Tartaruga está com fezes moles: o que pode ser?

Você chega na sala com uma fatia de melancia na mão, olha para o seu jabuti caminhando pelo piso e pensa que dar um pedacinho para ele vai ser um agrado inofensivo. No dia seguinte, porém, você limpa o recinto e percebe que as fezes estão completamente amolecidas, quase líquidas.
A ocorrência de fezes moles em tartarugas, cágados e jabutis é provocada principalmente por erros no manejo alimentar, como o excesso de vegetais muito hídricos e a falta de fibras, por temperaturas ambientais baixas que paralisam a digestão, ou por infecções causadas por bactérias e parasitas.
Se você está com essa cena na cabeça e quer entender o que está acontecendo, vale a pena olhar para o modo como o animal funciona por dentro.
O estômago que depende do calor
A primeira coisa que costuma confundir quem cria répteis é a digestão. Diferente de cães e gatos, as tartarugas são animais ectotérmicos. Isso significa que elas não produzem calor interno para funcionar.
Pense no organismo do animal como uma geladeira que precisa da tomada ligada. Se o terrário ou o aquaterrário estiver com a temperatura abaixo da faixa ideal, as enzimas digestivas simplesmente entram em greve.
Sem calor, o trânsito intestinal desacelera de vez. A comida que o animal comeu fica parada no trato digestivo, sofrendo um processo de fermentação e putrefação. O resultado desse estrago interno aparece em forma de gases, desequilíbrio na flora intestinal e, claro, fezes moles.
A cilada do mimo saudável
Outro erro clássico envolve a tigela de comida. Existe uma ideia fixa de que oferecer vegetais frescos e suculentos é sempre a melhor escolha. Só que o cardápio de um jabuti é bem diferente do de um ser humano em dieta leve.
Quando você oferece alimentos com muita água e açúcar, como alface, tomate ou pedaços de melancia, o efeito no intestino do animal é imediato. Esses itens têm pouquíssima fibra estrutural e um alto teor de água livre.
No sistema digestivo de um herbívoro terrestre, isso atrai água para o lúmen intestinal por um processo osmótico e acelera a passagem do alimento antes que os nutrientes sejam aproveitados. A falta de fibra bruta impede a formação correta do bolo fecal. O resultado é aquela consistência indesejada.
Com os cágados semiaquáticos, como o tigre-d'água, o problema costuma se esconder na água. Como eles comem e defecam no mesmo ambiente, você raramente vai ver o formato das fezes. O sinal de alerta costuma ser a água do aquário ficando turva rápido demais ou com um odor fétido muito mais forte do que o habitual.
Quando o problema é invisível a olho nu
Nem tudo se resume ao que vai no prato ou ao termômetro da lâmpada. Se você caprichou no cardápio e a temperatura está perfeita, mas o problema continua, a origem pode ser outra.
Existem micro-organismos que moram no intestino dos répteis e levam a vida numa boa sem causar estragos. A famosa bactéria da salmonela, por exemplo, vive ali de favor no organismo de boa parte dos quelônios sem que o bicho apresente um único sintoma.
A situação desanda quando o animal enfrenta uma fase de estresse, falta de água no corpo ou queda na imunidade. Nesses momentos, a bicharada invisível ganha força e provoca inflamações sérias no intestino. Vermes e parasitas internos fazem o mesmo estrago, irritando as paredes internas e soltando o trânsito com direito a muco e cheiro forte.
O que fazer agora
Viu que a consistência não está certa e quer agir antes que o bicho fique fraco? Algumas mudanças rápidas ajudam a colocar o sistema digestivo de volta nos trilhos.
Para o jabuti, tire de cena os vegetais cheios de água e reforce o cardápio com folhas escuras e fibrosas, como couve, rúcula e almeirão. Se o seu pet for um cágado que vive na água, confira a qualidade da ração e olhe se o aquecedor do tanque está mantendo a temperatura exata.
Cheque também as lâmpadas de calor e UVB do espaço. Um banho morno de imersão costuma hidratar por dentro e dar aquele empurrãozinho que faltava para o intestino funcionar direito.
Lave muito bem as mãos com água e sabão sempre que mexer no bicho ou limpar o espaço dele. Esse hábito simples evita que você leve qualquer micro-organismo indesejado para a sua própria boca ou para o resto da casa.
Se a consistência mole continuar por mais de um ou dois dias mesmo depois de você ajustar a rotina, ou se o animal ficar quieto demais e recusar comida, o caminho é conhecido. Leve o pet a um veterinário que entenda de animais silvestres e exóticos.
Nunca invente de medicar o animal por conta própria com remédios de humanos ou sobras de farmácia. Uma dose errada ou um produto inadequado podem intoxicar o organismo e colocar a vida da tartaruga em risco.




