Pular para o conteúdo

Gato com soluço: o que pode ser?

Resposta rápida

O soluço do gato costuma ser passageiro e benigno, causado por espasmos do diafragma. Comer depressa, engolir ar ou ter uma irritação temporária associada a bolas de pelo pode desencadear o episódio.

Ler artigo completo ↓

Gato com soluço: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 6 min de leitura
Ilustração de gato

Você está sentado no sofá, com a xícara de café ainda fumegante, e de repente percebe um pequeno solavanco ritmado vindo do gato que tirava uma soneca no seu colo. Cada contração vem acompanhada de um estalido abafado, quase imperceptível. Dá quase vontade de rir da cena, mas logo surge a dúvida incômoda se aquilo é normal ou se o bicho engoliu algo que não devia.

Na grande maioria das vezes, o soluço em gatos é um reflexo totalmente benigno e passageiro que acontece por espasmos do diafragma, seja porque o animal comeu com pressa e engoliu ar, ou por causa de uma irritação temporária com alguma bola de pelo.

Só que essa tranquilidade tem limites. Episódios que duram demais, que acontecem todos os dias ou que vêm acompanhados de outros sintomas exigem atenção redobrada. Vamos conversar sobre o que está acontecendo por dentro desse corpinho peludo e como saber quando você deve se preocupar de verdade.

O que acontece lá dentro durante o soluço?

Para entender o soluço, vale olhar para o diafragma. Ele é aquela parede muscular em formato de cúpula que separa o peito da barriga do gato. Quando esse músculo sofre uma contração rápida e involuntária, o ar entra de uma vez só nas vias aéreas. Só que, no mesmo milissegundo, a glote e as cordas vocais se fecham de supetão. Esse bloqueio brusco é o que produz o som e o pequeno solavanco que você observa do lado de fora.

Nos gatinhos filhotes, esse cenário é extremamente comum e faz parte do desenvolvimento natural. Pense naqueles bebês humanos que soluçam o tempo todo depois de mamar. Nos filhotes de gato, o sistema nervoso ainda está amadurecendo e o nervo que avisa o diafragma como se comportar ainda está terminando de criar sua capa protetora. Qualquer estímulo pequeno, como uma brincadeira mais agitada ou acordar de um sono profundo, já basta para disparar o reflexo. Geralmente, essa fase passa sozinha conforme o animal cresce, tornando-se algo raro depois do primeiro ano de vida.

A pressa na tigela e as temidas bolas de pelo

Quando o gato já é adulto, a conversa muda de figura. Se ele resolveu atacar a tigela de ração seca como se fosse um aspirador de pó, é quase certo que ele engoliu muito ar junto com a comida. Esse fenômeno, conhecido na medicina como aerofagia, faz com que o estômago inche rápido e pressione o diafragma por baixo. O resultado chega cerca de dez ou quinze minutos depois da refeição, em forma de soluços.

Em lares com mais de um gato, essa pressa costuma ser ainda maior por causa daquela rivalidade invisível na hora do rango. O felino come mais rápido do que o normal só para garantir que o outro não chegue perto do prato.

Outro gatilho clássico são as famosas bolas de pelo. Como o gato passa boa parte do dia fazendo a própria higiene, ele acaba engolindo muita queratina. Quando esses pelos se acumulam no estômago e irritam a mucosa do trato digestivo, o diafragma reage com contrações que podem se parecer com o soluço antes mesmo de o animal tentar expulsar o incômodo.

O que você pode fazer na rotina para ajudar

Se o seu gato costuma ter crises leves logo depois de comer, alguns ajustes simples na rotina resolvem o problema sem grandes complicações.

O primeiro passo é desacelerar o ritmo da refeição. Comedouros lentos, que parecem pequenos labirintos de plástico, obrigam o animal a beliscar porções menores em vez de abocanhar tudo de uma vez. Outra alternativa prática é espalhar a ração em comedouros interativos que estimulam o instinto de caça.

