Como reproduzir Jack Dempsey no aquário

Sabe aquela história de que peixe é tudo igual, basta jogar na água e ver o bicho nadar em círculos? Quem pensa assim geralmente nunca colocou um casal de Jack Dempsey no aquário da sala para tentar a sorte na reprodução.
Se você quer saber como reproduzir Jack Dempsey no aquário, você precisa de um casal compatível, um aquário exclusivo de bom tamanho, água impecável sem vestígios de amônia, superfícies limpas como pedras chatas para a desova e paciência para deixar os pais trabalharem em paz.
O Jack Dempsey, conhecido cientificamente como Rocio octofasciata e antigamente chamado de Cichlasoma octofasciatum, é um ciclídeo que leva o apelido de um famoso e durão astro do boxe antigo. E quer saber? O apelido faz jus à fama. Não estamos falando daquelas espécies pacíficas que ignoram o resto da vizinhança. Estamos diante de um peixe territorialista que encara o próprio reflexo no vidro com uma expressão que parece dizer que a briga vai começar agora.
Para começar essa empreitada, esqueça a ideia de entulhar o aquário comunitário com dezenas de outras espécies e esperar que a mágica aconteça no meio do caos. O casal precisa de um espaço próprio. Pense nisso como um apartamento exclusivo para recém-casados. Se você enfiar parentes intrometidos e vizinhos barulhentos na mesma sala o tempo todo, o estresse toma conta. No aquário, o excesso de convivência com outros peixes gera brigas feias e um bloqueio hormonal natural nas fêmeas, que simplesmente desistem de produzir óvulos quando se sentem acuadas pela hierarquia do tanque.
A preparação do ninho e a chegada dos ovos
Tudo começa antes mesmo da desova, com uma cena que lembra a montagem de um quarto de bebê. O macho escolhe uma pedra plana ou limpa um pedaço do substrato com afinco, tirando qualquer sujeira do caminho. A fêmea entra na dança logo depois, vistoriando o trabalho do parceiro como quem aprova a reforma da casa.
Quando o acasalamento acontece, a fêmea deposita ovos adesivos na superfície escolhida e o macho faz a fertilização logo em seguida. A partir desse segundo, o aquário ganha novos xerifes. O cuidado parental é bi-parental, o que significa que o pai e a mãe dividem as tarefas domésticas com uma seriedade impressionante. Eles abanam os ovos incansavelmente com as nadadeiras para garantir que a água circule e traga oxigênio, além de avançarem em qualquer criatura que ouse chegar perto demais da borda do território.
É bem aqui que entra um tropeço clássico de quem está começando. Muita gente acha que colocar caramujos, como as famosas ampulárias, ajuda a manter o aquário limpo. Esqueça essa ideia. No tanque de reprodução, um caramujo funcionando como faxineiro é o equivalente a um intruso abrindo a geladeira de madrugada. Os ciclídeos pais vão atacar o molusco com violência, e, se o invasor escapar da surra, ele certamente vai devorar os ovos quando os pais descuidarem por um segundo. Mantenha os invertebrados bem longe dali.
A regra de ouro da água e a saúde dos reprodutores
Antes de pensar em juntar os dois peixes para formar um casal, a água precisa estar rigorosamente tratada. Se a filtragem biológica não estiver completa, esqueça qualquer tentativa de reprodução. Amônia e nitrito precisam estar estritamente zerados. Como os ovos e os filhotes recém-nascidos são extremamente sensíveis, a menor oscilação tóxica na água causa um estrago imediato, transformando o que seria uma ninhada promissora em frustração pura.
Outro ponto que merece atenção antes do grande dia é a quarentena sanitária. Levar um peixe novo para casa e soltá-lo direto no aquário de reprodução é pedir para atrair parasitas indesejados, como o infame ponto branco ou outras infecções cutâneas que adoram atacar animais estressados. O ideal é manter o recém-chegado em um tanque separado por algumas semanas, observando se ele come bem e se apresenta boa saúde.
Caso você note que os ovos ficaram brancos e opacos logo após a postura, isso geralmente indica que não foram fertilizados ou que sofreram com o ataque de fungos por causa de uma circulação de água inadequada. E se algum dos reprodutores apresentar manchas estranhas, letargia ou feridas pelo corpo, o processo de reprodução deve ser suspenso imediatamente. Nesses casos, evite receitas milagrosas da internet e procure a orientação de um veterinário especializado em animais aquáticos para fechar o diagnóstico correto antes de qualquer intervenção.
Reproduzir ciclídeos desse porte exige observação constante e respeito ao comportamento natural dos animais. Dê espaço, mantenha a filtragem impecável e deixe a natureza seguir o próprio ritmo dentro do aquário.







