O Shih-poo é fácil de adestrar?

Você está com o café esfriando na mesa da cozinha, olhando para aquele pequeno bolinho de pelos que acabou de chegar, e se pergunta se vai precisar de um manual de instruções em dez volumes para conseguir ensinar o básico a ele. Sim, o Shih-poo é considerado um cão de facilidade moderada a alta para o adestramento.
E isso acontece porque ele junta duas características muito particulares na mesma pelúcia ambulante. Do lado do Poodle, ele herda uma inteligência rápida e uma vontade quase indisfarçável de agradar o tutor. Do lado do Shih Tzu, vem aquela esperteza charmosa e o afeto em doses industriais, mas também uma sensibilidade emocional que não tolera qualquer tipo de grosseria no trato diário.
Pense nele como aquele aluno de primeira fileira na escola. Se a pessoa que ensina for paciente, dinâmica e usar elogios sinceros, ele aprende a matéria inteira sorrindo e pede mais. Se alguém perder a paciência por qualquer erro bobo, ele simplesmente trava, passa a ter medo e começa a tentar se esconder de você embaixo do sofá. É por isso que qualquer tentativa de ensino por aqui precisa ser baseada no uso exclusivo de recompensa pelas atitudes certas. Punições físicas ou berros estão completamente fora de cogitação, além de causarem um medo desnecessário em um animal tão pequeno.
O Shih-poo não é uma raça pura com pedigree registrado em grandes federações, mas sim um cão híbrido gerado pelo cruzamento entre Shih Tzu e Poodle. Isso significa que você pode ter irmãos de ninhada com personalidades bem diferentes. Alguns puxam mais para o foco intenso do Poodle, enquanto outros herdam a independência carinhosa do Shih Tzu. Mas, em linhas gerais, o mecanismo de aprendizado deles funciona muito bem quando você entende como a cabeça dos pequenos funciona e respeita o ritmo deles.
Por que as broncas no treino de xixi costumam dar errado
Imagine a cena clássica. O filhote acorda, dá aquela espreguiçada longa e faz xixi bem no meio da sua sala, logo ali, a dois passos do tapete higiênico. Se você chega esbravejando e tenta dar uma bronca forte, o que passa na cabeça dele não é que ele errou o endereço do banheiro.
O cão entende algo totalmente diferente. Para ele, a mensagem capturada é que a presença daquele xixi no chão desperta a fúria incontrolável do seu humano favorito. Para evitar a punição na próxima vez, o que o animal faz? Desenvolve o hábito de se esconder para fazer suas necessidades ou tenta sumir com as evidências rapidamente. Esse comportamento costuma dar um trabalho danoso para corrigir depois.
A solução prática para o treino de higiene passa longe de qualquer drama. A bexiga de um filhote de porte pequeno funciona mais ou menos como um copinho de café expresso, ou seja, minúscula e com metabolismo acelerado. Ele precisa ir ao banheiro logo que acorda, depois de comer e após as brincadeiras mais agitadas.
Posicione o tapete higiênico em um canto estratégico, longe da tigela de comida. Quando ele acertar o alvo, comemore com animação, oferecendo um petisco macio e saboroso nos primeiros segundos após o ato. Essa dupla recompensa cria um caminho rápido no cérebro dele, associando o acerto a algo extraordinariamente bom.
O equipamento correto para a caminhada
Outro ponto que pega bastante no dia a dia é o momento do passeio na rua. Como o Shih-poo herda traços anatômicos das duas raças de origem, ele apresenta uma predisposição genética para problemas na traqueia. Aqueles anéis cartilaginosos que mantêm a via aérea aberta são bastante delicados.
Se você teimar em prender a guia em uma coleira tradicional de pescoço, cada puxãozinho mais forte durante a caminhada vai comprimir a região do animal, provocando aquela tosse seca irritante. Por isso, o uso de um peitoral que distribui a pressão pelo tronco é um grande aliado. O acessório mantém o pescoço do seu companheiro totalmente livre e confortável enquanto ele explora os cheiros do quarteirão.
Quando o problema exige uma pausa e um veterinário
Nem toda desobediência é pura teimosia ou falta de treino. Cães de pequeno porte também carregam propensão para questões ortopédicas que afetam os joelhos e causam incômodo físico.
Se o seu Shih-poo de repente se recusa a obedecer a um comando simples, antes de achar que ele perdeu a educação, vale a pena investigar se ele está sentindo alguma dor nas articulações. Quadros de desconforto estomacal ou alterações hormonais também sabotam o comportamento e causam reações que nenhum adestrador consegue resolver sozinho. Uma consulta com o veterinário é o passo inicial obrigatório antes de culpar o temperamento do animal.
Para manter a cabecinha dele ocupada e evitar que ele desconte o tédio nos seus sapatos ou comece a latir excessivamente quando você precisar sair, aposte em atividades mentais. Brinquedos interativos que liberam petiscos devagar transformam a rotina em um desafio divertido, ocupando o foco do cão e prevenindo aquela ansiedade de separação que assusta tanta gente.
Com sessões curtas de poucos minutos por dia, paciência de sobra e muitos petiscos saborosos, você logo percebe que conviver com um Shih-poo é uma das tarefas mais divertidas do mundo dos animais de estimação. Respeitar o jeitinho dele muda tudo.






