Tartaruga tem sangue nas fezes: o que pode ser?

Você vai trocar o papel toalha do recinto do seu jabuti ou limpar a área seca do aquaterrário do seu tigre dágua de manhã cedo, como de hábito, e de repente nota um rastro avermelhado ou manchas escuras que definitivamente não deveriam estar ali. A primeira reação costuma ser um misto de surpresa e calafrio. Afinal, tartaruga tem sangue nas fezes: o que pode ser?
A presença de sangue nas fezes ou na cloaca de um quelônio é um sinal clínico de alta gravidade que indica desde infecções severas e parasitas agressivos até lesões por corpos estranhos ou prolapsos orgânicos, exigindo atendimento urgente com um veterinário especializado em animais silvestres. A cloaca desses animais funciona como uma verdadeira estação central de tráfego. Por ali passam três linhas distintas, que são o final do intestino, o canal urinário e o sistema reprodutor. Quando você enxerga sangue junto com as excretas, nem sempre a origem é o trato digestivo. O problema pode estar na bexiga, nos órgãos reprodutores ou na própria estrutura externa da cloaca.
O que costuma provocar esse sangramento interno
A lista de suspeitas é extensa e quase nunca aponta para algo simples que se resolve sozinho. Entre as causas mais comuns estão os parasitas microscópicos, como a amebíase, que destroem a mucosa do intestino e provocam diarreias sanguinolentas e graves perdas de peso. Vermes intestinais em grande quantidade também causam microescoriações na parede entérica pelo simples atrito e esforço.
Outro ponto crítico envolve a alimentação incorreta e o ambiente. Tartarugas e jabutis mantidos em temperaturas baixas perdem a capacidade de digerir os alimentos adequadamente. O trânsito intestinal para, ocorre uma fermentação perigosa e as bactérias que vivem pacificamente no organismo acabam agredindo a parede do intestino. Há também a mania curiosa desses animais de mastigar o que encontram pela frente. Pedacinhos de plástico, cascalho de aquário, areia ou pedras engolidas acidentalmente raspam e furam o trato digestivo no caminho.
No caso dos jabutis terrestres, a falta de fibras e de água costuma gerar fezes duras e ressecadas conhecidas como fecalomas, cujo esforço extremo para eliminar acaba rompendo vasos sanguíneos locais e gerando feridas dolorosas. Antes de se desesperar completamente, vale a pena olhar com um pouco mais de cautela para o histórico recente do animal. Você ofereceu beterraba, mamão ou flores coloridas de hibisco nos últimos dias? Alguns alimentos contêm pigmentos fortes que tingem as fezes e a água do recinto com um tom avermelhado assustador, simulando sangue sem que haja nenhuma lesão real. A única forma de separar o susto alimentar do problema clínico real é o exame microscópico das fezes, que busca a presença real de hemácias e agentes patogênicos.
Quando o problema está na cloaca ou no sistema reprodutor
Nos machos, por exemplo, não é tão raro ver episódios em que uma estrutura avermelhada acaba saindo para fora durante um esforço ou momento de excitação. Quando essa parte fica exposta ao ar seco ou raspa no chão, o tecido sofre feridas imediatas e sangra bastante, sujando tudo o que passa por ali logo depois. Já nas fêmeas, a dificuldade para botar ovos ou outros problemas no aparelho reprodutor podem romper vasos lá dentro ou projetar o canal para fora, fazendo com que coágulos e sangue fresco apareçam na saída. Em qualquer um desses casos, tentar empurrar o tecido de volta para o lugar com os dedos é uma manobra arriscada que pode rasgar os órgãos e provocar infecções generalizadas sem volta.
Ao enxergar sangue, vale a pena seguir alguns passos simples de segurança enquanto você corre atrás de atendimento profissional. Mude o animal de lugar, colocando-o numa caixa limpa forrada apenas com papel toalha branco e seco, e livre-se de qualquer sujeira solta como areia, terra ou pedrinhas para impedir que grudem nas feridas abertas. Deixe o espaço bem quentinho, já que o corpo desses bichos funciona com a ajuda do calor de fora, e o frio só piora qualquer doença. Se der, guarde um pedaço do bolo fecal ou faça uma foto bem clara para o veterinário examinar.
Tente resistir àquela vontade imediata de dar remédio por conta própria. Nunca use pomadas de farmácia humana, álcool, nem dê sobras de vermífugos ou antibióticos pensados para cães e gatos. Uma dose mal calculada pode ser o tiro de misericórdia para um organismo que já não está bem. Aproveite também para lavar as mãos com bastante água e sabão sempre que mexer no animal. As fezes desses bichos costumam carregar germes perigosos para a gente, como a salmonela, exigindo cuidado com a limpeza de todo mundo em casa. Cuidar de um bicho silvestre pede olho vivo nos detalhes, mas manter a cabeça no lugar na hora do susto é o que garante que ele volte a circular por aí com saúde.




