Gato com terceira pálpebra aparecendo: o que pode ser?

Você está no sofá no fim de um domingo, fazendo carinho no seu gato enquanto ele descansa perto de você. De repente, quando ele vira o rosto na sua direção, você nota algo estranho no canto interno do olho. Parece uma pequena pele esbranquiçada ou rosada cobrindo parte do globo ocular, como se uma cortina teimosa se recusasse a fechar direito.
A primeira reação costuma ser o susto. Afinal, o que é essa terceira pálpebra aparecendo no olho do gato?
Em termos diretos, essa aparição é um sinal inespecífico de que algo vai mal no organismo do felino, seja um problema direto no olho, um quadro de desidratação profunda ou uma doença sistêmica que o deixou fraco e prostrado.
Todos os gatos possuem essa estrutura, anatomicamente conhecida como membrana nictitante. Ela funciona como um para-brisa biológico e um óculos de proteção natural, ajudando a lubrificar e limpar a córnea contra poeira e pequenos arranhões. No dia a dia de um gato saudável, você raramente enxerga essa membrana, porque ela fica recolhida de forma discreta no cantinho interno. Quando ela decide dar as caras e fica visível, o corpo do animal está enviando um aviso de que precisa de socorro ou de uma investigação médica.
Por que essa membrana insiste em aparecer?
A aparição pode acontecer por motivos variados, e é aqui que entra o trabalho de detetive. Muitas vezes, a causa está em uma inflamação local. Conjuntivites causadas por bactérias específicas, como a clamidiose, costumam provocar incômodo persistente e secreção. O complexo respiratório felino, que reúne infecções virais muito comuns entre gatos, também irrita a superfície ocular e força a projeção da pálpebra extra.
Outra possibilidade envolve o sistema nervoso. Existe uma alteração chamada Síndrome de Horner, que afeta a inervação simpática do olho e resulta em um pacote completo de sinais, incluindo o olho um pouco mais fundo na órbita, pupila contraída, pálpebra superior caída e a bendita terceira pálpebra esticada.
O perigo invisível da desidratação e da prostração
Existe um detalhe que muita gente ignora. Sabe quando o gato fica muito doente, com febre, sem comer por um dia inteiro ou sofrendo com diarreia? Ele perde peso rapidamente e desidrata. Quando isso acontece, o globo ocular afunda um pouco para dentro da órbita por falta de gordura retrobulbar ou volume de líquido.
Como o olho recua, a membrana nictitante desliza passivamente e cobre parte da visão. Nesses casos, o problema não é exatamente no olho, mas no corpo inteiro que está cedendo a uma infecção grave, a uma virose ou até a parasitas internos que detonaram o apetite e a hidratação do bichano.
Avisos de esporotricose também merecem atenção redobrada no Brasil. Se o seu gato tem acesso à rua e apresenta feridas ou crostas na face, no focinho ou ao redor dos olhos, a inflamação e a dor provocadas por essa infecção fúngica costumam vir acompanhadas da exposição da terceira pálpebra. Gatos que vivem soltos na rua acumulam riscos consideráveis de esbarrar em brigas, viroses severas e zoonoses.
O que você deve observar agora mesmo
Antes de sair correndo pela casa, vale a pena olhar bem para o seu gato com calma e prestar atenção em alguns detalhes. A primeira coisa a notar é se essa pele extra apareceu em apenas um dos olhos ou nos dois ao mesmo tempo.
Se a terceira pálpebra deu as caras em um olho só, a suspeita costuma apontar para um trauma local, como um arranhão de outro gato na vizinhança, um cisco incômodo ou a Síndrome de Horner. Quando o problema surge nos dois olhos de uma vez, a situação costuma indicar desidratação, prostração, febre ou alguma infecção generalizada.
Vale a pena checar se existem outros sintomas rondando o felino. Ele está espirrando pela casa? Tem secreção saindo do nariz ou dos olhos? Recusou a comida no pote nas últimas horas? Passou o dia inteiro escondido embaixo da cama? O histórico de vacinação também conta muito, principalmente se ele tomou a vacina quádrupla que protege contra a clamidiose.
O que você nunca deve fazer
Aqui vai um aviso que merece toda a sua atenção. Jamais invente de aplicar colírios humanos, chás caseiros ou aquelas pomadas que sobraram de outra receita no olho do seu gato.
Existe um erro clássico e bastante perigoso que consiste em usar colírios com corticosteroides em um olho que possui uma ferida na córnea. Se o gato tiver um arranhão escondido e receber esse tipo de medicamento sem orientação profissional, o risco de o olho perfurar e causar a perda definitiva da visão é real. O que parecia um socorro caseiro rápido pode virar um desastre cirúrgico.
Outro mito comum é achar que terceira pálpebra aparecendo é sempre culpa de verme. Embora uma carga pesada de parasitas cause fraqueza e deixe o animal abatido a ponto de expor a membrana, colocar a culpa apenas nos vermes atrasa o diagnóstico de problemas sérios nos olhos, de lesões neurológicas ou de viroses agressivas.
Quando a situação vira emergência
Alguns cenários simplesmente não dão margem para esperar o dia amanhecer. Se você notar que a córnea do gato perdeu o brilho e está com um aspecto esbranquiçado, azulado ou opaco, se o olho estiver totalmente fechado devido à dor, ou se houver qualquer sinal de sangue, procure atendimento veterinário sem demora.
O mesmo vale caso o sintoma venha acompanhado de prostração intensa, febre alta, recusa total de comida por mais de um dia seguido ou sinais neurológicos como falta de equilíbrio e tremores.
Avisos silenciosos como a terceira pálpebra aparente são o jeito que o seu felino encontrou para avisar que as coisas não vão bem. Marque uma consulta presencial com um veterinário para que um exame completo descubra a causa exata e devolva o bem-estar ao seu companheiro.






