Qual é a gaiola ou viveiro ideal para Agapornis Personata?

Sabe aquela sensação de entrar num quarto de hotel onde a cama ocupa o espaço inteiro e você mal consegue dar dois passos sem trombar na mala? Pois é bem assim que um Agapornis Personata se sente quando colocado naquela gaiola alta, estreita e cheia de voltas que parece mais uma torre medieval em miniatura.
O recinto ideal para o Agapornis Personata deve ser prioritariamente horizontal e amplo o suficiente para permitir pequenos voos, fabricado com metal livre de zinco e chumbo, equipado com poleiros de galhos naturais de diâmetros irregulares e brinquedos atóxicos para destruição e forrageamento, além de posicionado em local arejado, protegido de correntes de ar frio e mantido sob higienização constante.
O espaço horizontal e os materiais seguros
A gente costuma cair na armadilha de achar que altura é sinônimo de liberdade para pássaros. Só que essas pequenas aves não são helicópteros, elas precisam de espaço para o deslocamento lateral. Tentar voar numa gaiola alta e fina é o equivalente a pedir para alguém correr uma maratona dentro de um elevador. O comprimento importa muito mais do que a altura para que o animal consiga esticar as asas e fazer pequenos percursos sem bater nas paredes de arame.
A escolha do material da gaiola também merece atenção redobrada, e aqui não vale economizar comprando qualquer modelo usado só porque o preço parecia ótimo. Tintas contendo chumbo ou galvanizações baratas à base de zinco são verdadeiros venenos para psitacídeos. Quando a ave bica a grade por curiosidade ou tédio, ela pode ingerir partículas desses metais e desenvolver quadros graves de intoxicação, que afetam o estômago e o sistema nervoso. Certifique-se de que a estrutura é inteiramente segura e atóxica.
Conforto para as patas e estímulos para a mente
Outro detalhe que costuma passar despercebido é o piso interno dos pés da ave. Aqueles poleiros de plástico perfeitamente cilíndricos e lisos que vêm de fábrica parecem práticos na hora da limpeza, mas causam um estrago danado na saúde do animal. Imagine passar a vida inteira caminhando descalço sobre um piso de concreto totalmente plano. O resultado nos Agapornis são os calos podais, uma inflamação dolorosa na sola das patas conhecida como pododermatite.
A solução é simples e não custa nada se você souber o que catar por aí. Troque aqueles bastões artificiais por galhos naturais de árvores frutíferas que não fazem mal, como goiabeira, limoeiro ou jaboticabeira, variando bem as espessuras. Essa diferença de grossura faz os dedos da ave trabalharem em posições variadas, o que ajuda na circulação, mantém o tônus muscular em dia e evita machucados bem chatos de sarar.
E pense bem na cachola deles. Agapornis têm uma necessidade urgente de roer o mundo, parecendo pequenos marceneiros em expediente integral. Deixar o viveiro impecável e sem graça é pedir para o tédio transformar o bichinho em um especialista em arrancar as próprias penas ou morder o arame até cansar. Coloque brinquedos que possam ser destruídos, pedaços de papelão sem tinta e materiais que eles tenham o prazer de despedaçar. Na natureza, eles adoram cortar tiras de cascas e folhas e levá-las enfiadas na cauda. Dar papéis seguros e fibras vegetais supre esse instinto antigo sem nenhum drama.
Onde colocar a gaiola e os cuidados diários
Onde vai ficar esse palácio em miniatura? Escolha um canto ventilado e com boa claridade do dia, mas bem longe de correntes de ar ou daquelas variações bruscas de temperatura que detonam a imunidade das aves. Esqueça a cozinha de jeito nenhum, pois o vapor e a fumaça de panelas com revestimento antiaderente são um veneno mortal para o sistema respiratório delicado deles. Encostar a parte de trás do viveiro em uma parede da sala dá ao pet aquela sensação boa de segurança, livrando o animal do susto de ver gente brotar por todos os lados.
Passar um pano e limpar o fundo da gaiola todos os dias é o básico para evitar que o pet fique em cima da sujeira. Uma bacia com água fresca oferecida de vez em quando também faz a festa na hora de cuidar das penas, desde que você tire o recipiente logo depois que o banho acabar.
Caso você perceba alguma mudança esquisita no comportamento, falta de ânimo, machucados nas patas ou se o passarinho passar o dia inteiro encolhido no fundo do viveiro, o correto é procurar um veterinário especialista em aves. Um sinal bobo à primeira vista pode esconder um problema que só o profissional consegue resolver do jeito certo.








