Como viajar com um Labrador Retriever de carro ou avião

Você acorda cedo, coloca as malas no porta-malas do carro e olha para o seu Labrador de trinta quilos, que já está sentado na porta com aquela carinha de quem acha que vai passear na padaria, mas na verdade vai encarar uma viagem longa. A primeira coisa que você precisa saber é que, por causa do porte grande da raça, que costuma pesar entre 25 kg e 35 kg na fase adulta, o seu parceiro dourado ou chocolate não vai poder viajar com você na cabine do avião. As regras da aviação comercial limitam o peso do animal somado à caixa de transporte a patamares bem baixos, geralmente entre 7 kg e 12 kg, dependendo da companhia aérea.
Isso significa que, se o destino exigir um voo, o Labrador vai precisar viajar no porão da aeronave dentro de uma caixa rígida homologada ou por meio de um serviço especializado de carga aérea. Mas calma, porque o porão dos aviões comerciais que transportam pets conta com controle de temperatura e pressurização semelhante ao da cabine de passageiros. Ainda assim, a logística exige uma boa preparação em casa para que essa experiência seja a mais tranquila possível para todo mundo.
Como preparar o Labrador para a viagem de carro
Se a viagem for rodoviária, o cenário muda bastante, mas a segurança continua exigindo atenção firme. Cães de grande porte nunca devem viajar soltos nos bancos ou com a cabeça para fora da janela, por mais que aquela cena clássica de cinema pareça charmosa. Uma freada brusca pode transformar o animal em um projétil dentro do carro ou causar lesões graves.
A contenção ideal pode ser feita de duas maneiras. A primeira é usando uma caixa de transporte devidamente travada no porta-malas ou no banco traseiro. A segunda é utilizando um cinto de segurança veicular acoplado exclusivamente a um peitoral estruturado. Jamais prenda o cinto na coleira comum de pescoço, pois a tração repentina em uma parada forte pode machucar seriamente a traqueia e as vértebras cervicais do cão.
Como o Labrador é uma raça com alta predisposição genética para problemas articulares, como a displasia coxofemoral e de cotovelo, o conforto mecânico importa muito. Forre o piso da caixa de transporte ou do carro com tapetes emborrachados bem antiderrapantes. Isso evita que o animal gaste energia e sofra microtraumas musculares tentando se equilibrar a cada curva da estrada. Na hora de desembarcar, evite que ele dê saltos altos direto para o chão duro, dando preferência a uma rampa ou a uma ajuda direta no colo, especialmente se ele já estiver entrando na idade sênior.
A burocracia do embarque e os documentos essenciais
Colocar um cachorro grande em um avião não combina com improviso ou última hora. O primeiro passo para voos nacionais é conseguir o atestado de saúde sanitária, emitido por um veterinário particular. Aqui vai um detalhe que costuma pegar muita gente desprevenida: esse papel tem validade curta de apenas dez dias corridos, contados da emissão até o dia do voo. Se passar um dia sequer, a companhia aérea vai barrar o seu parceiro no check-in sem conversa.
A carteira de vacinação também precisa passar por um pente-fino, especialmente a dose contra a raiva. Se essa for a primeira aplicação da vida do animal, a lei exige um intervalo de pelo menos vinte e um dias antes de o bicho pisar no aeroporto. Para viagens internacionais, a burocracia ganha novos capítulos e exige o Certificado Veterinário Internacional emitido pelo governo, além de seguir à risca as regras do país de destino, que costumam incluir microchip e exames de sangue específicos.
Muita gente pensa que basta dar um calmante por conta própria para o cão dormir a viagem inteira, mas isso é um erro perigoso. As companhias aéreas proíbem o embarque de bichos sedados por um motivo muito sério. Remédios para acalmar derrubam a pressão arterial, atrapalham a respiração e dificultam o controle da temperatura corporal no porão, o que aumenta muito o risco de acidentes graves. Qualquer ajuda para controlar a ansiedade precisa ser conversada e receitada pelo veterinário com bastante antecedência.
A caixa de transporte como um refúgio e não uma prisão
O segredo para evitar o pânico no dia da viagem é acostumar o cão com antecedência. Afinal, nenhum cachorro gosta de acordar de repente preso em uma caixa desconhecida. Cerca de um mês antes da partida, monte a caixa de transporte na sala de casa mesmo. Deixe a portinha aberta, jogue alguns petiscos lá dentro e coloque um cobertor com o seu cheiro para criar um ambiente acolhedor.
O objetivo é fazer o kennel virar a toca particular do animal, um lugar onde ele entre por vontade própria e se sinta seguro. Quando chegar o momento de viajar, seja de carro ou de avião, ele vai entrar no equipamento reconhecendo o próprio espaço, o que ajuda a baixar bastante o estresse e a ansiedade.
Durante a viagem de carro, lembre-se de parar a cada duas ou três horas. O seu Labrador tem muita energia e vai precisar esticar as patas, tomar uma água fresca e fazer as necessidades dele. Aproveite essas paradas para checar se ele está ofegante demais ou babando muito, o que pode indicar enjoo.
Há uma exceção importante que vale para qualquer situação: se o seu Labrador for um cão-guia de assistência, a lei garante que ele viaje na cabine com você, sem precisar de caixa de transporte ou focinheira. Para os cães de companhia, no entanto, a regra continua sendo a mesma, exigindo que você planeje tudo com calma para que a viagem seja tranquila do começo ao fim.






