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Gato com hérnia: o que pode ser?

Resposta rápida

O gato com hérnia apresenta órgãos ou tecidos abdominais projetados através de uma abertura ou falha na musculatura. A saliência deve ser avaliada para entender sua origem e os riscos envolvidos.

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Gato com hérnia: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de gato

Sabe aquela sensação de passar a mão na barriga do gatinho recém-chegado em casa e sentir uma bolinha macia, bem na altura do umbigo, como se fosse um botãozinho frouxo? Daí você se pergunta se aquilo é normal ou se é hora de correr para o consultório com o animal. Aquela saliência pode ser uma hérnia, que é a projeção de órgãos ou tecidos abdominais através de uma falha ou abertura na musculatura. Pode ser algo com que ele já nasceu, ou pode ser a consequência indesejada de um acidente recente. Vamos conversar sobre o que isso significa para a rotina do seu felino.

Para entender o que está acontecendo embaixo do pelo, pense no abdômen do gato como uma caixa bem fechada. Na hérnia verdadeira, nós temos três elementos clássicos que ajudam a desenhar o quadro. Existe o anel herniário, que é a falha na musculatura, o saco herniário, que é uma espécie de membrana envolvendo o conteúdo, e o próprio conteúdo, que são as vísceras que decidiram passear onde não deviam. Se você notou um carocinho na barriga do seu filhote, é muito provável que estejamos falando de uma hérnia umbilical. Durante a gestação, os vasos do cordão umbilical passam por ali. Depois que o gatinho nasce, aquela abertura precisa se fechar direitinho. Quando isso não acontece por completo, um pouco de gordura acaba escapando sob a pele, formando aquele pequeno volume visível.

Em gatinhos pequenos, existe uma exceção interessante que costuma tranquilizar muita gente. Hérnias umbilicais bem pequenininhas costumam ter o hábito de se fechar sozinhas até os três ou quatro meses de idade, conforme o animal cresce e o corpo se desenvolve. Mas isso não significa que você deva ignorar o assunto ou tentar adivinhar o diagnóstico sozinho. Nenhuma alteração desse tipo pode ser confirmada apenas olhando de relance em casa. O veterinário precisa examinar o animal com cuidado e, muitas vezes, pedir exames de imagem para ver exatamente o que está acontecendo ali dentro da musculatura.

Também é bom considerar que as hérnias que aparecem na região da virilha, chamadas de inguinais, são bem raras em gatos, ao contrário do que acontece com os cães. O buraquinho na barriga do filhote continua sendo o cenário mais comum para quem cria felinos em casa. Mas o que acontece quando o problema não é de nascença e surge na vida adulta?

O perigo dos traumas invisíveis

A conversa muda completamente de figura quando falamos de gatos adultos que sofreram acidentes. Se o seu felino teve uma queda feia da janela do apartamento ou foi atingido de raspão por um carro na rua, o impacto pode romper estruturas internas importantes. Pense no diafragma como a parede divisória de um apartamento. De um lado ficam o coração e os pulmões, protegidos na caixa torácica. Do outro lado ficam o estômago e o fígado, acomodados no abdômen. Se o gato sofre um trauma de alta energia, essa parede muscular pode rasgar.

A pressão natural do tórax, então, puxa os órgãos da barriga para dentro da cavidade onde deveriam estar apenas o coração e os pulmões. É por isso que aquele gato que volta para casa aparentemente inteiro, sem nenhum arranhão visível na pele após uma queda, pode estar correndo risco de vida. Se ele começa a esticar o pescoço para respirar, fica com a respiração muito rápida e superficial ou demonstra um cansaço desproporcional ao caminhar pela sala, a suspeita de uma hérnia diafragmática traumática precisa ser investigada na mesma hora pelo veterinário. Os órgãos que invadem o tórax simplesmente roubam o espaço que deveria ser dos pulmões, gerando falta de ar severa.

Existe ainda a hérnia hiatal, que mexe com a passagem do esôfago para o estômago. Nesses casos, o gato pode sofrer com refluxo constante, azia, regurgitação frequente e muita salivação, como se a válvula principal do sistema digestivo tivesse perdido a capacidade de vedação.

Quando a hérnia vira uma emergência

A grande preocupação com qualquer hérnia não é apenas o buraquinho em si, mas o que pode ficar preso nele. Se o tecido que escapou for espremido pelo anel muscular a ponto de cortar a circulação sanguínea, entramos em um quadro de estrangulamento de tecidos. Isso causa dor intensa. O abaulamento, que antes era molinho e fácil de empurrar para dentro com um leve toque, de repente fica rígido, quente, dolorido ao toque e com uma coloração avermelhada ou roxa.

O gato pode vomitar sem parar, ficar extremamente prostrado no chão e recusar qualquer alimento que você ofereça. Se você perceber isso em casa, esqueça qualquer tentativa de empurrar o tecido de volta para o lugar com os dedos. Forçar uma hérnia rígida pode romper órgãos internos e agravar o problema em segundos, transformando uma situação delicada em uma verdadeira urgência médica. O correto é buscar atendimento profissional imediato.

A solução é sempre cirúrgica?

Sim, a cirurgia é a única abordagem definitiva para corrigir o defeito na musculatura e colocar cada órgão de volta no seu devido lugar. Não existe pomada milagrosa, remédio caseiro ou massagem capaz de fechar um músculo rompido. No caso dos filhotes que têm uma hérnia umbilical estável e vão passar pelo procedimento de castração, o veterinário costuma aproveitar o mesmo momento anestésico para corrigir o buraquinho da barriga, resolvendo as duas coisas de uma só vez com muita segurança.

Se o seu gato sofreu um acidente e precisa de uma cirurgia para corrigir o diafragma, o processo exige um cuidado extra de estabilização antes de ir para a mesa de operação. O médico precisa garantir que o animal consiga respirar bem e lidar com o choque do trauma antes de abrir a cavidade abdominal ou torácica. Se você encontrou um volume estranho no corpo do seu gato ou desconfia de sequelas após um susto ou queda, o caminho mais seguro é agendar uma avaliação profissional e deixar que o exame clínico revele o tamanho exato da questão.

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