Como diferenciar Periquito albino macho e fêmea

Você comprou ou ganhou um periquito albino lindo, todo branquinho de olhos vermelhos, colocou na gaiola nova e agora está encarando a carúncula, aquela região logo acima do bico onde ficam as narinas, tentando adivinhar se o nome certo é Zezinho ou Zezinha. Passa o dia olhando, compara com fotos na internet, mas a cor insiste em não dar nenhuma pista definitiva.
Que, nos periquitos albinos, a sexagem visual pela cor da cera do bico simplesmente não é confiável. A única maneira de ter certeza absoluta se você tem um macho ou uma fêmea é por meio da sexagem molecular por DNA.
Por que a cor da cera engana nos albinos
Para entender por que a natureza resolveu pregar essa peça nos tutores, vale olhar para o periquito comum, aquele clássico verde e amarelo que povoa as lembranças de infância de muita gente. Nesses exemplares silvestres, as características físicas externas que diferenciam os sexos na fase adulta saltam aos olhos. O macho adulto ostenta uma cera azul bem vibrante, enquanto a fêmea madura exibe tons que vão do bege ao marrom escuro.
O problema é que o albinismo entra nessa história como um bloqueio implacável. Essa mutação genética inibe completamente a produção e a deposição de melanina no organismo da ave. Como o tom azulado característico do macho depende de uma reação química ligada justamente aos pigmentos escuros e à forma como a luz reflete na pele da cera, o periquito albino macho nunca desenvolve o azul clássico. A carúncula dele costuma empacar em tons rosados, arroxeados ou totalmente despigmentados ao longo de toda a vida.
Aí entra o erro clássico de quem está começando. Muita gente olha para a cera rosada de um filhote albino e pensa que o azul vai aparecer assim que a ave atingir a maturidade sexual, por volta dos seis a doze meses de idade. Só que isso não acontece. No caso das fêmeas albinas adultas, a situação até dá uma pista ocasional quando entram em pico hormonal reprodutivo, momento em que a cera pode adquirir uma textura mais espessa e em tom marrom escuro. Fora desse período, porém, ou quando são jovens, machos e fêmeas albinas parecem clones perfeitos aos olhos de quem tenta adivinhar o sexo sem ajuda científica.
Comportamento e mitos na hora da escolha
Nessa altura, é bem provável que você se pergunte se o comportamento não resolve o impasse. Afinal, a crença popular diz que os machos passam o dia conversando, balançam a cabeça com energia e cortejam qualquer reflexo no poleiro, enquanto as fêmeas levam a fama de mandonas. Só que o jeito de agir funciona apenas como palpite, nunca como garantia. Existem fêmeas bastante ativas e machos pacatos que preferem o silêncio. Como as aves mantêm os órgãos reprodutores escondidos por dentro do corpo, tentar adivinhar pelo temperamento é o mesmo que jogar uma moeda para o alto.
Aparece também quem tente apalpar os pequenos ossos ao redor da cloaca para checar se existe espaço para a passagem de ovos. A menos que você possua treinamento veterinário avançado, passe longe dessa prática. Apertar a região gera um estresse desnecessário para o animal, causa dor e pode provocar lesões graves, além de continuar sem entregar nenhuma resposta definitiva.
A saída mais segura e definitiva para encerrar o mistério é o exame de sexagem por DNA. O procedimento resulta bastante simples e pode ser feito em qualquer fase da vida da ave, até mesmo nos filhotes. Basta arrancar com cuidado três a cinco peninhas bem pequenas da região do peito, garantindo que o bulbo na ponta venha intacto com o material genético. Você envia esse material para um laboratório veterinário especializado, seguindo as instruções de manuseio para não contaminar a amostra com os dedos, e em poucos dias recebe o laudo oficial.
Saber o sexo exato do periquito albino evita surpresas desagradáveis no futuro, como descobrir que o suposto casalzinho pacífico na verdade eram duas fêmeas disputando território ou, pior, ser pego desprevenido por uma postura de ovos inesperada. Fêmeas mantidas em ambiente inadequado ou estimuladas antes do tempo podem sofrer com a temida retenção de ovos, uma emergência médica grave que exige socorro veterinário imediato para salvar o animal.
Caso note qualquer alteração estranha na região do bico, como o surgimento de crostas esbranquiçadas, descamações ásperas ou deformidades no bico, não assuma logo que se trata de uma variação da mutação ou de um simples desequilíbrio hormonal. Periquitos sofrem com frequência de sarna da face escamosa, um problema dermatológico causado por ácaros que altera profundamente a textura da cera e exige tratamento com antiparasitário específico receitado por um profissional. Resolver a dúvida do DNA logo no início poupa palpites frustrantes e garante que você cuide do seu companheiro emplumado com a precisão que ele realmente merece.







