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Como diferenciar Periquito-australiano macho e fêmea

Resposta rápida

A diferenciação visual do sexo no periquito-australiano adulto acontece pela cor da cera, a pele na base do bico. Nos machos adultos ela é azul viva, enquanto nas fêmeas varia do bege ao marrom escuro, mas filhotes com menos de doze meses costumam ter a cera rosa-claro ou lilás.

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Como diferenciar Periquito-australiano macho e fêmea

CuidadosPor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de Periquito-australiano

Imagine a seguinte cena: você ganha um periquito-australiano de presente ou decide adotar um companheiro para o que já mora na sua sala, olha para aquela carinha emplumada e se pega pensando se o novo morador é um rapaz ou uma moça. Afinal, dar nomes como Léo ou Lia exige um mínimo de certeza geográfica na certidão de nascimento da ave.

A diferenciação visual do sexo no periquito-australiano adulto acontece pela cor da cera, aquela pele membranosa que fica logo na base do bico, envolvendo as narinas. Nos machos adultos, essa região costuma ser de um azul bem vivo. Já nas fêmeas em idade reprodutiva, ela assume tons que vão do bege ao marrom escuro, ganhando até um aspecto mais enrugado. Só que, como a biologia adora pregar peças, a única forma de ter cem por cento de certeza em qualquer idade ou mutação de cor é recorrendo a um exame laboratorial de DNA.

Por que será que descobrir isso parece tão complicado para quem está começando?

Diferente de cães e gatos, os periquitos e a grande maioria dos psitacídeos guardam os órgãos reprodutores bem escondidos na parte interna do corpo. Não existe genitália externa visível para facilitar a nossa vida. Por isso, a natureza recorreu ao que chamamos de dimorfismo sexual secundário, que é aquela diferençazinha estética que nos ajuda a bater o olho e tentar adivinhar o sexo.

Acontece que a tal cera funciona quase como um painel de controle hormonal. Nos machos adultos, a testosterona deixa a pele com um azul liso e brilhante. Nas fêmeas adultas, o estrogênio faz com que essa mesma pele mude de cor e textura conforme a temporada de reprodução se aproxima, passando de um azul clarinho ou esbranquiçado para aquele marrom que parece uma casquinha de couro.

A armadilha da idade e das aparências

Existe um erro clássico que todo tutor de primeira viagem comete: tentar adivinhar o sexo do filhote assim que ele sai do ninho. Qual é o resultado prático disso?

Se você olhar para um periquito-australiano jovem, com menos de doze meses de vida, vai perceber que a cera dele costuma ter um tom rosa-claro, lilás ou um azul bem translúcido, parecendo quase igual em todos os irmãos da ninhada. É por volta de um ano de idade que a maturidade sexual chega e a verdadeira cor da cera finalmente dá as caras. Tentar adivinhar o sexo de um filhote baseado apenas na cor é quase como tentar ler um documento que ainda está em branco. Enquanto isso, o animal apenas cresce e come sementes tranquilamente no poleiro.

Além da idade, as mutações genéticas da espécie também adoram confundir a cabeça da gente. Algumas variedades de periquitos, como os albinos ou os lutinos, não seguem à risca a cartilha das cores. Nesses casos, o macho adulto pode continuar com a cera rosada ou roxa pelo resto da vida, parecendo uma fêmea para olhos destreinados. Se você tem um exemplar dessas linhagens mais claras em casa, a observação visual deixa de ser confiável. É o momento em que a genética decide pregar uma peça em quem comprou o pássaro achando que a cor resolvia tudo.

Quando a ciência entra em campo

Se a dúvida insistir em ficar no ar ou se você precisa dessa confirmação exata para montar um casal sem surpresas no futuro, a resposta mais certeira está na sexagem por DNA.

O processo todo é simples, prático e não causa dor nenhuma ao bicho. O veterinário especializado tira apenas umas poucas penas do peito ou recolhe uma gota mínima de sangue, mandando a amostra direto para um laboratório aviário. Esse exame acaba com a adivinhação e previne confusões bem chatas, como colocar dois machos na mesma gaiola achando que são um casal tranquilo e acabar presenciando pequenas disputas por espaço ao longo do dia.

O periquito-australiano é considerado uma ave de fauna doméstica no Brasil. Na prática, você não precisa se preocupar com licenças especiais ou burocracia de órgãos ambientais para ter esse pet na sua sala, ao contrário do que acontece com os periquitos nativos da nossa fauna silvestre, que seguem regras totalmente diferentes de manejo e posse.

De olho na saúde da cera

Nem toda alteração na cera vem de hormônios ou gênero. Às vezes, o que parece mudança de fase é só um problema dermatológico que pede a nossa atenção.

Se você reparar que a cera do seu periquito começou a criar crostas brancas, um aspecto poroso ou deformações que parecem cobrir as narinas, o culpado pode ser um microácaro responsável pela sarna da face escamosa. Essa condição altera tanto a região que esconde completamente a cor original da pele, enganando tutores que acabam achando que a fêmea entrou em um período reprodutivo intenso.

Jamais tente resolver isso por conta própria com manipulações bruscas na ave ou tentando arrancar as casquinhas com pinças, porque isso causa dor e estresse severo ao animal. Diante de qualquer alteração estranha no relevo do bico ou da cera, o caminho mais sensato é agendar uma consulta com um veterinário de confiança para garantir o tratamento adequado com produtos específicos.

Observar a ave bem de perto, num momento com boa iluminação perto da janela, ajuda bastante a entender o visual do seu companheiro de penas. Com um pouco de paciência e respeito ao tempo de desenvolvimento do bicho, decifrar os sinais do periquito-australiano deixa de ser um mistério e vira parte da rotina de cuidados com quem deixa a casa bem mais animada.

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