Glen of Imaal Terrier é bom para apartamento?

Sabe aquela cena clássica em que você chega em casa com sacolas de mercado nas mãos, tenta abrir a porta do apartamento e seu cachorro faz aquela festa escandalosa no hall do prédio? Agora imagine essa mesma cena, mas com um vizinho carrancundo na porta ao lado, olhando feio para o tamanho do animal e resmungando sobre as regras do condomínio. É exatamente nessa hora que surge a dúvida na cabeça de quem mora em prédio e quer adotar um cão de uma raça menos comum. Afinal, o Glen of Imaal Terrier é bom para apartamento?
Sim, o Glen of Imaal Terrier pode viver muito bem em apartamento, desde que você entenda as necessidades dele e siga as regras de convivência do edifício.
O que a lei diz sobre animais no prédio
Para começo de conversa, vamos tirar logo aquele elefante branco da sala. Sabe aquela cláusula proibitiva na convenção do condomínio que diz que animais de estimação são vetados no prédio inteiro? Esqueça isso. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que proibições genéricas desse tipo são totalmente nulas. A legislação protege o seu direito de propriedade, garantindo que você tenha um animal dentro de casa, seja ele um cão pequeno ou um terrier de porte médio.
Só que esse direito não vem com passe livre para bagunça. O mesmo código que protege a sua posse também exige que você cumpra deveres essenciais na vizinhança: segurança, ausência de risco de agressão, sossego e salubridade. Em linguagem de quem divide teto com dezenas de famílias, isso significa que o cachorro não pode avançar nas visitas, não pode transformar a madrugada em um concerto de latidos e o apartamento não pode virar um depósito de odores desagradáveis ou sujeira acumulada.
Agora, por que essa raça se adapta bem a espaços menores? Oficialmente classificado pelas federações cinológicas internacionais no grupo dos terriers, este cão tem uma origem irlandesa ligada ao trabalho no campo, mas ganhou uma reputação descrita pelos criadores como espirituosa, gentil e corajosa. Traduzindo do jornalismo especializado para a vida real, estamos falando de um cão que tem energia para dar e vender, mas que também sabe ser um doce de companhia no sofá quando o dia termina.
Rotina e energia dentro de casa
A questão central não é o tamanho do seu piso de porcelanato ou quantos metros quadrados tem a sala. O verdadeiro motor de adaptação de um terrier em ambiente urbano é o seu tênis de corrida ou, pelo menos, um par de sapatos confortáveis para as caminhadas diárias. Como qualquer bom representante do grupo, ele carrega uma vivacidade natural que precisa ser escoada. Se você passar o dia inteiro fora e deixar o cão trancado sem estímulos, a energia acumulada vai encontrar uma válvula de escape nos rodapés da sua casa ou nos latidos crônicos que vão atrair a ira do síndico.
Por que bater tanto nessa tecla da caminhada? Acontece que aquela carcaça musculosa e as pernas curtas escondem um passado de cão de trabalho. Ele nasceu para caçar pragas no campo, o que significa que o cérebro continua funcionando a todo vapor mesmo depois de horas estirado no tapete. Dar brinquedos que desafiam a inteligência e gastar a paciência dele com comandos novos ajuda a garantir a paz no apartamento.
Pense naquela terça-feira em que o temporal desaba bem na hora de sair. Você chega em casa esgotado, morto de cansaço, e percebe que o cachorro continua com aquela energia suspeita nos olhos, pronto para transformar o corredor da sala em pista de obstáculos. É nessas horas que o tutor criativo precisa inventar moda dentro de casa, como jogos de faro escondendo petiscos ou sessões curtas de obediência, para cansar a cabeça do bicho sem precisar enfrentar poças de água na rua.
A convivência nas áreas comuns e a saúde do seu cão
Sobre a rotina no prédio, vale antecipar alguns detalhes práticos da convivência. A administração do condomínio pode perfeitamente exigir que o cão circule nas áreas sociais com guia curta, use o elevador de serviço e tenha a sujeira recolhida sem demora. Uma atitude que desarma qualquer vizinho chato é apresentar a caderneta de vacinação logo no começo, mostrando na portaria que você é um dono responsável antes mesmo que surja a primeira reclamação.
Em relação à saúde, morar em apartamento não serve de escudo contra doenças, por mais encerado que seja o piso da sua sala. Os veterinários insistem que o calendário básico de vacinas, que protege contra viroses perigosas como cinomose e parvovirose, além da indispensável injeção contra raiva, vale para qualquer cão, seja ele um aventureiro de sítio ou um aristocrata de cobertura. Doenças graves não costumam tocar a campainha pedindo licença para entrar.
Deixar de lado esses cuidados básicos de higiene ou manter o apartamento em condições precárias pode configurar crime de maus-tratos, passível de punições severas previstas em lei. Por isso, manter a vacinação em dia não serve apenas para acalmar o síndico na assembleia, mas representa um compromisso inegociável com o bem-estar do seu companheiro.
Outro detalhe que pega muita gente de surpresa é o custo de manutenção. Cuidar de um terrier de médio porte exige um investimento mensal que varia conforme a cidade, englobando ração adequada, medicamentos contra pulgas e aquela visita anual ao consultório veterinário. Características físicas e eventuais fragilidades de saúde devem ser discutidas diretamente com um veterinário, único profissional capaz de avaliar o animal de perto.
No fim das contas, ter um cachorro desses em casa depende muito mais da sua disposição para calçar os tênis do que da boa vontade da vizinhança. Cumprindo as regras do prédio, mantendo a saúde em dia e garantindo o gasto de energia na rua, o apartamento deixa de ser um problema e se transforma em um ótimo lar para os dois.







