Como reproduzir Kinguio ryukin no aquário

Você está sentado na sala, encarando o aquário e pensando que seria fascinante ver aqueles corpos redondos e nadadeiras esvoaçantes gerando novos filhotes. O Kinguio Ryukin, com sua corcova dorsal marcante e o jeitão de quem come o dia inteiro, parece uma ótima escolha para tentar uma reprodução. Mas por onde começar?
A reprodução do peixe dourado da variedade Ryukin exige um aquário dedicado com pelo menos 120 litros de água fria ou temperada, parâmetros estáveis, filtragem biológica impecável e, sobretudo, a ausência de predadores de ovos como os caramujos ornamentais.
Parece simples na teoria, mas quem já tentou reproduzir peixes no aquário sabe que a prática envolve detalhes que evitam frustrações bem grandes logo na largada.
O espaço não é negociável
A primeira armadilha em que muita gente cai é achar que um tanque pequeno resolve. O Ryukin (Carassius auratus) é um peixe de grande porte e metabolismo acelerado. Ele come muito e, consequentemente, produz muita sujeira no dia a dia.
Pense nele como aquele inquilino de grande porte em um apartamento compacto: como ele produz muita sujeira, o aquário precisa de um sistema de exaustão e limpeza proporcionalmente muito maior do que o de peixes pequenos, caso contrário a qualidade da água despenca em questão de horas.
Para montar um sistema de reprodução funcional, você vai precisar de um aquário com capacidade mínima de 120 litros para o trio reprodutivo base. Se decidir colocar mais peixes, adicione 40 litros para cada novo integrante.
Além disso, a química da água precisa imitar as condições que eles apreciam. O pH deve ficar levemente alcalino, variando entre 7.2 e 7.8. A dureza da água precisa ser moderada a alta, com GH entre 10 e 18 dGH e KH mínimo de 6 dKH. A temperatura deve se manter estável na faixa de 18 °C a 24 °C. Temperaturas tropicais muito altas aceleram o metabolismo de forma inadequada e abrem brecha para parasitas.
A importância invisível da filtragem
Com peixes que produzem tanta sujeira, o filtro não pode ser só um enfeite barulhento na borda do vidro. Equipamentos de alta capacidade, como os filtros externos do tipo canister, funcionam muito bem para manter a água limpa de verdade.
Só que aqui entra um erro clássico que muita gente comete na empolgação. Na ânsia de deixar tudo brilhando, o tutor acaba lavando as mídias biológicas do filtro embaixo da torneira com água corrente. O cloro da água da rua mata na hora as bactérias do bem que mantêm o aquário seguro.
O resultado disso é um pico repentino de amônia que pode intoxicar os peixes de forma severa. Quando for fazer a manutenção quinzenal do filtro, lave as mídias usando apenas a água que você retirou do próprio aquário durante a troca parcial. Isso protege a biologia do sistema.
Cuidado com os convidados indesejados no aquário de desova
Você preparou o aquário, ajustou os parâmetros e os peixes finalmente fizeram a desova. Os ovos adesivos ficam colados nas plantas ou no substrato, parecendo pequenas esferas gelatinosas. É aqui que mora um perigo silencioso.
Se você mantém caramujos grandes no mesmo recinto, o final dessa história costuma ser trágico para os futuros filhotes. Muita gente acredita que esses animais servem apenas para faxinar o vidro, mas a verdade é que eles devoram ovos de peixes com muita facilidade. Um único exemplar é capaz de dizimar uma ninhada inteira em pouco tempo.
Portanto, remova qualquer invertebrado desse tipo do aquário de reprodução antes que a postura aconteça, garantindo que os ovos fiquem a salvo.
A saúde dos reprodutores exige atenção
Antes de pensar em reproduzir, olhe bem para os seus peixes. O Ryukin pode parecer resistente, mas o estresse do ambiente ou a superlotação facilitam o aparecimento de problemas na pele e nas brânquias causados por parasitas.
Se você notar que os peixes estão se esfregando repetidamente contra o substrato, ficam letárgicos ou apresentam manchas e feridas, pare imediatamente. Introduzir novos peixes sem passar por um período de quarentena de pelo menos 30 dias em um tanque isolado também é um risco desnecessário que pode comprometer todo o plantel. Surtos de doenças, lesões severas ou infestações visíveis exigem a avaliação de um veterinário especializado em animais aquáticos para indicar o manejo correto e a segurança do aquário.
A reprodução bem-sucedida de kinguios exige paciência, observação constante e respeito aos limites biológicos da espécie. Com o aquário dimensionado da forma correta e os parâmetros ajustados, o cenário fica pronto para você acompanhar cada etapa com tranquilidade.






