Foxhound inglês é bom para apartamento?

Se você já imaginou voltar para casa depois de um dia longo e dar de cara com o rodapé da sala completamente mastigado enquanto o vizinho da porta ao lado bate furioso no seu trinco por causa de um uivo contínuo, você provavelmente está pensando em adotar um cão que não combina muito bem com a vida na cidade.
O Foxhound inglês é bom para apartamento? De forma direta, a resposta é não. Esse sabujo de grande porte não é recomendado para a criação em espaços verticais reduzidos por causa da sua altíssima exigência de exercício físico, do vigor físico intenso e da tendência natural a vocalizar alto quando sente tédio. Colocar um cão dessas proporções em um apartamento sem uma rotina pesada de gasto de energia é basicamente o equivalente a pedir para um atleta olímpico de maratona passar os dias trancado em uma kitnet sem poder sair para correr. A energia acumulada precisa encontrar uma válvula de escape, o que geralmente se manifesta em comportamentos destrutivos ou em vocalizações persistentes que testam qualquer sanidade mental urbana.
Mas será que o condomínio pode proibir a entrada do bicho de forma sumária? A realidade jurídica traz um contraponto interessante. Pela lei, o condomínio não pode proibir a permanência de um animal na sua unidade privativa de forma arbitrária ou baseando-se apenas na raça ou no porte. Só que existe uma pegadinha importante nessa história. O mesmo Código Civil que garante o seu direito de ter o animal também estabelece que o uso da propriedade não pode comprometer a segurança, o sossego e a salubridade dos vizinhos. Se o seu Foxhound inglês começar a uivar todas as vezes que você sair para trabalhar, a administração do prédio ganha respaldo legítimo para aplicar notificações e multas por perturbação do sossego. O papel aceita a presença do cão, mas a paciência coletiva tem limites bem definidos.
Por que a energia desse cão não combina com o sofá
Para entender o tamanho do desafio, vale olhar para a história genética do bicho. O Foxhound inglês foi desenvolvido ao longo de gerações para correr em matilhas por quilômetros a fio, seguindo rastros olfativos em campos abertos. Ele tem uma caixa torácica profunda, pernas longas e uma estrutura feita para o movimento constante. Quando você coloca toda essa máquina de corrida dentro de um apartamento pequeno, o instinto de rastreio e a necessidade de estamina entram em colapso com as paredes. O que os criadores chamavam antigamente de uma música melodiosa de matilha, que soava ótima no campo durante uma caçada, transforma-se rapidamente em um barulho estridente que ecoa pelas paredes finas do prédio e irrita qualquer vizinho de plantão.
Em como gasta o seu próprio tempo livre? Se a resposta envolve passar horas sentado em frente a uma tela após o expediente, o ritmo desse cão vai parecer uma cobrança impagável. Ele não quer apenas uma caminhada curta para fazer as necessidades. Ele exige que o tutor compartilhe de uma disposição atlética incomum.
E se o tutor for uma pessoa muito ativa?
Quase toda regra tem um lado B, e com os cachorros isso não muda de figura. Se a sua rotina inclui correr maratonas, pedalar por horas ou passar o dia inteiro na rua e você faz questão de levar o bicho junto nessa maratona diária, viver em um apartamento deixa de ser uma missão impossível. Quem mora no térreo com um quintal generoso ou tem tempo livre para frequentar parques cercados todos os dias também lida com uma realidade bem mais branda.
Ainda assim, passear na calçada exige braço firme e atenção redobrada. Estamos diante de um sabujo que vive pelo nariz, o que significa que, ao captar um cheiro interessante no asfalto, ele simplesmente entra em transe e ignora qualquer ordem que você tente dar. A força que essas pernas compridas exercem na guia pega muita gente de surpresa, tornando obrigatório o uso de coleiras seguras nas áreas comuns do condomínio. Soltar um bicho desses em uma praça aberta sem cercas é o equivalente a aceitar um convite para uma corrida frustrante atrás dele.
Cuidados de saúde que merecem atenção
Cuidar de um animal com essa estrutura vai muito além de garantir o cansaço dele, pois a anatomia própria da raça exige atenção médica constante, independentemente da metragem da sua sala. O formato das orelhas, compridas e caídas, cria um abafamento natural que facilita a entrada de umidade e o desenvolvimento de inflamações, exigindo uma rotina semanal de limpeza com produtos indicados pelo veterinário.
Outro detalhe sério, comum em cães de tórax largo, é o risco de o estômago sofrer uma torção perigosa. Esse problema grave costuma acontecer quando o animal corre ou pula logo depois de comer uma grande quantidade de ração. A prevenção passa por dividir a comida em porções menores ao longo do dia e garantir que ele descanse sossegado por um bom tempo antes e depois das refeições.
Levar um Foxhound inglês para morar em um espaço vertical significa assumir um compromisso diário com o gasto de energia que consome horas preciosas do seu dia. Caso você não tenha essa disponibilidade toda para gastar na rua, escolher uma raça de perfil mais tranquilo poupa a sua paciência, evita conflitos barulhentos no prédio e garante uma convivência muito mais pacífica para todo mundo.







