Kinguio pode viver com quais peixes?

Você está na loja de aquarismo, olha para aquele aquário cheio de peixinhos dourados miúdos e pensa em como um deles ficaria gracioso naquele aquário de mesa que sobrou na sua sala. Antes de fechar a compra e levar um pacotinho com o seu novo pet e mais meia dúzia de espécies coloridas, vale fazer a pergunta principal.
O kinguio deve viver prioritariamente com outros kinguios de taxa de nado similar ou com peixes de água fria e temperada em aquários de grande volume, devendo ser totalmente evitada a convivência com peixes tropicais de água quente, espécies agressivas que mordeiam nadadeiras e peixes pequenos que possam ser engolidos.
Acontece que a ideia de que todo peixe vive bem em qualquer aquário comunitário é uma das maiores armadilhas do aquarismo. Pense no kinguio como um morador de montanha que prefere um clima ameno e espaço de sobra, enquanto grande parte dos peixes populares das lojas veio de regiões tropicais e exige água aquecida.
Água fria versus água quente
Colocar um kinguio em um aquário aquecido para peixes tropicais é como vestir um casaco de inverno e trancar alguém dentro de uma sauna úmida. Como o kinguio é uma espécie de água fria e temperada, a temperatura ideal para ele fica entre dezoito e vinte e quatro graus. Quando você joga essa faixa térmica para cima de forma contínua, o metabolismo do peixe acelera sem pedir licença, a quantidade de oxigênio dissolvida na água diminui e o estresse do animal dispara.
O inverso também é problemático. Se você trouxer um peixe tropical, como um neon ou um Betta, para viver na água mais fresca do kinguio, o sistema imunológico desses visitantes vai fraquejar rapidinho.
Além da temperatura, o kinguio tem uma exigência físico-química muito própria. Eles preferem água levemente alcalina. Juntar o kinguio com espécies que pedem água ácida impede o equilíbrio do organismo deles, prejudicando a saúde de ambos os lados do tanque.
O problema do espaço e dos resíduos
Existe outra questão prática que costuma pegar os tutores de surpresa. O kinguio não é aquele peixe minúsculo para sempre. Ele cresce bastante e, para piorar a situação dos vizinhos, produz uma carga orgânica pesada. Eles comem com voracidade e eliminam muitos resíduos na água.
Por causa disso, manter um kinguio exige um volume inicial generoso. Tentar espremer um kinguio e outros peixes em um aquário compacto de dez ou vinte litros é o equivalente a colocar uma pessoa para morar permanentemente dentro de um elevador. O problema não é apenas o peixe caber fisicamente ali, mas a falta de oxigênio e o acúmulo veloz de amônia que sufocam o animal e causam o chamado raquitismo por confinamento.
Antes de colocar qualquer peixe nesse ambiente, o aquário precisa passar pela ciclagem prévia, que leva algumas semanas. Esse tempo é o que o filtro biológico precisa para criar colônias de bactérias capazes de transformar os resíduos tóxicos em substâncias seguras.
Quem pode, afinal, dividir o aquário com o kinguio?
A companhia ideal para um kinguio é sempre outro kinguio. Mas até mesmo entre eles, vale prestar atenção em um detalhe que costuma passar despercebido. Você tem desde os tipos de corpo mais esguio e nado veloz, como o cometa, até aquelas versões arredondadas e de nado compassado, a exemplo do ranchu, do oranda e do telescópio.
Juntar um nadador apressado com um colega mais lento na hora do rango costuma virar uma covardia só. O veloz vai limpar o prato antes que o companheiro mais vagaroso consiga sequer entender o cardápio. Sendo assim, o segredo é juntar turmas que nadem no mesmo ritmo.
Para quem faz questão de movimentar o visual do fundo do tanque, as ampulárias, aqueles caramujos grandões de água doce, costumam conviver bem com os kinguios quando a água está alcalina. A única cautela é observar nos primeiros dias se os peixes não decidiram implicar com os tentáculos sensíveis dos bichinhos.
O que evitar a todo custo
Passe longe de juntar seu kinguio com peixes miúdos, já que o destino desses menores tem tudo para ser a boca do kinguio assim que ele ganhar tamanho. Espécies que adoram beliscar caudas alheias também estão sumariamente vetadas, pois as nadadeiras longas de certas variedades de kinguio viram alvo fácil. Além disso, evite jogar sal grosso na água doce achando que vai resolver qualquer problema de saúde, pois essa prática mexe com a regulação natural do corpo do animal e acaba sobrecarregando o organismo dele.
Se você perceber que o kinguio está nadando de lado, prostrado no fundo por longas horas, respirando com esforço lá na superfície ou exibindo manchas estranhas e nadadeiras roídas, o seu aquário pode estar lidando com excesso de resíduos, oscilação de temperatura ou alguma infecção. Diante de qualquer sinal de sofrimento ou dúvida sobre o que fazer, consulte um veterinário especializado para checar a qualidade da água e indicar o caminho certo.
Com um espaço generoso, temperatura nos eixos e vizinhos que respeitam o ritmo de vida deles, você pula as surpresas desagradáveis e garante uma rotina bem mais sossegada para o seu kinguio.





