Como reproduzir Guppy no aquário

Sabe aquela visita na casa de um amigo onde você bate o olho no aquário da sala e percebe que a população de peixes dobrou de tamanho da semana passada para cá? Acontece que os guppies são campeões nisso.
A reprodução do guppy acontece de forma totalmente espontânea e num ritmo impressionante. Por serem peixes vivíparos, a fertilização acontece por dentro e a fêmea não bota ovos. Ela carrega os embriões e dá à luz filhotes já formados, prontos para nadar. Para manter esse ciclo funcionando sem dor de cabeça, você só precisa cuidar da estabilidade da água, que deve ficar com temperatura entre 24 e 26 graus, pH entre 7 e 7,5 e dureza total entre 8 e 12 unidades. Além disso, é fundamental manter uma proporção de um macho para cada duas ou três fêmeas e colocar bastante vegetação para os recém-nascidos escaparem dos adultos.
Mas como saber quem é quem nesse balé subaquático?
Olhar para o aquário e tentar adivinhar o sexo dos peixes pelo capricho das cores pode enganar. Os machos são menores, medem cerca de 3 a 4 centímetros, exibem cores chamativas e carregam um detalhe revelador na nadadeira anal chamado gonopódio, que parece uma pequena haste pontiaguda usada na hora do acasalamento. Já as fêmeas são maiores, chegando a 6 centímetros, têm tons mais discretos em bege ou cinza e exibem uma mancha escura na parte de trás da barriga, logo acima da nadadeira anal. É a famosa mancha gravídica, que vai escurecendo conforme a gestação avança.
Tem uma história clássica no aquarismo de alguém que ganhou uma única fêmea, colocou sozinha no aquário e, semanas depois, deu de cara com dezenas de filhotes nadando por lá. Parece feitiçaria, mas a biologia explica. As fêmeas conseguem armazenar esperma no próprio corpo por até seis meses. Uma única cópula no passado garante várias gestações em sequência, com intervalos de três a quatro semanas e ninhadas que variam bastante.
Como montar o aquário sem errar na conta
Muita gente compra um aquário pequeno achando que peixe miúdo cabe em qualquer lugar. Só que um grupo inicial de reprodução precisa de pelo menos 40 litros de água. Menos do que isso significa um desastre biológico anunciado, porque a carga de resíduos cresce rápido e a água perde a estabilidade.
Antes de colocar qualquer peixe ali dentro, o aquário precisa passar pela ciclagem biológica. Pense nisso como ligar a água, a luz e o esgoto de uma casa antes de trazer a mudança. Se você colocar os peixes no aquário recém-montado, a amônia e o nitrito sobem nas primeiras horas, queimam as brânquias dos animais e interrompem qualquer chance de reprodução. Amônia e nitrito precisam estar rigorosamente zerados.
Outro ponto crucial é a matemática do amor ou, mais precisamente, do sossego. Nunca compre apenas um casal ou coloque mais machos do que fêmeas. O correto é manter uma proporção de um macho para cada duas ou três fêmeas. Se a proporção for inversa, o macho vai perseguir a única fêmea incansavelmente, como numa maratona sem linha de chegada. Ela não consegue descansar ou se alimentar direito, o que gera um estresse capaz de derrubar a imunidade e causar abortos.
O grande desafio: salvar os filhotes de casa
Existe um detalhe meio cruel na rotina dos guppies que pega muita gente de surpresa. Eles adoram comer os próprios filhotes. Na natureza, os alevinos contam com raízes e plantas para se esconder. No aquário da sala, se não houver refúgio, o nascimento vira um banquete para os adultos.
Para evitar que a família vire refeição, você tem duas opções principais. A primeira é o método natural, que consiste em entupir o aquário de plantas densas ou plantas flutuantes. Os filhotes recém-nascidos desenvolvem um talento imediato para o esconde-esconde e sobem para zonas onde os adultos não conseguem entrar.
A segunda opção é o aquário de cria. Quando você notar que a fêmea está com a barriga avantajada e a mancha escura muito intensa, pode transferi-la temporariamente para um aquário menor, de 15 a 20 litros, usando a mesma água do aquário principal. Assim que o parto terminar e os filhotes nascerem, você devolve a mãe para o grupo principal e deixa os pequenos em segurança. Evite aquelas caixinhas plásticas de maternidade que ficam penduradas dentro do aquário principal, pois o espaço reduzido costuma estressar a fêmea a ponto de prejudicar o parto.
Quando os filhotes nascem, o cardápio exige atenção. Nas primeiras semanas, eles precisam de ração em pó ultrafina ou micropeletes bem esmagados. Se quiser dar um tratamento diferenciado para acelerar o crescimento, náuplios de artêmia recém-eclodidos são excelentes. Lembre-se apenas de sifonar as sobras do fundo com cuidado para que a comida acumulada não estrague a qualidade da água.
Manter uma rotina de trocas parciais de água semanais, renovando cerca de um terço do volume com água tratada e na mesma temperatura, garante que o ambiente continue saudável para o desenvolvimento de todo o cardume. Se notar os peixes nadando parados no mesmo lugar e balançando o corpo de um lado para o outro, ou se vir fêmeas apáticas no fundo com as nadadeiras fechadas, vale parar e checar a temperatura e os parâmetros da água antes que o problema se espalhe. Em casos de mortalidade repentina acima do normal ou deformidades frequentes nos filhotes, o melhor caminho é buscar orientação com um veterinário especializado em peixes.






