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O que o jabuti come?

Resposta rápida

O jabuti come principalmente vegetais folhosos escuros e ricos em fibras, como almeirão, escarola e catalônia. O cardápio também deve incluir pequenas frações de legumes, frutas oferecidas de duas a três vezes por semana, além de uma porção mínima de proteína.

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O que o jabuti come?

CuidadosPor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de tartaruga

Você chega na quitanda, olha para aquele monte de folhas verdes e se pergunta se o seu jabuti vai preferir a escarola ou o almeirão. Ou pior, você pega uma folha de alface americana esquecida no fundo da geladeira e pensa se aquilo já basta para o almoço dele.

A base da dieta deve ser composta por vegetais folhosos escuros ricos em fibras, complementados por uma pitada de legumes e frutas, além de uma porção mínima de proteína.

Esqueça aquela velha imagem de desenho animado em que o bicho vive feliz da vida comendo apenas restos de comida humana ou fatias grossas de tomate. Na natureza, os jabutis caminham pacientemente por áreas de pastagem e matas, funcionando como verdadeiros aspiradores ecológicos de tudo o que encontram pelo chão. Eles mastigam folhas fibrosas, flores silvestres, frutos que caíram das árvores, sementes e até pequenos invertebrados. Só que replicar essa bagunça na sala de casa costuma dar terrivelmente errado se a gente não prestar atenção em como o organismo deles funciona por dentro.

A digestão lenta e a armadilha do alface

O sistema digestório de um jabuti opera em uma rotação bem distante da nossa. O bicho conta com um intestino longo e um ceco caprichado que retém o bolo alimentar por quase três semanas para conseguir extrair nutrientes de fibras duras.

Quando você oferece alimentos pobres em nutrientes, como a famosa alface comum, acontece um problema curioso. O jabuti até come com gosto porque o alimento é crocante e cheio de água, mas aquilo funciona como uma refeição vazia. O resultado costuma ser uma diarreia brava e um animal desidratado que continua com fome de nutrientes reais. A alface é basicamente o equivalente a manter alguém vivo à base de refrigerante light.

O que vai no prato de verdade

Para acertar na rotina, pense na proporção dos ingredientes como uma regra de ouro para garantir longevidade ao animal. A maior parte do prato precisa ser de folhas escuras e fibrosas. Almeirão, escarola, catalônia, dente-de-leão, rúcula, agrião e folhas de mostarda entram nessa lista com louvor. As flores de hibisco também fazem um sucesso danado e são excelentes fontes de fibra.

Uma pequena fração do cardápio pode ser ocupada por legumes e frutas, oferecidos de duas a três vezes por semana. Mamão com sementes moderadas, maçã sem caroço, melão, morango, goiaba e abóbora cozida sem tempero funcionam muito bem como petiscos eventuais.

A parte proteica, que não deve passar de uma fatia muito pequena da dieta, pode vir na forma de rações extrusadas específicas para quelônios terrestres de marcas confiáveis, oferecidas de vez em quando. Alguns tutores optam por um pedacinho de ovo cozido com casca triturada de forma esporádica.

O que nunca deve entrar no cardápio

Existem alguns itens que parecem inofensivos, mas provocam estragos severos na saúde do animal.

Dar ração de cão ou gato para o jabuti é um erro grave. A concentração exagerada de proteína e sódio presente nesses produtos detona os rins do réptil, desencadeando um quadro doloroso conhecido como gota visceral, em que cristais de ácido úrico se acumulam silenciosamente nos órgãos internos.

O abacate guarda substâncias altamente tóxicas para eles. Frutas cítricas como a laranja e o limão irritam profundamente a mucosa estomacal. Pães, massas, queijos, doces e qualquer prato humano carregado de temperos como alho ou cebola também ficam terminantemente proibidos.

O jabuti é um bicho de terra firme, com patas cilíndricas pesadas que não sabem nadar. Colocar o animal em um tanque com uma lâmina funda de água é pedir para que ele afunde e sofra um afogamento rápido. Deixe à disposição apenas um recipiente raso, com menos de dois dedos de água, para ele beber e se banhar quando quiser.

O sol, o cálcio e o casco

Não adianta entupir o comedouro com as verduras certas se o organismo do bicho simplesmente não consegue absorver os minerais. O cálcio atua como o cimento da carapaça, mas ele só se fixa nos ossos se houver radiação solar direta ou uma lâmpada UVB própria para répteis instalada no terrário. Sem esse banho de luz que simula o sol de verdade, o cálcio vai embora pelas fezes e a estrutura começa a amolecer.

Outro detalhe que exige cuidado é a deformidade chamada de piramidismo, que faz as placas do casco crescerem para cima em formato de pontas, lembrando pequenas montanhas. Esse problema nasce de uma combinação infeliz que une excesso de proteína na comida, ar seco demais e pouca luz adequada. Como o piramidismo não tem cura e o casco nunca mais volta a ser liso, cuidar da rotina desde a fase de filhote é a única saída inteligente.

Se você perceber que a carapaça está cedendo ao toque, se o jabuti estiver morgado, com os olhos fechados, com corrimento no nariz ou rejeitando a comida por vários dias, procure um veterinário especializado em animais silvestres sem demora. Ajustar a dieta com critério e garantir o aquecimento e a iluminação corretos mantém o seu companheiro firme, forte e batendo casco pela casa por muitas e muitas décadas.

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