O que Mato-grosso come?

Você está ali parado em frente ao aquário, com o potinho de ração na mão, e percebe que o cardume de Mato-grosso já começou a se agitar no vidro só com a sua sombra. Parece aquela hora em que a visita chega perto da cozinha esperando o almoço sair.
Afinal, o que o Mato-grosso come?
O peixe Mato-grosso é um onívoro com forte tendência à micropredação, o que significa que ele come de tudo um pouco, mas tem preferência por presas miúdas. No aquário, ele se dá muito bem com rações comerciais secas em flocos finos ou micro-pellets, e adora quando você incrementa o cardápio com petiscos vivos ou congelados.
Mas antes de sair despejando comida na água, vale a pena entender como funciona o apetite desse pequeno habitante de meia-água. O nome científico dele é Hyphessobrycon eques, mas todo mundo no aquarismo o conhece pelo visual avermelhado marcante e pela energia invejável. Na natureza, ele passa o dia inteiro patrulhando a coluna d'água atrás de zooplâncton, larvas de insetos e pequenos crustáceos.
Como a boca dele é pequena e voltada para a frente, ele não vai fuçar o cascalho do fundo como um peixe limpa-fundo faz. Ele precisa que o alimento venha até a sua zona de conforto. A rotina alimentar desse peixe pede atenção aos detalhes, pois a forma como ele interage com o alimento reflete diretamente no seu bem-estar geral.
Como acertar na porção diária
O maior erro de quem começa a criar o Tetra Mato Grosso é cair no conto do peixe faminto. Toda vez que você passa perto do aquário, eles sobem nadando rápido, fazendo aquela festa típica de quem não come há semanas. Não caia nessa. Eles não estão morrendo de fome, apenas seguem o instinto de aproveitar qualquer movimento que possa significar alimento.
Para alimentar do jeito certo, ofereça ração de uma a duas vezes por dia. Mas siga rigorosamente a regra dos dois minutos. Coloque uma pequena pitada e observe o cardume devorar tudo. Se a comida ainda estiver sobrando no aquário depois de cento e vinte segundos, você exagerou na dose. Se isso acontece com frequência, vale a pena reduzir a quantidade da próxima refeição pela metade.
O perigo invisível do excesso de comida
Jogar comida para garantir ou para demonstrar carinho pelo pet é o caminho mais curto para estragar a qualidade da água. Toda aquela ração que sobra afunda, cai no substrato e começa a se decompor rapidamente.
Esse processo de apodrecimento gera amônia livre, que é altamente tóxica para qualquer peixe, além de consumir o oxigênio dissolvido de que eles tanto precisam. Pense nisso como deixar restos de almoço esquecidos em cima da mesa num dia de calor insuportável. A água turva e a saúde do seu cardume desaba em poucas horas.
Se por acaso você errar a mão e cair ração demais, não espere o estrago acontecer. Use um sifão para remover o excesso do fundo imediatamente. A manutenção preventiva evita sustos e garante que o ambiente permaneça estável para todos os moradores do tanque.
Variando o cardápio com inteligência
A ração seca em flocos ou micro-grânulos de boa qualidade resolve a rotina da semana, mas vale a pena caprichar na suplementação de duas a três vezes por semana. Alimentos congelados, como artêmias e dáfnias, funcionam como um banquete para eles e estimulam aquele comportamento natural de caça.
Outro ponto que exige atenção é a cor vibrante desse peixe. Se o Mato-grosso começar a ficar com o tom avermelhado desbotado ou esbranquiçado, pode ser sinal de carência nutricional ou de que os parâmetros da água estão fora do ideal, que deve ficar levemente ácida e com temperatura tropical. Rações com spirulina e carotenoides ajudam bastante a manter aquele vermelho vivo.
E fique de olho na validade da ração. Aquele potão aberto há mais de três meses no armário já perdeu o valor nutritivo e as vitaminas essenciais, mesmo que pareça inteirinho por fora. Vale a pena comprar embalagens menores para garantir que o alimento esteja sempre fresco.
O tamanho do grupo muda tudo na hora de comer
Não dá para falar da alimentação do Mato-grosso sem falar de companhia. Esse é um peixe estritamente gregário, o que significa que ele precisa viver em turma. Um aquário com pelo menos seis a dez indivíduos é o requisito mínimo para que eles se sintam seguros.
Quando ficam isolados ou em número reduzido, o estresse bate forte. O resultado disso na hora da refeição costuma ser a agressividade, com perseguições e nadadeiras roídas dos companheiros mais lentos. Em um cardume estruturado, a disputa pela comida é rápida, coordenada e pacífica, sem virar uma zona de guerra.
Comprar ração adequada para o tamanho da boca deles, respeitar o limite de dois minutos de consumo, manter a turma unida e guardar o pote em lugar fresco garante que o seu Mato-grosso cresça ativo, colorido e longe de problemas de saúde.






