Rottweiler macho ou fêmea: existem diferenças de comportamento?

Sabe quando você recebe amigos em casa e o cachorro da família decide fazer o papel de fiscal da porta? Se o animal em questão for um Rottweiler, a cena costuma ser a mesma, seja ele macho ou fêmea: o cão não vai pular efusivo na visita, mas também não vai avançar sem motivo. Ele apenas se posiciona perto de você, com uma calma firme, avaliando cada passo do recém-chegado com aquela postura de esperar para ver.
Respondendo sem demora à pergunta que não quer calar: não existem diferenças de comportamento ou de temperamento entre o Rottweiler macho e a fêmea. De acordo com as principais entidades cinológicas do mundo, como a Federação Cinológica Internacional e o clube americano da raça, o perfil psicológico padrão é exatamente o mesmo para ambos os sexos. Tanto machos quanto fêmeas devem ser equilibrados, dóceis, profundamente devotados à família, corajosos e muito fáceis de treinar, já que possuem uma vontade genuína de trabalhar ao lado do tutor.
Se o comportamento é igual, o que muda então? A resposta está na balança e na fita métrica.
O dimorfismo que importa: tamanho e força
A grande distinção entre os sexos nessa raça é estritamente morfológica. Estamos falando do chamado dimorfismo sexual, que é a diferença física natural entre machos e fêmeas.
Os rapazes da raça são construídos em uma escala mais pesada. Eles costumam medir entre sessenta e um e sessenta e oito centímetros na altura dos ombros e batem facilmente nos cinquenta quilos de puro músculo e estrutura óssea densa. Já as fêmeas exibem uma silhueta nitidamente mais feminina e levemente menor, variando de cinquenta e seis a sessenta e três centímetros e rondando os quarenta e dois quilos.
Essa diferença de peso tem um impacto prático enorme na sua rotina. Pense nisso na hora do passeio: segurar a guia de um macho de cinquenta quilos que avistou um gato na calçada exige uma firmeza corporal bem diferente do que conduzir uma fêmea de quarenta e dois quilos. Ambos são cães fortes que exigem adestramento rígido, mas a massa física do macho pede um condutor preparado para lidar com essa alavanca de força no dia a dia. Se você pensa em adotar ou comprar, vale a pena considerar se os seus braços estão prontos para uma puxada firme quando o cachorro decidir que aquela borboleta na grama é o foco mais importante do universo.
Entendendo o famoso comportamento reservado
Muita gente confunde a atitude natural do Rottweiler com algum tipo de desvio de conduta. A raça carrega uma característica clássica chamada de reserva autoconfiante. Isso significa que eles não são aqueles cães que fazem amizade com qualquer estranho na rua em troca de um tapinha na cabeça.
Eles observam o ambiente com uma distância nobre. E aqui mora um cuidado técnico importante que todo tutor precisa dominar: essa serenidade de quem analisa a situação antes de agir é completamente diferente de timidez ou medo.
Se um cão da raça se encolhe, foge ao toque de um desconhecido ou demonstra pavor injustificado de barulhos, isso não é traço da raça. Pelo contrário, tanto machos quanto fêmeas que apresentam esse tipo de comportamento medroso ou agressividade descontrolada são considerados fora do padrão oficial. O verdadeiro Rottweiler é seguro de si, seja fêmea ou macho. Afinal, por que alguém esperaria que um cão de guarda legítimo saísse balançando o rabo para o primeiro entregador de pacotes que aparece no portão?
O papel da castração e os hormônios
Outra dúvida comum envolve o impacto da cirurgia de castração na personalidade do animal. Muita gente acredita que operar o cachorro vai magicamente transformar um cão dominante em um anjo da guarda mansinho, ou vice-versa.
A medicina veterinária mostra que a retirada dos órgãos reprodutivos ajuda a modular comportamentos estimulados por hormônios. No caso dos machos, a castração costuma diminuir a necessidade chata de marcar território pela casa inteira e reduz aquela competitividade excessiva com outros cães do mesmo sexo.
Ainda assim, a essência do animal continua lá. A cirurgia não altera o temperamento base, não transforma um cão inseguro em corajoso e tampouco resolve problemas causados por falta de educação e limites. A calmaria na sala de estar continua dependendo muito mais da paciência que você teve para ensinar o filhote do que de qualquer procedimento cirúrgico.
O que realmente molda o seu cão
No fim das contas, escolher entre um macho ou uma fêmea de Rottweiler é uma questão de preferência pessoal e de quanto peso você aguenta na outra ponta da guia.
O comportamento real que você vai ver na sua rotina não depende de cromossomos sexuais. Ele depende de três pilares inegociáveis: a genética do canil de origem, uma socialização bem feita desde filhote e o seu pulso firme na rotina de obediência.
Oferecer interações positivas com diferentes pessoas, animais e barulhos enquanto o cão ainda é jovem é o que garante um adulto equilibrado. Como estamos falando de uma raça dotada de grande força física e instinto natural de proteção, a orientação profissional de um veterinário e de um adestrador qualificado faz toda a diferença para manter a convivência segura e harmoniosa para todo mundo.
Escolha o filhote pelo olhar, prepare o bolso para a ração de boa qualidade e lembre-se de que a liderança consistente sempre falará mais alto do que o gênero na ficha de cadastro do pet.







