O que Tetra Mato Grosso come?

Você chega em casa, caminha até a sala e para diante do aquário. No mesmo instante, o cardume de peixinhos avermelhados vem em disparada colar no vidro, nadando de um lado para o outro com uma energia frenética que parece implorar por comida. Dá até a impressão de que eles passam o dia inteiro famintos esperando por você.
O Tetra Mato Grosso (Hyphessobrycon eques) é um peixe onívoro e precisa de uma dieta variada baseada em rações comerciais secas de alta qualidade, como flocos ou micropelets de pequeno calibre, complementada de vez em quando com alimentos vivos ou congelados. Como esses peixes medem apenas cerca de três a quatro centímetros, a boca deles é minúscula. Tentar alimentá-los com grãos grandes é o equivalente a uma pessoa tentar engolir uma maçã inteira de uma só vez. A granulometria da ração precisa ser compatível com o tamanho deles, caso contrário os peixes apenas mordiscam o alimento e espalham poeira orgânica por todo o tanque.
A regra de ouro da quantidade
Aquela dança desesperada na frente do vidro não significa que eles estão morrendo de fome. Trata-se apenas de um reflexo oportunista de animais que, na natureza, aproveitam qualquer queda de inseto ou partícula na água. Ceder a esse impulso e jogar comida a toda hora é o erro mais rápido para destruir a qualidade da água do seu aquário.
A regra prática é simples e não tem segredo. Ofereça apenas a quantidade que o cardume consegue devorar por completo em no máximo dois minutos, uma ou duas vezes ao dia. Se sobrou comida afundando e sumindo no meio do cascalho, você exagerou na dose.
Pode parecer difícil resistir àquela insistência na hora da refeição, mas o apetite constante deles é apenas um truque evolutivo. Na natureza, perder a chance de comer significava passar dias sem ver nada nutritivo pela frente. No aquário protegido da sua sala, porém, eles estão seguros e não precisam acumular gordura de emergência. Manter o controle das porções evita que o sistema biológico entre em colapso e garante que a água continue cristalina.
O perigo da comida esquecida no fundo
Toda aquela ração que sobra e fica jogada no fundo acaba apodrecendo. Esse depósito de matéria orgânica sofre a ação de bactérias e gera picos perigosos de amônia, a substância tóxica que envenena a água, além de derrubar os níveis de oxigênio e convidar algas indesejadas para a festa.
Imagine o estrago de deixar restos de comida espalhados pela sala de estar de casa. O ambiente estraga num piscar de olhos e a saúde dos animais vai por água abaixo. Se notar restos no cascalho, a saída é puxar o excesso com um sifão rapidinho.
Vale prestar atenção também em como você guarda a comida dos bichos. Aqueles potes enormes abertos há meses perdem vitaminas e estragam as gorduras. O prazo ideal de uso depois de aberto gira em torno de três meses, desde que o pote fique guardado bem fechado longe da umidade. E nunca invente de molhar a ração antes de dar para eles, porque isso dissolve os nutrientes na água e o peixe fica sem comer nada que presta.
Cardápio variado e o descanso digestivo
Mesmo que a ração seca resolva o dia a dia, incluir alguns mimos nutritivos faz toda a diferença para o brilho do cardume. Duas ou três vezes por semana, vale a pena variar com artêmias ou dáfnias congeladas, além de flocos com spirulina. Esses extras ajudam a realçar o vermelho vivo da espécie e regulam o intestino.
Colocar um dia de jejum por semana na rotina também funciona muito bem para a digestão deles. Na natureza, eles passam por dias sem achar nada para morder, então essa pausa de vinte e quatro horas evita aquela barriga estufada.
Peixes que acabaram de chegar à sua casa devem ficar sem comida nas primeiras vinte e quatro horas. O estresse da viagem e da mudança de casa atrapalha a digestão. Dar esse tempo de descanso evita problemas de estômago logo na adaptação.
Quando procurar ajuda profissional
Se os seus peixes pararem de comer de repente, ficarem isolados nos cantos, perderem peso mesmo se alimentando ou mostrarem qualquer comportamento estranho, ligue o sinal de alerta. Isso costuma ser sinal de estresse prolongado, água desequilibrada ou parasitas.
Se os sintomas continuarem, o caminho certo é consultar um veterinário especialista em peixes para descobrir a causa e tratar do jeito certo. Tentar adivinhar o remédio por conta própria costuma acabar mal para o aquário inteiro.






