O que Tetra Congo come?

Imagine a cena. Você acabou de sentar no sofá com um copo d'água, olha para o aquário na sala e nota aquele cardume de peixes com nadadeiras exuberantes e cores que parecem refletir o sol da tarde. Na mesma hora, os bichinhos colam no vidro, fazendo aquela festa típica de quem nunca comeu na vida. Bate a dúvida de o que colocar na água para manter esses animais firmes e fortes.
O Tetra Congo é um peixe onívoro, o que significa que ele aceita bem tanto ingredientes de origem vegetal quanto animal. Na prática da rotina do aquário, isso quer dizer que a base da alimentação dele deve ser uma ração comercial seca de excelente qualidade, seja em flocos ou em microgrânulos que afundam devagar, acompanhada de beliscos extras de tempos em tempos. Só que acertar na comida vai muito além de jogar qualquer farelo na água e torcer para o melhor.
Qual é o cardápio ideal para o dia a dia?
A base da nutrição do seu cardume precisa ser industrializada porque essas rações já vêm com o balanço exato de vitaminas e minerais que o animal precisa para viver bem e manter aquele brilho azulado característico nas escamas.
Porém, peixe nenhum gosta de comer a mesma coisa todos os dias, e variar o cardápio faz toda a diferença para a saúde deles. De duas a três vezes por semana, vale a pena entrar em cena com alimentos vivos ou congelados, como artêmias e dáfnias, além de rações que contenham spirulina. Essa mistura funciona como um prato especial de fim de semana, dando pique para o cardume e garantindo que o trânsito intestinal funcione redondinho.
Uma coisa que pega muito iniciante desprevenido é a velocidade da espécie. O Tetra Congo nada ativamente na meia-água e na superfície. Se você comprar uma ração que afunda em disparada direto para o cascalho, ela vai sumir entre as pedras antes que o peixe consiga abocanhar. Eles não costumam fuçar o fundo do aquário como fazem as coridoras ou os cascudos. Por isso, a escolha do tamanho e da forma do alimento importa bastante.
Quantas vezes por dia devo alimentar o cardume?
A regra de ouro do aquarismo é simples. Sirva apenas a quantidade que o cardume consiga devorar por completo em um ou dois minutos, repetindo essa rotina uma ou duas vezes ao dia.
Existe um mito perigoso de que o peixe está sempre faminto só porque ele nada freneticamente em direção ao vidro toda vez que alguém passa perto. Não caia nessa armadilha. Aquilo é apenas um reflexo condicionado de que a sua presença significa comida, e não sinal de que o animal está passando fome de fato.
Se você exagerar na mão, o excesso de ração que sobra no fundo começa a se decompor em questão de minutos. Essa sobra estraga a água silenciosamente, consumindo o oxigênio e gerando picos de amônia e nitrito que podem dizimar o aquário da noite para o dia. Pense nisso como deixar restos de almoço estragando no meio da sua sala. O estrago na qualidade do ar é o equivalente ao estrago na qualidade da água do peixe.
Caso caia comida demais sem querer, o melhor caminho é pegar uma redinha ou um sifão e remover os grânulos que sobraram antes que o problema comece a afetar o ambiente.
O descanso digestivo e os cuidados com o pote de ração
Assim como a gente às vezes exagera no churrasco do fim de semana e precisa de uma refeição mais leve na segunda-feira, estabelecer um dia de jejum semanal para os peixes faz bem. Um dia sem comida por semana ajuda no esvaziamento do trato digestivo e ainda dá uma aliviada na carga orgânica que o filtro do aquário precisa processar.
Outro detalhe prático que costuma passar batido é a validade do pote de ração. Aquela embalagem grande que você comprou há um ano perdeu quase todos os nutrientes e vitaminas que importavam. O ideal é manter a ração bem fechada em local seco e fresco, consumindo o conteúdo em até três meses após aberta. E nunca molhe a ração antes de colocar na água, pois isso só estraga a textura e a qualidade do alimento.
Se algum dia você notar que o seu Tetra Congo perdeu o apetite, está nadando de um jeito estranho ou se isolou do resto do cardume, preste muita atenção. A inapetência costuma ser o primeiro sinal de que a qualidade da água não vai bem ou de que o peixe está estressado. Suspenda a alimentação por um instante, teste os parâmetros da água e, se os sintomas persistirem, consulte um veterinário especializado em animais aquáticos para entender o que está acontecendo.








