Leonberger: características, temperamento e cuidados

Imagine a cena: você abre a porta de casa e dá de cara com um cachorro do tamanho de um leão de pequeno porte, com direito a uma juba dourada no pescoço. O susto dura meio segundo, logo antes de perceber que o gigante só quer encostar a cabeça no seu joelho para ganhar um carinho e esquecer que o mundo existe.
Se você está pensando em dividir a sala com um Leonberger, saiba que ele é um cão de grande porte, criado originalmente para o trabalho em fazendas e tração, mas que hoje brilha mesmo como um companheiro de família surpreendentemente calmo e afetuoso. Fisicamente, a raça impressiona de qualquer ângulo. Os machos exibem um dimorfismo sexual muito marcante, o que significa que eles são bem maiores, mais musculosos e carregam aquela juba imponente no pescoço e no peito. As fêmeas mantêm traços mais suaves, mas ainda assim têm uma presença física considerável que ocupa qualquer corredor.
Para entender a estrutura desse gigante, pense numa proporção bastante específica entre a altura na cernelha e o comprimento do corpo, mantendo a proporção de 9 para 10. O peito dele é profundo, ocupando cerca de metade da altura total do animal. E por falar na cabeça desse cão, ela é retangular e vem acompanhada de duas marcas registradas inegociáveis: uma máscara preta que cobre o focinho até a região dos olhos, parecendo um elmo teatral, e lábios bem ajustados e secos que evitam poças pela casa.
Aqui vale quebrar um mito comum sobre cães desse porte. Muita gente assume que, por pesar em torno de setenta quilos e ter essa cara de leão, ele vai babar pela casa inteira igual a outros molossos famosos da história canina. Não é bem assim. O padrão da raça exige lábios firmes, o que significa que um Leonberger de boca úmida ou que baba excessivamente perde pontos feios em julgamentos de conformação. Na prática doméstica, isso poupa bastante o seu piso de cerâmica e as barras das suas calças.
A pelagem dupla é outro ponto forte que exige certa atenção na rotina. O subpêlo é denso e macio, coberto por fios longos e resistentes à água que protegem o bicho de qualquer chuvisco. E por mais que a tentação de tosar o animal no calor seja grande, esqueça tesouras artísticas ou máquinas raspando a pele. O padrão exige apresentação cem por cento natural, permitindo apenas um arremate higiênico nos pelos entre os dedos para evitar escorregões. A rotina de escovação serve justamente para controlar os pelos mortos que insistem em aparecer, especialmente nas trocas de estação, mantendo o visual imponente sem grandes complicações no dia a dia.
Por trás dessa carinha de urso peludo, o temperamento é um dos maiores trunfos da raça. Ele costuma ser extremamente estável, amigável, brincalhão e vigilante sem ser agressivo por qualquer motivo fútil. É o tipo de cão que aguenta a bagunça das crianças com paciência invejável, desde que, claro, a socialização seja feita da forma correta desde filhote, apresentando o mundo sem pressa. Afinal, um cão de setenta quilos precisa saber exatamente onde pisa para não derrubar a mobília inteira numa simples corrida até o portão.
O que exige atenção redobrada na saúde da raça
Todo esse tamanho e imponência exigem responsabilidade redobrada de quem cria e de quem adota. A saúde do Leonberger pede triagem genética rigorosa antes de qualquer plano de reprodução ou compra de filhote. Os criadores sérios realizam exames de DNA específicos para descartar neuropatias hereditárias graves que infelizmente rondam a linhagem. Entre elas estão a Polineuropatia do Leonberger, conhecida pelas siglas LPN1, LPN2 e LPPN3, e a Leucoencefalomielopatia, chamada popularmente de LEMP.
Essas doenças degenerativas afetam o sistema nervoso e os nervos periféricos, causando fraqueza progressiva nas patas traseiras, alteração no tom do latido e até dificuldades respiratórias em estágios mais avançados. Além do DNA, entram na lista obrigatória as avaliações ortopédicas minuciosas para detectar displasia coxofemoral e de cotovelo, exames oftalmológicos detalhados e checagem regular da função tireoidiana. Ignorar esses laudos é apostar na loteria com a qualidade de vida do animal e ignorar a seriedade de um plantel saudável.
Outro ponto crítico para cães gigantes de peito profundo é a Dilatação-Vólvulo Gástrica, famosa no dia a dia pelo nome de torção gástrica. Por causa da anatomia específica do tórax, o estômago do Leonberger tem certa mobilidade interna e pode se distender perigosamente com gás, girando sobre o próprio eixo em casos mais graves. É uma emergência médica absoluta que exige cirurgia imediata para salvar a vida do bicho.
A boa notícia é que algumas mudanças simples na rotina ajudam a blindar o seu amigo contra esse susto indesejado. Em vez de dar uma única refeição volumosa por dia, fracione a comida em pelo menos duas ou três porções menores ao longo do dia. Esqueça também aquela ideia antiga de usar comedouros elevados para evitar que ele abaixe a cabeça, pois evidências clínicas apontam que potes altos podem aumentar o risco do problema em vez de prevenir. Além disso, proíba qualquer corrida ou brincadeira intensa logo depois que ele comer. Deixe o cão descansar tranquilamente na sombra enquanto faz a digestão em paz, evitando agitações desnecessárias que possam comprometer o estômago.
Ter um Leonberger por perto é como ter um protetor gentil fazendo parte definitiva da mobília da sala. Com espaço adequado para esticar as pernas, caminhadas regulares, cuidado rigoroso na hora das refeições e exames veterinários em dia, você ganha um companheiro leal que transforma qualquer sofá comum em um trono digno de realeza canina.






