Pular para o conteúdo

Problemas de saúde comuns no Bullmastiff

Resposta rápida

O Bullmastiff apresenta riscos de problemas nas pálpebras e na retina, torção gástrica, desgaste articular e neoplasias. Seu porte e anatomia justificam prevenção e acompanhamento veterinário regular.

Ler artigo completo ↓

Problemas de saúde comuns no Bullmastiff

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de cachorro

Sabe aquela sensação irritante de ter um cílio solto arranhando o globo ocular enquanto você tenta prestar atenção em uma reunião? Multiplique isso por dez e adicione um pouco de peso. É mais ou menos esse o desconforto constante que alguns Bullmastiffs enfrentam por causa de questões anatômicas herdadas.

Quais são os problemas de saúde comuns no Bullmastiff? O Bullmastiff é uma raça de porte gigante e conformação facial robusta que lida principalmente com problemas nas pálpebras, alterações genéticas na retina, torção no estômago, desgaste nas articulações e uma taxa considerável de neoplasias.

Converse com qualquer pessoa que conviva com um exemplar dessa raça e você logo vai perceber que a imponência física deles vem acompanhada de uma lista de cuidados veterinários bem específica. Não adianta fechar os olhos e fingir que um cachorro de cinquenta quilos funciona exatamente igual a um cão de raça pequena. A estrutura corporal do Bullmastiff dita quase todas as suas vulnerabilidades médicas e exige do tutor uma atenção diária que vai muito além de encher o pote de ração.

Os olhos e o desafio das pálpebras

Vamos começar pela cabeça quadrada e cheia de rugas que atrai tanta gente para a raça. Toda essa pele pesada cria um cenário propício para o entrópio, que é quando a pálpebra vira para dentro, fazendo com que os pelos fiquem raspando na córnea do animal.

Nos Bullmastiffs, esse problema costuma assumir uma forma severa, conhecida na medicina veterinária como entrópio em formato de pagoda. A pálpebra ganha um encaixe vertical que machuca o olho de verdade. Se você notar que o seu cão está piscando demais, com os olhos vermelhos, lacrimejando sem parar ou tentando esfregar o rosto no sofá, não trate aquilo como uma conjuntivita simples. Ignorar esses sinais pode levar a lesões graves na córnea.

Existe também o oposto, chamado de ectrópio, onde a pálpebra dobra para fora e deixa a conjuntiva exposta ao vento e à poeira. Além dessas questões mecânicas, a raça carrega mutações genéticas que podem ser mapeadas antes mesmo de o filhote nascer. No caso do Bullmastiff, é possível rastrear a Atrofia Progressiva de Retina, que leva à cegueira irreversível, e a Retinopatia Multifocal Canina, que causa o descolamento da retina. Criadores responsáveis usam esses exames para evitar que os filhotes herdem essas condições, mas cabe ao tutor continuar de olho na saúde ocular do pet ao longo da vida com exames preventivos anuais.

O perigo silencioso no estômago

Outro ponto que merece atenção redobrada de quem divide a casa com um Bullmastiff é a Dilatação-Vólvulo Gástrica, mais conhecida como torção gástrica. Pense no peito desse animal como um barril largo e profundo, criado anatomicamente para dar espaço a pulmões potentes. O problema é que esse formato cria um espaço interno onde o estômago tem certa folga para balançar.

Quando o cão engole muita comida rápido demais, bebe água em grandes volumes e logo depois sai correndo atrás de uma bola no quintal, o estômago pode simplesmente dilatar com gases e girar sobre o próprio eixo. Essa é uma emergência médica de gravidade máxima. Se o cão começar a salivar de forma exagerada, ficar muito inquieto, tentar vomitar sem conseguir e apresentar o abdômen visivelmente inchado e duro, o relógio passa a ser seu maior inimigo. Esqueça qualquer receita caseira ou espera até o dia seguinte e corra para o hospital veterinário.

Para prevenir sustos, o ideal é fracionar as refeições diárias em porções menores e proibir qualquer atividade física intensa logo depois que ele comer. Dar uma pausa de descanso após a tigela de ração não é frescura, é uma medida básica de sobrevivência que evita corridas desesperadas para o pronto-socorro no meio da madrugada.

Articulações e a rotina de cuidados

Com um peso adulto que costuma variar entre quarenta e quase sessenta quilos, o esqueleto do Bullmastiff carrega uma carga pesada todos os dias. Não é surpresa que problemas articulares, como a displasia de quadril e de cotovelo, além da ruptura de ligamentos, apareçam com certa frequência na rotina da raça. Evitar que o filhote corra em pisos lisos ou suba e desça lances longos de escada antes de fechar o crescimento ósseo ajuda a poupar as juntas.

O excesso de peso na fase de crescimento funciona como um acelerador de problemas futuros. Manter o animal em uma faixa de peso adequada, com ração de boa qualidade e orientação profissional sobre exercícios, muda completamente a qualidade de vida dele na maturidade. A rotina de caminhadas deve ser equilibrada para não sobrecarregar as cartilagens ainda em formação.

Em relação à expectativa de vida, cães desse porte costumam viver um pouco menos do que raças menores, com uma média que gira em torno de nove anos. O clado dos mastifes também registra uma incidência significativa de diferentes tipos de câncer, como o osteossarcoma, exigindo que qualquer caroço suspeito, alteração na forma de caminhar ou perda súbita de apetite seja investigada sem demora por um veterinário.

Transformar o momento de carinho em um hábito de inspeção faz toda a diferença. Aproveite a hora em que estiver limpando as dobras do focinho para olhar os olhos, apalpar o abdômen e checar se há qualquer sensibilidade nova. Cuidar de um Bullmastiff exige observação constante e disposição para adaptar a rotina da casa, mas a lealdade e a companhia que esse gigante oferece compensam cada detalhe do cuidado preventivo.

Compartilhar:💬🔗
← Explorar cães

Posts preferidos sobre cães

Uma nova seleção de leituras a cada visita.

Alimentação

Cachorro pode comer cereja?

Cachorro não deve comer cereja inteira por causa do caroço, que pode liberar cianeto tóxico se for mastigado ou causar engasgo e obstrução intestinal se for…

🕒 5 min de leituraLer agora →

Outros artigos sobre cães

Continue a leitura por aqui.