Dividir a quantidade diária de comida em três ou quatro porções menores ao longo do dia também evita que o estômago fique sobrecarregado de uma só vez. Se o seu gato é fã de ração seca, pingar um pouco de água morna para amolecer os grãos ajuda bastante, já que eles param de expandir dentro da barriga e forçam o animal a comer com mais calma.

Em casas com vários bichos, o melhor remédio para a pressa na hora de comer é separar os potes em cômodos diferentes e fechar as portas. Assim, cada um saboreia a comida no próprio ritmo, sem a sombra da concorrência.

O que nunca se deve fazer

Existem muitos mitos populares sobre como curar soluços, mas algumas ideias antigas são simplesmente perigosas para um gato.

Nunca tente dar um susto no animal. Assustar o gato não vai curar o soluço e só serve para gerar um estresse severo, ansiedade e quebrar a confiança que ele tem em você.

Também não invente de forçar água com seringa na boca dele para tentar fazer o soluço passar. Isso é um convite para que o líquido vá parar nos pulmões por engano, provocando um quadro grave de pneumonia.

E por mais que pareça óbvio para alguns, jamais segure o gato de cabeça para baixo. Essa prática é ineficaz, causa pânico e pode machucar o animal.

Como diferenciar o soluço de outros problemas

O som do soluço felino costuma confundir muita gente porque ele não se parece em nada com aquele barulho alto que os humanos fazem. No gato, é um ruído abafado, quase um estalido ou chiado baixo, acompanhado por um leve movimento no peito ou na barriga, enquanto o animal mantém a postura completamente normal.

Vale a pena prestar atenção para não confundir o soluço com uma crise de tosse, asma ou com aquela ânsia clássica de quem vai vomitar uma bola de pelo. Na tosse ou na crise respiratória, o gato estica o pescoço para a frente, abaixa o corpo rente ao chão com os cotovelos abertos e emite sons bem mais ásperos. Já na ânsia de vômito, há uma contração profunda e ritmada de todo o abdômen com a boca aberta. O soluço acontece com a boca fechada e sem aquele esforço físico violento.

Quando o soluço deixa de ser inofensivo

Um episódio normal de soluço costuma durar poucos minutos e vai embora sozinho, sem deixar o gato incomodado. Porém, se as crises começarem a durar mais de trinta a sessenta minutos seguidos, ou se repetirem todos os dias sem motivo aparente, a história muda de figura.

Soluços persistentes em gatos adultos ou idosos podem indicar problemas que vão desde inflamações nas vias aéreas até questões cardíacas ou parasitárias. Uma dica de ouro para a hora da consulta veterinária é tentar gravar um vídeo curto de quinze a trinta segundos do episódio pelo celular. Esse registro visual ajuda o profissional a entender exatamente o que está acontecendo.

Procure atendimento veterinário com urgência se o soluço vier acompanhado de falta de ar, respiração acelerada em repouso, gengivas pálidas ou arroxeadas, apatia profunda, perda repentina de peso, vômitos frequentes ou se o animal sofreu alguma queda ou acidente recente. Fora dessas situações de alerta, um ajuste na tigela de comida e um pouco de paciência costumam ser suficientes para devolver a tranquilidade à rotina da casa.

Compartilhar:💬🔗
← Explorar gatos

Posts preferidos sobre gatos

Uma nova seleção de leituras a cada visita.

Alimentação

Gato pode comer ameixa?

Não, o gato não deve comer ameixa. A polpa e o açúcar da fruta provocam reações digestivas incômodas, e o caroço duro pode causar uma obstrução mecânica que…

🕒 5 min de leituraLer agora →
Alimentação

Gato pode comer abacate?

Não, o gato não deve comer abacate. Toda a planta contém persina, uma substância tóxica, e a fruta possui excesso de gordura capaz de inflamar o pâncreas…

🕒 6 min de leituraLer agora →
Alimentação

Gato pode comer carne?

Sim, o gato pode comer carne, mas ela precisa estar totalmente cozida, desossada, sem nenhuma gordura visível e estritamente sem temperos como alho e cebola.

🕒 5 min de leituraLer agora →

Outros artigos sobre gatos

Continue a leitura por aqui.