O que Tilápia come?

Você olha para o aquário ou para o tanque no quintal, vê aquele peixe de movimentos firmes abrindo e fechando a boca o tempo todo, e se pergunta o que exatamente vai mantê-lo saudável sem transformar a água em um pântano fedido.
A tilápia é um peixe onívoro e muito versátil. Na natureza, ela come praticamente tudo o que encontra, de microalgas e plantas aquáticas a pequenos invertebrados e detritos orgânicos. Em cativeiro, ela aceita com muita facilidade as rações comerciais.
Mas calma, porque dizer que ela come de tudo não significa que qualquer farelo sirva ou que você possa despejar comida sem critério. Existe uma engenharia por trás daquela boquinha que merece atenção.
Como a tilápia come na natureza
Se você pudesse colocar um traje de mergulho e observar uma tilápia livre em seu habitat original, veria um verdadeiro aspirador biológico em ação. Elas pertencem a um grupo na base da cadeia alimentar que transforma matéria vegetal e organismos microscópicos em energia pura.
Para capturar o fitoplâncton, que são aquelas microalgas suspensas na água, a tilápia usa um truque engenhoso. Ela secreta um muco especial na cavidade bucal que funciona como uma rede invisível. A água entra, passa pelas brânquias, e os organismos microscópicos ficam presos nessa gosma natural que o peixe engole em seguida.
Além disso, ela raspa o perifíton, aquela camadinha esverdeada que gruda nas pedras e troncos submersos, formada por algas e bactérias. É uma dieta rica em variedade, o que explica por que a espécie se adaptou tão bem em diferentes partes do mundo. Afinal, um animal que não faz exigências dramáticas sobre o cardápio diário costuma prosperar onde quer que seja colocado.
A ração comercial e o cardápio ideal
Quando tiramos o peixe do ambiente natural e o colocamos em um aquário ou tanque artificial, a responsabilidade pelo cardápio passa a ser nossa. E a boa notícia é que as rações comerciais atendem perfeitamente a essa demanda, desde que você escolha o formato correto.
Para peixes adultos e juvenis em aquários, a ração extrusada flutuante é a melhor escolha. Ela boia na superfície, o que permite a você observar o apetite dos animais e retirar facilmente qualquer sobra que fique boiando depois de alguns minutos.
Outro ponto que muda ao longo da vida do animal é a necessidade de proteína. Os alevinos, que são os filhotes, precisam de partículas bem finas e de um teor proteico mais alto, consumidas várias vezes ao dia por causa do crescimento acelerado. Conforme crescem para a fase juvenil e adulta, a exigência proteica cai gradualmente, e a frequência das refeições diminui para uma ou duas vezes diárias.
O perigo silencioso do excesso de comida
Existe um erro clássico de quem está começando a criar peixes: achar que quanto mais comida, mais rápido e forte o bicho vai ficar. Na prática, acontece o oposto.
Tudo o que a tilápia não come afunda e se decompõe rapidamente no fundo do recinto. Essa matéria orgânica em decomposição gera amônia não-ionizada, um composto altamente tóxico para os peixes. Níveis elevados de amônia travam o crescimento, destroem a imunidade e podem causar mortalidade em massa no tanque.
Se você notar que sobrou ração boiando ou acumulada no fundo minutos após a alimentação, é sinal claro de que exagerou na dose. O correto é oferecer apenas o que eles conseguem consumir em poucos minutos, mantendo a água limpa e os moradores do aquário nadando com disposição.
A influência do clima no apetite
Outro detalhe que pega muita gente de surpresa é a relação entre a temperatura da água e a fome do peixe. A tilápia gosta de calor e tem seu metabolismo otimizado em faixas que passam dos vinte e sete graus.
Quando chega o inverno ou ocorre uma queda brusca na temperatura da água, o metabolismo do animal desacelera de forma drástica. É exatamente igual ao que acontece com alguns animais terrestres que entram em letargia. Nessas épocas frias, o apetite da tilápia despenca. Se você insistir em oferecer a mesma quantidade de comida de sempre, a ração vai sobrar, poluir a água e adoecer o peixe, que não terá capacidade digestiva para processar aquilo. No frio, reduza a oferta de alimento sem medo.
Por fim, cuide bem do armazenamento da ração. Aquele pacote precisa ficar fechado em local seco e fresco, longe da umidade e de insetos, exatamente como você faria com os biscoitos da dispensa de casa. Um alimento mofado ou mal armazenado estraga a nutrição e abre as portas para parasitas e infecções. Se notar que os peixes perderam totalmente o interesse pela comida ou apresentam comportamentos estranhos, vale a pena reavaliar o manejo e buscar a orientação de um veterinário especializado em animais aquáticos.







