Problemas de saúde comuns no Braco italiano

Imagine que você acabou de voltar da caminhada com o seu cão, e ele recusou aquele petisco que costuma devorar em segundos. O Braco italiano tem uma presença marcante, com aquele olhar melancólico, o focinho levemente arqueado e as orelhas longas que parecem pesadas cortinas de veludo. É um atleta nato, rústico e cheio de energia. Mas, por trás desse porte elegante de caçador, a raça carrega algumas fragilidades físicas importantes que exigem o olhar atento de quem convive com ele todos os dias.
Afinal, quais são os problemas de saúde comuns no Braco italiano?
A raça lida principalmente com uma predisposição a doenças renais graves, como a nefropatia familiar e a amiloidose renal, além de problemas ortopédicos como displasias, o risco de torção no estômago devido ao tórax profundo e infecções de ouvido recorrentes por causa das orelhas caídas. Vale destacar que essas condições são tendências da raça, o que significa que nem todo indivíduo vai desenvolver todas ou qualquer uma delas, mas ignorar essas possibilidades nunca é um bom plano.
Deixar de lado a fama de cão indestrutível ajuda a cuidar melhor dele. O Braco italiano aguenta longas horas no campo, mas o corpo dele esconde algumas vulnerabilidades anatômicas e genéticas que exigem atenção regular do tutor, sem que isso signifique viver em estado de pânico a cada respiração do animal.
Por que os rins exigem tanta atenção?
A condição mais delicada que atinge a raça é a nefropatia familiar, um problema renal de fundo genético que costuma se manifestar de forma silenciosa. Muitas vezes, a doença favorita dos rins ataca por volta dos cinco anos de idade, embora possa aparecer antes ou depois, pegando o tutor de surpresa bem no auge da vitalidade do animal.
O grande perigo aqui é a sutileza do início. Se o seu cão começar a recusar a comida sem motivo aparente, vale acender um alerta. O Braco italiano não costuma frescar com a tigela de ração. Quando um cão rústico perde o apetite e começa a beber água e fazer xixi mais do que o normal, a situação pede investigação rápida.
O erro comum é achar que um exame de sangue simples resolve tudo. Quando a ureia e a creatinina sobem nos exames de sangue, os rins já perderam uma parte enorme da capacidade de trabalho. É por isso que o exame anual de urina, medindo a proporção de proteínas, funciona como o grande salvador da pátria. Ele consegue detectar a perda precoce de proteínas muito antes de o cão demonstrar fraqueza ou prostrado pela doença.
O peito fundo e o perigo do estômago virado
Outro ponto que merece cuidado é a estrutura física do animal. O tórax profundo, que lembra a quilha de um barco, é excelente para dar fôlego ao cão durante uma corrida longa, mas cria um espaço interno perigoso que muitos tutores desconhecem até que o susto aconteça.
Essa anatomia favorece a Dilatação-Vólvulo Gástrica, conhecida popularmente como torção gástrica. O estômago do cão pode inflar com gases e girar sobre o próprio eixo, cortando a circulação sanguínea. É uma emergência médica absoluta que não espera até o dia seguinte, exigindo velocidade na tomada de decisão.
Se o cão apresentar o abdômen duro, tentar vomitar sem conseguir, ficar excessivamente inquieto e salivar muito, o transporte imediato para um hospital veterinário é a única escolha segura. Fracionar a ração em porções menores ao longo do dia e evitar corridas logo após a refeição ajudam a reduzir esse risco, embora a estrutura anatômica do corpo continue sendo a mesma e precise de vigilância constante.
Orelhas de veludo e os ouvidos abafados
As orelhas longas e pesadas dão um charme inconfundível à raça, mas funcionam como uma tampa abafada sobre o conduto auditivo. O ar circula pouco ali dentro, gerando um ambiente quente e úmido que fungos e bactérias adoram para se multiplicar sem cerimônia.
Isso explica por que as otites externas aparecem com tanta frequência na rotina do consultório. A solução passa por uma rotina simples de limpeza e secagem das orelhas com produtos recomendados pelo veterinário, sempre verificando se há vermelhidão ou odor forte antes que o incômodo vire uma dor insuportável para o animal.
Na mesma linha, a pele frouxa ao redor da cabeça e dos olhos pode causar problemas nas pálpebras, como o entrópio, quando a pálpebra vira para dentro e os pelos machucam a córnea a cada piscada. Olhos vermelhos, piscadas excessivas ou lacrimejamento constante pedem uma avaliação oftalmológica para evitar úlceras na superfície ocular.
A importância da prevenção no criadouro
Boa parte desses problemas pode ser evitada ou amenizada lá na origem. Se você está pensando em buscar um filhote, a conversa com o criador precisa ser franca sobre os exames dos pais, sem aceitar respostas vagas ou promessas vazias.
Reprodutores de Braco italiano precisam obrigatoriamente passar por triagens rigorosas. Isso inclui laudos oficiais para displasia de quadril e de cotovelo, avaliações dos olhos para afastar defeitos de pálpebra e exames de saúde renal. Um criador sério não apenas conhece essas exigências, mas apresenta os documentos sem hesitar.
Conhecer as características da raça não serve para viver em estado de alarme constante, mas para agir com inteligência. Manter as consultas em dia, observar pequenas mudanças no comportamento diário e realizar os exames preventivos de rotina são as melhores formas de garantir que esse caçador elegante tenha uma vida longa e confortável ao seu lado.





