral intenso, parecendo um fruto maduro ou um vermelho-sangue bem vivo. A fêmea, por sua vez, apresenta um bico em tom alaranjado mais claro, que lembra a cor de uma cenoura fresca. As lâmpadas amarelas de dentro de casa costumam pregar peças na nossa visão, portanto leve a gaiola para perto de uma claridade difusa antes de dar o veredito.
Outro detalhe bem visível nos adultos são os flancos, aquelas laterais logo abaixo das asas. Se a ave tiver pequenas pintas brancas salpicadas sobre um fundo castanho ou uma barra preta marcante na região do peito, você provavelmente está olhando para um macho. As fêmeas costumam manter o visual cinza mais neutro e comportado, sem essas listras decorativas.
O teste da cantoria matinal
Se a inspeção visual ainda deixar margem para dúvidas, o comportamento entra como o grande desempate na rotina da casa. Coloque a ave sozinha em um ambiente calmo por alguns minutos e escute com atenção. O macho possui uma capacidade vocal bem desenvolvida para a cantoria e costuma engatar um repertório rítmico cheio de estalos e assobios elaborados, acompanhados por leves movimentos de cabeça. A fêmea, sem paciência para recitais, limita-se a emitir chamadas curtas e monótonas.
Ainda há o aspecto legal que costuma tranquilizar quem está começando na criação de exóticos. O Diamante-mandarim e todas as suas variações são considerados animais domésticos exóticos pelos órgãos ambientais brasileiros, o que significa que a posse deles é liberada e não exige registros complicados ou licenças de trânsito amador.
O mistério dos filhotes e das exceções
Tentar adivinhar o sexo de um filhote antes da primeira muda de penas é como tentar adivinhar a cor de um presente que ainda está bem embrulhado no papel pardo. Antes dos três ou quatro meses de vida, as aves jovens exibem bicos escuros e plumagem neutra. A natureza precisa do tempo da muda juvenil para colorir o visual definitivo do animal.
Além disso, se o seu mandarim bochecha preta carregar genes de outras mutações, como o branco ou o arlequim, a pigmentação pode falhar de forma assimétrica e bagunçar os marcadores visuais. Para quem não quer esperar o crescimento ou precisa de certeza absoluta para um futuro acasalamento, o exame de DNA feito em laboratório resolve a questão. O procedimento é simples, bastando a extração cuidadosa de algumas peninhas do peito com a raiz preservada para envio postal. O teste molecular funciona como uma ferramenta totalmente indolor quando feito com o devido cuidado, eliminando qualquer palpite errado.
Cuidados com a saúde do animal
Por fim, vale redobrar a atenção com a saúde geral da ave antes de qualquer manuseio prolongado. Pequenos exóticos possuem um metabolismo acelerado e podem sofrer com o estresse excessivo se forem contidos de maneira brusca ou prolongada. Se o seu mandarim estiver quieto no fundo da gaiola, com as penas eriçadas, sem apetite ou demonstrando apatia, suspenda qualquer tentativa de sexagem e observe. Pequenos exóticos mascaram sinais de fraqueza até o último segundo, e qualquer mudança brusca de comportamento exige uma avaliação de um veterinário especializado em aves, deixando as brincadeiras de identificação para um momento em que o pet estiver forte e bem disposto. Afinal, nenhuma curiosidade sobre o sexo do bichinho vale mais do que o bem-estar e a tranquilidade dele no dia a dia da sua casa.








