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Cachorro com secreção no olho: o que pode ser?

Resposta rápida

A secreção no olho do cachorro pode decorrer desde irritações ambientais, olho seco e alergias até infecções sistêmicas graves como cinomose e leishmaniose. O tipo de descarga varia de transparente e fluida até amarelada, esverdeada e espessa, exigindo atenção veterinária rápida se houver dor, febre ou fraqueza.

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Cachorro com secreção no olho: o que pode ser?

SaúdePor 🕒 5 min de leituraAtualizado em
Ilustração de cachorro

Você senta no sofá para tomar o primeiro café da manhã e percebe que seu cachorro veio dar o bom dia de sempre, mas traz algo a mais. O canto dos olhos dele está acumulando uma sujeirinha diferente, um pouco mais grossa ou com uma cor que não estava ali ontem. A secreção no olho do cachorro é um sinal clínico genérico que pode decorrer de irritações ambientais e alergias, de afecções anatômicas palpebrais e oftálmicas como olho seco e entrópio, ou até de infecções sistêmicas graves como cinomose e leishmaniose.

A partir daqui, a conversa precisa ser prática. Afinal, por que será que isso acontece com tanta frequência na rotina de quem tem um cão em casa?

Entendendo os tipos de secreção e o que eles significam

A primeira coisa que ajuda a entender o problema é olhar para a textura e a cor da sujeira. Nem toda remela tem o mesmo peso clínico, e saber diferenciar o que é normal do que é sinal de alerta evita muita dor de cabeça.

Se você notar apenas uma gotinha de líquido transparente ou uma casquinha seca bem pequena no canto do olho logo cedo, respira fundo. Uma quantidade mínima de secreção serosa ou fluida pode ser apenas o resultado de uma noite de sono e da poeira natural do ambiente. É o equivalente canino àquela sujeirinha que nós mesmos tiramos ao acordar sem grandes preocupações.

Por outro lado, quando o líquido ganha uma consistência viscosa e esbranquiçada, parecendo um muco, a história muda de figura. Isso costuma apontar para inflamações crônicas ou para uma falta de lubrificação adequada na superfície do olho, o famoso olho seco.

Agora, se a secreção for amarelada ou esverdeada, espessa e com aspecto purulento, o sinal de alerta acende de verdade. Esse tipo de descarga costuma indicar a presença de infecções bacterianas secundárias ou processos virais que exigem atenção veterinária rápida para evitar complicações maiores.

O problema vai além de um simples cisco

Existe uma tendência enorme em achar que qualquer incômodo nos olhos do cachorro se resolve sozinho ou com uma limpeza rápida com água. Acontece que a anatomia de algumas raças predispõe a problemas bem mais complexos e estruturais.

Cães de focinho curto e olhos saltados, como Pugs, Shih-tzu e Lhasa Apso, sofrem constantemente com olhos lacrimejantes e pálpebras que irritam a córnea por causa do formato do crânio. Já raças como o American Bully costumam apresentar com certa frequência o chamado olho de cereja, que é o deslizamento de uma glândula no canto interno do olho, formando uma massinha avermelhada que salta para fora de repente.

Nenhuma dessas condições estruturais se resolve apenas com um paninho úmido. Tentar adivinhar a causa em casa sem olhar o todo pode atrasar o tratamento de doenças graves que afetam diretamente a visão do animal.

A secreção pode ser a ponta do iceberg

Um dos maiores riscos de deixar uma secreção persistente de lado é pensar que a questão se resume apenas ao que acontece na superfície do olho. Em filhotes que ainda não tomaram todas as vacinas, aquela descarga amarelada e grossa, acompanhada de febre ou desânimo, pode ser um dos primeiros indícios da cinomose, uma infecção viral bem pesada que mexe com o organismo inteiro.

Já nos cães adultos e mais velhos, principalmente em certas regiões, quando a secreção vem junto com vermelhidão e pelagem falhada ao redor dos olhos, vale redobrar a atenção para a leishmaniose. É aquela alteração que costuma desenhar marcas parecidas com óculos na cara do cachorro. Como o parasita é transmitido por mosquito e afeta o corpo todo, fechar o diagnóstico cedo com o veterinário muda completamente o rumo do tratamento.

O que você pode e o que jamais deve fazer em casa

Quando surge um olho remelado, o impulso imediato de muita gente é buscar no armário aquele colírio que sobrou da última consulta ou pegar emprestado o remédio de casa. Essa é a armadilha mais perigosa de todas.

Pingar um colírio com corticoide sem saber o que está acontecendo pode provocar o derretimento da córnea se o cachorro estiver com uma ferida oculta no olho. O preço dessa tentativa de economizar a consulta pode ser a perda definitiva da visão do seu parceiro.

Receitas caseiras também entram na lista de proibições de qualquer profissional sensato. Chás naturais não são produtos esterilizados e podem facilmente introduzir fungos ou bactérias perigosas em um olho que já está vulnerável. Aquela velha água boricada, muito usada antigamente, costuma agredir ainda mais a mucosa em vez de trazer alívio.

Caso precise remover o excesso de sujeira antes de sair rumo à clínica, use apenas gaze limpa umedecida com soro fisiológico. Limpe com delicadeza, sempre puxando do canto de dentro para fora, e pegue um pedaço novo de gaze para cada olho para não espalhar sujeira de um lado para o outro.

Se o cachorro estiver desesperado para esfregar a cara no tapete ou nas patas, colocar um colar protetor em formato de abajur por precaução impede que ele piore a lesão com as unhas enquanto você resolve a situação.

Quando o caso vira uma emergência

Nem toda remela exige largar tudo e correr para o plantão veterinário de madrugada, mas certas situações não permitem esperar até o dia seguinte. Busque atendimento imediato se o cão mantiver o olho travado, fechado, demonstrando dor só de chegar perto.

Outros cenários que pedem pressa envolvem notar o olho com uma mancha esbranquiçada ou leitosa, ver traços de sangue na região ou perceber que a secreção veio acompanhada de febre alta, fraqueza extrema ou vômito.

Olhar para a saúde ocular do seu cão com responsabilidade significa aceitar que um incômodo aparentemente bobo pede a avaliação de um profissional capacitado para acertar o remédio e evitar surpresas ruins.

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