Cachorro com prisão de ventre: o que pode ser?

Você acorda, pega a pazinha para recolher a sujeira do quintal ou da calçada durante o primeiro passeio do dia e percebe que o cocô do cachorro simplesmente não está lá. O cão faz aquela postura clássica, força um pouco, olha para trás com uma expressão meio confusa, mas nada acontece. A prisão de ventre em cães é a dificuldade ou a total incapacidade de evacuar, um problema que geralmente surge por causa de uma dieta inadequada, falta de água suficiente, sedentarismo, dores nas articulações na hora de fazer força ou até mesmo pela ingestão de algum objeto que travou o caminho.
Sabe quando a rotina aperta, a gente passa o dia inteiro sentado diante do computador, bebe só duas xícaras de café e quase esquece da garrafinha de água? O corpo começa a reclamar e o intestino simplesmente entra em greve. Com os cachorros acontece exatamente a mesma coisa. Quando o cão bebe pouca água, o organismo dele tenta se defender da desidratação puxando o máximo de líquido possível de dentro do intestino grosso. O resultado desse processo é um bolo fecal seco, empedrado e extremamente difícil de expulsar. Se a isso somarmos uma rotina sem passeios longos, o motor do corpo desacelera e o trânsito intestinal para de funcionar no ritmo certo.
O perigo silencioso dos ossos e restos de comida
Existe uma mania antiga de achar que cachorro foi feito para comer qualquer coisa, inclusive restos de churrasco. É bem comum a cena em que alguém na mesa joga um osso de galinha ou um pedaço de espiga de milho para o pet, pensando em fazer uma carafunha. Acontece que os ossos cozidos perdem a flexibilidade natural e viram verdadeiras lascas pontiagudas. Quando o cão engole, essas farpas podem machucar o aparelho digestivo ou se juntar com outros resíduos, formando uma massa dura que bloqueia a passagem.
O mesmo vale para caroços de frutas e pedaços de espiga de milho. Eles não são digeridos pelo organismo canino e funcionam como uma rolha física no meio do tubo digestivo. Pedaços de brinquedos de borracha destruídos e panos engolidos sem que ninguém visse também entram nessa lista de itens que param o trânsito do estômago e dos intestinos. Se o seu cão tem o hábito de mastigar o que não deve, a atenção precisa ser redobrada no ambiente da casa.
Quando a dor fala mais alto que a vontade
A gente costuma culpar apenas o que o cachorro comeu, mas a prisão de ventre às vezes tem uma raiz completamente diferente. Pense em como fica o seu corpo se você acorda com uma crise daquelas na coluna ou no joelho. A última coisa que você quer fazer é um agachamento profundo, não é mesmo? Com cães que sofrem de problemas ortopédicos, como displasia coxofemoral ou luxação de patela, o raciocínio é parecido. Para defecar, o cachorro precisa assumir uma postura de agachamento que exige esforço das articulações e dos quadris. Se essa posição dói, o animal prefere segurar as fezes ao máximo para evitar o sofrimento. O cocô fica retido lá dentro não por falta de vontade do intestino, mas pelo medo da dor física.
Isso aparece bastante em cães idosos ou em raças que têm predisposição genética a esses desgastes nas juntas. Os vira-latas muitas vezes carregam a fama injusta de terem uma resistência blindada contra qualquer problema de saúde. Eles merecem o mesmo cuidado com a alimentação e as articulações que qualquer outro pet da casa. A falta de tônus muscular na velhice também atrapalha o esforço natural que o corpo precisa fazer para esvaziar o intestino.
O que você pode fazer em casa e o que deve evitar
Evitar que o problema apareça é sempre o caminho mais curto para manter a saúde do seu companheiro em dia. Deixar potes com água limpa e fresca espalhados pelos cômodos, com o líquido trocado com frequência ao longo do dia, estimula o animal a beber mais vezes. Para os cães que parecem ignorar o bebedouro tradicional, vale a pena testar os modelos em formato de fonte, já que a água em movimento constante costuma atrair bastante a curiosidade deles.
Manter o hábito de passear todos os dias também mexe literalmente com o corpo do pet. A caminhada estimula os movimentos naturais que empurram o que está dentro do intestino em direção à saída. Se precisar mudar a marca da ração, faça essa transição de maneira bem devagar ao longo de sete dias, misturando o alimento antigo com o novo para não bagunçar a flora intestinal. O uso de fibras na comidinha, quando indicado por quem entende, costuma dar um volume melhor ao bolo fecal e ajuda o processo a fluir sem drama.
Aqui vai um aviso importante: nunca tente resolver a situação com receitas da internet ou remédios humanos por conta própria. Aquele conselho antigo de jogar azeite na comida ou dar um copo de leite pode parecer inofensivo, mas costuma gerar um estrago ainda maior. O azeite pode atrapalhar a digestão de nutrientes importantes, e o leite de vaca frequentemente causa diarreias intensas porque a maioria dos cães adultos não tolera bem a lactose. Qualquer substância para destravar o intestino precisa passar pelo crivo do veterinário.
Sinais de que passou da hora de correr para o veterinário
Ficar dias seguidos sem conseguir evacuar não é algo normal e pede atenção imediata, especialmente se o cão apresentar outros sintomas preocupantes. Procure ajuda profissional sem demora se ele passar mais de um dia inteiro sem conseguir fazer nada, se começar a vomitar, ficar com aquela carinha de prostrado, chorar de dor na hora de tentar a evacuação ou parar de comer e beber. Barriga dura, inchada ou dolorida ao toque também é sinal vermelho, assim como ver sangue vivo ou algum rastro escuro nas poucas fezes que ele consegue eliminar.
Sempre que houver a menor suspeita de que ele tenha engolido um objeto perigoso, como pedaços de brinquedo, ossos ou caroços, a consulta deve acontecer o quanto antes para prevenir danos sérios. Acompanhar a digestão do seu cão é uma questão de prestar atenção nos hábitos diários e não hesitar em buscar ajuda quando perceber que o ritmo normal travou. As informações deste texto servem para orientar e educar, mas nunca substituem a avaliação do veterinário.



