Mastim napolitano: características, temperamento e cuidados

Se você já se pegou encarando o tamanho impressionante de um Mastim Napolitano na calçada, imaginando como é dividir a sala de casa com uma criatura que parece ter saído de um filme épico, estamos falando de um cão de guarda de porte gigante que exige um tutor extremamente dedicado, disposto a investir em adestramento firme, atenção redobrada às leis locais de circulação e um orçamento veterinário nada modesto.
Deixar esse gigante circular livremente por aí não é uma opção. Pelo menos não se você mora em estados como São Paulo ou Pernambuco, onde legislações específicas determinam que cães de guarda e de grande porte precisam transitar em vias públicas estritamente usando guia curta de no máximo um metro e meio, enforcador de aço e focinheira adequada. A primeira reação de muita gente diante dessas exigências é pensar que o equipamento transforma o animal em um monstro perigoso. Pelo contrário. Pense na focinheira e na guia curta como o cinto de segurança do carro. Elas existem para garantir a integridade de quem está passeando e também a tranquilidade de quem cruza o caminho do cão.
Ensinar o cachorro a usar a focinheira não precisa ser um evento traumático digno de cena de tribunal. Em vez de prender o animal à força na hora de sair, o segredo é o reforço positivo dentro de casa. Você pode começar apresentando o acessório em um ambiente neutro, oferecendo um petisco saboroso cada vez que o cão se aproximar voluntariamente. Depois, coloque um pouco de ração ou pasta no fundo do equipamento para que ele mesmo insira o focinho em busca da comida. Só afivele por poucos segundos no início, recompensando sempre. Com essa dessensibilização gradual, o acessório deixa de ser um castigo e passa a significar apenas que o passeio está prestes a começar.
E na hora de morar em condomínio, como fica?
Outra dúvida comum de quem se apaixona pela raça é saber se o Mastim Napolitano pode viver em apartamento. A resposta envolve tanto a arquitetura do seu imóvel quanto a jurisprudência brasileira. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que convenções de condomínio não podem proibir a permanência de animais de estimação de forma genérica e arbitrária. Em outras palavras, o síndico não pode barrar o seu cão simplesmente porque ele é grande.
A restrição só passa a ser juridicamente válida se o animal demonstrar, de forma concreta, algum risco real à segurança, à salubridade ou ao sossego dos vizinhos. Regras internas podem perfeitamente exigir o uso de guia curta nos corredores e o trânsito pelo elevador de serviço, o que é perfeitamente razoável. Exigências descabidas, como obrigar o tutor a carregar um cão de porte gigante no colo, violam o direito de ir e vir. A chave de tudo é a boa convivência e o bom senso, mantendo o ambiente limpo e o animal sempre sob controle.
Saúde, vacinação e a armadilha das sobras de comida
Manter a saúde de um cão desse porte exige uma rotina médica bastante rigorosa. O calendário de vacinação deve seguir as diretrizes mais recentes de imunização, separando o que é fundamental do que depende do risco de doenças na sua região, sempre sob a orientação de um veterinário. No quesito alimentação, é preciso fazer um alerta muito firme sobre o perigo de ceder àquele olhar pidão na hora do almoço. A digestão do cachorro não funciona como a nossa, e a ideia de que cães gigantes possuem estômago de ferro é um mito perigoso. Dividir o prato com o animal é quase uma garantia de problemas sérios.
Ingredientes que parecem inofensivos na nossa mesa podem se transformar em venenos silenciosos para o organismo canino. A cebola e o alho, por exemplo, escondem compostos químicos que destroem os glóbulos vermelhos, causando um quadro de anemia pesada. O chocolate traz teobromina, substância processada de forma muito lenta pelo fígado do bicho, acumulando toxinas perigosas para o sistema nervoso. O xilitol, adoçante muito comum em produtos diet, provoca queda repentina na taxa de açúcar e falência do fígado. Até mesmo a macadâmia, que muita gente come como petisco, gera fraqueza nas patas e tremores musculares. Para nutrir um Mastim Napolitano sem riscos, a base deve ser ração super premium ou uma dieta natural montada exclusivamente por um veterinário nutrólogo.
A responsabilidade penal e o cuidado diário
As leis brasileiras mudaram bastante e punem com muito rigor qualquer ato de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação contra cães, com penas de reclusão que chegam a cinco anos, somadas a multas e perda definitiva da guarda. Isso quer dizer que abandonar um cachorro à própria sorte ou negligenciar necessidades básicas de saúde e manejo deixou de ser apenas um erro de conduta e virou crime grave, sujeito a prisão imediata.
Ter um Mastim Napolitano em casa é um compromisso pesado que junta a lealdade de um guardião único e muita conta para pagar em termos de tempo e dinheiro. Se você tem espaço livre, paciência para o adestramento e disposição para seguir todas as regras legais, a convivência com esse colosso de rugas traz uma parceria incomparável. Antes de bater o martelo sobre a adoção, converse com um veterinário para entender se o seu estilo de vida realmente aguenta o tranco.





