Como diferenciar Canário gloster macho e fêmea

Quem nunca comprou um Canário gloster todo pimpão na pet shop, olhou para aquele topete redondo que parece um corte de cabelo estilo Beatles e pensou com os botões que aquilo só podia ser um rapazinho romântico? A gente tende a procurar pistas visuais óbvias onde elas simplesmente não existem.
Não dá para saber se o Canário gloster é macho ou fêmea apenas olhando para a cor das penas ou para o famoso topete. A única certeza absoluta em qualquer fase da vida vem do exame de sexagem por DNA, enquanto o canto melodioso só aparece nos machos adultos e a anatomia da cloaca só muda na época de reprodução.
Vamos falar a verdade, a seleção artificial que criou essa raça de porte caprichou na estética, mas facilitou pouco a vida de quem quer montar um casal. Ao contrário do canário silvestre ancestral, onde o macho exibe um amarelo vivo e a fêmea tons bem apagados, o Gloster moderno foi refinado para ter plumagens idênticas entre os sexos.
Isso significa que aquele canário verde-melânico, amarelo ou canela pode ser tanto cavalheiro quanto dama. Inclusive, a raça é uma ave doméstica oficial perante a legislação ambiental brasileira, o que significa que ela não exige burocracias pesadas como registro em órgãos federais, mas continua exigindo bastante atenção do tutor na hora de identificar o sexo.
A armadilha do topete e da cor
A primeira grande armadilha em que todo iniciante cai envolve a cabeça da ave. O Gloster divide-se em dois tipos principais, o Corona, que tem aquele topete circular charmosa cobrindo os olhos, e o Consort, que tem a cabeça lisa. É muito comum ouvir por aí que o exemplar com topete é o macho e o sem topete é a fêmea. Acontece que a genética não funciona assim.
O topete é apenas uma mutação de postura. Existem machos e fêmeas com topete, assim como machos e fêmeas sem topete. Apostar nisso para definir o sexo é basicamente jogar uma moeda para o alto. Se você olhar para as cores, a confusão continua a mesma. Os criadores selecionaram as aves por dezenas de gerações focando na forma do corpo e na plumagem compacta, deixando de lado o dimorfismo sexual visível.
O comportamento e o teste do canto
Para quem não quer gastar dinheiro com laboratório logo de cara e prefere observar a rotina da casa, o comportamento ajuda bastante, contanto que você tenha uma boa dose de paciência. A cena é clássica: a gaiola fica instalada em um canto arejado da sala, você senta no sofá na expectativa de ouvir um concerto digno de teatro e o bicho simplesmente não solta uma nota.
Em condições normais, o macho adulto é quem assume o papel de cantor oficial, soltando aqueles trinados longos, elaborados e contínuos para marcar território ou impressionar pretendentes. A fêmea, na imensa maioria das vezes, fica restrita a piados curtos de comunicação social. O detalhe incômodo é que essa regra vem cheia de exceções práticas. Filhotes jovens, com menos de seis meses de idade, ainda estão aprendendo a vocalizar e soam todos iguais, independentemente do sexo.
Outro ponto que confunde muita gente é a troca anual de plumagem. Durante a muda de penas, o gasto metabólico é tão alto que qualquer canário prefere economizar fôlego e calar o bico por semanas. A mesma mudez temporária acontece se a ave estiver sob estresse ambiental, comendo uma ração pobre em nutrientes ou brigando contra parasitas internos. O silêncio, nesses casos, não faz dele uma fêmea, apenas um macho sem disposição para cantar.
A inspeção física e a certeza do DNA
Há quem tente a velha técnica de soprar as penas da cloaca, mas isso costuma gerar mais dor de cabeça do que respostas seguras. Esse exame visual só entrega algum resultado confiável durante a temporada reprodutiva, quando a carga hormonal altera a anatomia da ave. O macho desenvolve uma papila genital mais saliente, em formato de cone inclinado para a frente, enquanto a fêmea fica com a região arredondada, plana e alargada para viabilizar a passagem dos ovos. Fora desse período específico, tudo volta a ficar idêntico. Tentar manipular um pássaro tão frágil sem treino não apenas gera um estresse imenso como pode lesionar a estrutura pélvica do animal.
Quando você realmente precisa da resposta, seja para organizar o plantel de criação sem perder tempo ou para dar um nome definitivo ao companheiro de quarto, o teste genético por DNA resolve a questão sem margem para erro. O processo é rápido, seguro e muito pouco invasivo. Basta puxar delicadamente três ou quatro penas pequenas da região do peito ou do abdômen, conferindo se o bulbo da raiz veio intacto, e postar a amostra em um envelope para análise laboratorial. O resultado chega sem sustos e sem a necessidade de manuseios perigosos na gaiola.
Fique atento apenas a um detalhe crucial de saúde que costuma enganar tutores de primeira viagem. Se um canário que cantava sem parar fica quieto de uma hora para outra e passa a apresentar chiados, estalos ao respirar ou cauda oscilando à noite, a questão não é o sexo da ave. Mudanças bruscas assim costumam indicar problemas respiratórios graves como ácaros de traqueia ou infecções bacterianas. Nesse cenário, deixe as teorias de lado e leve o bichinho direto a um veterinário especializado em aves para que ele receba o tratamento correto e volte a encher a casa de música.








