O que Mandi come?

Você joga uma pitada de ração na superfície do aquário e percebe que os peixes mais rápidos fazem a festa, enquanto o seu mandi continua lá embaixo, parecendo meio perdido no próprio mundo. Aí bate aquela dúvida comum. Afinal, o que o mandi come?
O mandi, peixe pertencente ao gênero Pimelodus e à família Pimelodidae, precisa de rações comerciais específicas para peixes de fundo, que afundam rapidamente em formato de comprimidos ou pellets, complementadas por itens de origem animal e vegetal oferecidos em porções controladas.
Por ser um habitante do fundo e não ter escamas, a rotina alimentar dele pede um cuidado bem diferente de peixes que ficam nadando perto da superfície. Se você jogar apenas aquela ração em flocos tradicional que boia, ela vai se dissolver na água ou ser devorada pelos outros habitantes antes de chegar perto do seu mandi. Ele vai ficar procurando no cascalho de boca vazia.
Por que a comida precisa chegar ao fundo
O mandi tem hábitos de viver fuçando a camada inferior do aquário. Para isso, ele usa os barbilhões, aqueles famosos bigodes que funcionam como radares táteis. No escuro ou na água turva, são eles que ajudam o animal a rastrear o alimento.
Como esses peixes não possuem escamas e têm uma pele nua revestida por muco, eles são bastante sensíveis a alterações químicas na água. É aqui que mora o perigo de errar na quantidade. A comida que sobra acaba virando um problema invisível para quem olha o aquário de relance.
Muita gente pensa que, se o peixe está nadando de um lado para o outro quando a gente se aproxima do vidro, ele está morrendo de fome. Acontece que os peixes respondem por puro reflexo instintivo à nossa presença. Se você exagerar na porção de ração só porque ele pareceu animado, o excedente vai cair no cascalho e começar a apodrecer.
A decomposição rápida dessa sobra orgânica consome o oxigênio da água e dispara os níveis de amônia. Para um peixe de pele nua que passa o dia inteiro encostado no substrato, esse acúmulo de sujeira é um convite aberto para irritações na pele, feridas nos barbilhões e infestações por parasitas. É a mesma lógica de deixar lixo acumulado no canto do quarto achando que o cheiro vai sumir sozinho.
O mito do peixe faxineiro
Existe uma lenda urbana muito antiga no aquarismo que diz que peixes de fundo servem para limpar o aquário e comem as fezes dos outros animais. Vale a pena tirar essa ideia da cabeça agora mesmo.
Nenhum peixe se alimenta de excrementos. O mandi precisa de comida limpa, fresca e de boa qualidade nutricional, exatamente como qualquer outro animal de estimação. Tratá-lo como lixeira do aquário é o caminho mais rápido para adoecer o bicho por desnutrição e água tóxica. O trabalho de limpeza do aquário é sempre nosso, nunca do animal.
Como acertar na rotina de alimentação
Para manter o seu mandi forte e a água do aquário em ordem, algumas práticas simples resolvem o problema no dia a dia.
A primeira regra é controlar o tempo de consumo. Sirva apenas a quantidade que os peixes conseguem comer totalmente em um intervalo curto de dois a três minutos, uma ou duas vezes ao dia. Tudo o que sobrar depois disso precisa ser removido com uma sifonagem para não estragar a água.
Vale a pena apostar em uma complementação ocasional. De vez em quando, você pode oferecer pequenos pedaços de vegetais devidamente higienizados ou alimentos congelados de origem segura, como pequenos crustáceos. O segredo é variar sem bagunçar os parâmetros do aquário.
Outra prática interessante é adotar um dia de jejum programado por semana. Dar uma folga de um dia inteiro sem comida ajuda o trato digestivo do peixe a esvaziar e descansar, além de dar uma trégua na carga orgânica da água. Não é castigo, é apenas uma pausa para a faxina interna e para o sistema digestivo funcionar melhor.
Quando a falta de apetite exige atenção
Se o seu mandi começar a recusar a ração, nadar de um jeito estranho, se isolar nos cantos ou se coçar contra o cascalho, preste muita atenção. A perda de apetite costuma ser o primeiro sinal de que a qualidade da água caiu ou de que o animal está estressado.
Caso esses sintomas persistam ou você note lesões na pele e nos barbilhões, o mais seguro é suspender temporariamente a alimentação e buscar a orientação de um veterinário especializado em animais aquáticos para investigar o que está acontecendo.








