Qual é a gaiola ou viveiro ideal para Diamante-de-gould azul?

Você acabou de colocar a caixa de transporte sobre a mesa da sala, o pequeno Diamante-de-gould azul observa tudo lá de dentro com aquele ar curioso e, de repente, bate a dúvida imediata sobre onde acomodar essa verdadeira joia viva de plumagem azulada. O recinto ideal é uma gaiola retangular com orientação estritamente horizontal, medindo no mínimo 60 centímetros de comprimento por 40 centímetros de largura, mantida em um local totalmente protegido de correntes de ar e de oscilações térmicas bruscas.
Muita gente gasta dinheiro com aquelas gaiolas altas, cheias de torres e enfeites, imaginando que quanto mais vertical for o espaço, mais feliz o pássaro vai ficar. A intenção é boa, mas o raciocínio costuma falhar na prática cotidiana. Diferente de papagaios ou calopsitas, que adoram escalar grades usando o bico e as patas como se fossem alpinistas, os pequenos estrildídeos se deslocam exclusivamente por meio de saltos rápidos e voos curtos na horizontal.
Uma gaiola alta vira apenas um grande espaço vazio e desperdiçado no topo. O que o seu pássaro realmente precisa para gastar energia é de uma verdadeira pista de corrida onde ele consiga dar aquelas esticadas de asa completas, indo de um poleiro ao outro sem barreiras no meio do caminho. Pense nisso como a diferença entre um corredor estreito e comprido e uma escadaria apertada onde ninguém consegue correr.
A armadilha do vento e da temperatura
Outro detalhe que pega muita gente desprevenida envolve o lugar exato da casa onde a gaiola vai ficar. Você pode achar que colocar o viveiro perto daquela janela charmosa que deixa a brisa da tarde entrar é uma ótima ideia para o animal respirar ar puro, mas tente lembrar como você se sente quando fica horas sentado bem na trajetória de um vento gelado que entra pelo vão da porta.
Por causa do tamanho reduzido e do metabolismo acelerado, essas aves perdem calor com uma facilidade impressionante quando expostas a correntes de ar. Uma rajada fria inesperada afasta as penas que servem de isolante térmico natural e derruba a imunidade do bichinho rapidamente. O ideal é encontrar um canto aconchegante da sala, longe de portas e janelas que fiquem abertas o tempo todo, garantindo que o ambiente mantenha uma temperatura estável e agradável para o descanso.
Aproveitando que estamos conversando sobre a chegada do pet, é bem comum surgir aquela dúvida sobre a burocracia envolvida na compra de uma mutação tão charmosa. Afinal, por causa da coloração azulada que chama tanto a atenção, parece que estamos lidando com um bicho digno de licenças mirabolantes e papeladas intermináveis na internet.
A boa notícia é que o Diamante-de-gould é oficialmente classificado como ave doméstica sob a Portaria IBAMA número 93 de 1998. Isso significa que a posse e a criação como animal de companhia são totalmente livres de autorizações federais complexas ou daquela obrigatoriedade de anilha fixa na patinha. A mutação azul altera apenas a estética da plumagem que você vê todos os dias, mas as exigências legais e de manejo continuam exatamente as mesmas da espécie tradicional que todo mundo conhece.
Organizando o interior com inteligência
Com a gaiola horizontal de 60 por 40 centímetros escolhida e posicionada no lugar certo, a montagem interna não exige nenhuma engenharia espacial. O segredo é instalar dois ou três poleiros de madeira com diâmetros variados nas extremidades opostas da gaiola, o que incentiva o animal a voar de um lado para o outro para exercitar as articulações sem nenhum esforço forçado.
Coloque os comedouros e bebedouros em pontos estratégicos para evitar que eventuais fezes caiam dentro da comida ou da água. Oferecer uma banheira rasa com água limpa algumas vezes por semana também faz toda a diferença na rotina deles, já que esses pássaros adoram tomar um banho rápido para manter as penas sempre em ordem. No fundo da gaiola, mantenha uma rotina de limpeza frequente com papel adequado e lembre-se de que o ambiente precisa de dez a doze horas de escuro e silêncio absoluto para o pássaro conseguir dormir bem e repor as energias para o dia seguinte.
A gaiola compacta de 60 por 40 centímetros funciona muito bem para um casal ou para um exemplar solitário que vive como pet. Se a ideia no futuro for criar vários casais juntos ou montar um plantel reprodutivo maior, o espaço pequeno já não serve e o ideal passa a ser um viveiro amplo tipo aviário, com mais de um metro de comprimento. Além disso, se a fêmea apresentar dificuldades na reprodução em cativeiro, algo comum por causa da seleção artificial ao longo dos anos, criadores costumam recorrer a amas secas de outra espécie para cuidar dos ovos, mas isso é assunto para quem cria profissionalmente.
Se em algum momento da rotina você notar que a ave está parada no fundo da gaiola com as penas eriçadas, prostrada, respirando com dificuldade, com queda de penas anormal ou apresentando qualquer comportamento incomum que fuja do normal, não espere para ver se o problema desaparece sozinho. Procure imediatamente o atendimento de um veterinário especializado em aves para uma avaliação segura e adequada.






