Gato com unha quebrada: o que pode ser?

Você passa pela sala, olha para o tapete e encontra um pedaço pontiagudo de unha de gato. Logo depois, percebe que o seu felino está lambendo a pata com uma insistência meio aflita, talvez mancando de um jeito sutil. A primeira reação costuma ser um misto de surpresa e preocupação. Afinal, o que aconteceu ali?
Na grande maioria das vezes, a unha quebrada é resultado de um acidente simples de percurso, como um enroscamento rápido em tecidos, tapetes ou telas durante um salto mais animado. Mas a lista de causas também inclui o desgaste natural que falhou, unhas longas demais ou até pequenas fragilidades na estrutura da garra.
Para entender o que está acontecendo com o seu gato, vale a pena olhar de perto e sem pânico. Vamos conversar sobre os motivos mais comuns para essa quebra e o que você deve fazer agora.
A ponta solta ou a fratura profunda
Existe uma diferença enorme entre achar um pedacinho oco de unha no chão e ver o gato com a pata machucada e sangrando.
Os gatos trocam as capas externas das garras de tempos em tempos. É um processo normal de renovação, bem parecido com o desgaste de uma casquinha seca. Quando você encontra aquela capinha vazia perto do arranhador, não há motivo para alarme. O gato apenas removeu a camada velha de queratina para deixar a ponta nova afiada e pronta para uso.
O problema muda de figura quando a fratura acontece na parte viva da unha. A garra felina possui um núcleo cheio de terminações nervosas e vasos sanguíneos, conhecido popularmente como sabugo. Se a quebra atinge essa região, o estrago vem acompanhado de dor aguda e sangramento. Isso costuma acontecer em saltos mal calculados, brigas territoriais com outros animais ou quando a unha está grande demais e acaba travando onde não devia.
O problema silencioso dos gatos idosos
Existe um mito persistente de que gato velho só quer saber de dormir e que ficar quieto é exclusividade da idade. Só que, muitas vezes, o felino idoso está apenas tentando fugir da dor.
Conforme o gato envelhece, a rotina de cuidados com o próprio corpo diminui, e a frequência de uso dos arranhadores despenca. Se ele tem osteoartrite, por exemplo, esticar o corpo para afiar as unhas passa a exigir um esforço doloroso. Sem o desgaste natural, as garras continuam crescendo de forma contínua, espessas e curvadas.
É aqui que mora o perigo da unha encravada. A garra cresce tanto que faz uma volta completa, parecendo a unha de um bicho-preguiça, até perfurar a almofada da pata, que chamamos de coxim.
Pense nisso como um sapato fechado apertado demais, onde cada passo pressiona uma ferida aberta. O gato idoso com a unha cravada no coxim sente dor intensa a cada movimento, mia ao tentar se levantar e passa a lamber a pata sem parar. Se você notar o seu veterano andando de um jeito travado, vale a pena conferir as patinhas de perto.
O que fazer se a unha quebrou e está sangrando
Se a cena acabou de desenrolar na sua frente e você avistou sangue na base da unha, o primeiro passo é respirar fundo para não passar pânico para o felino.
Aperte a patinha de leve com uma gaze limpa ou um chumaço de algodão, segurando firme por alguns instantes até o sangramento diminuir. Depois, higienize o local com um antisséptico veterinário suave, a exemplo da clorexidina diluída, sempre com toques leves para não machucar mais.
Resista à tentação de bancar o cirurgião e jamais puxe o pedaço de unha que ficou pendurado ou balançando. Arrancar uma garra quebrada à força é um erro que rasga o tecido sensível, provoca uma dor absurda e transforma um susto passageiro em um problema muito maior.
Quando a visita ao veterinário deixa de ser opcional
Existem situações em que o bom senso caseiro acaba e o atendimento profissional passa a ser a única saída segura.
Se o sangue continua jorrando após alguns minutos de pressão, se a ponta da garra perfurou a almofada da pata, ou se o dedo apresenta inchaço e pus, agende a consulta sem pensar duas vezes. O mesmo cuidado vale para o gato que esconde a pata a todo custo, manca sem parar ou mia bravo só de ver a sua mão se aproximando da região afetada.
O veterinário vai examinar o dedo com cuidado, verificar se há alguma infecção se desenvolvendo e indicar o tratamento correto. Nunca dê remédios humanos por conta própria ou use aquela pomada esquecida no fundo da gaveta, pois substâncias comuns para nós podem ser extremamente tóxicas para os felinos.
Problemas que insistem em voltar no mesmo lugar, inchaços teimosos ou machucados que demoram a sumir pedem investigação detalhada, já que podem esconder desde infecções de pele até questões mais sérias na estrutura do dedo.
Prevenção e a importância do arranhador
Cuidar das garras do gato é uma questão de saúde e bem-estar, bem longe de qualquer vaidade estética. A cirurgia de remoção de unhas é uma mutilação dolorosa que prejudica o equilíbrio do animal e destrói o comportamento natural dele.
Para manter tudo sob controle de forma segura, o melhor caminho é a prevenção no dia a dia. Se o seu companheiro já tem certa idade ou prefere a vida mansa no sofá, vale a pena aparar a pontinha transparente da unha a cada semana ou quinzena. Use um cortador próprio para gatos e foque apenas na parte clara, mantendo uma distância segura da área rosada onde passam os vasos sanguíneos.
Vale a pena também espalhar arranhadores firmes e altos pela casa, principalmente nos cômodos onde ele passa mais tempo. Arranhar não é apenas um capricho felino, mas uma forma importante de aliviar o estresse e marcar território pela casa. Quando o gato tem bons lugares para se espreguiçar e puxar as unhas, ele mesmo faz o trabalho de manutenção e deixa as patas longe de complicações.
Encontrar uma unha quebrada costuma assustar pelo estrago visual, mas raramente passa de um incidente passageiro se você agir com cuidado. Observar as patinhas de vez em quando é o melhor remédio para garantir que um tropeço bobo não vire um tormento para o seu felino.





