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Tartaruga range os dentes: quando procurar um veterinário?

Resposta rápida

A tartaruga, o cágado ou o jabuti não possuem dentes e o som que parece um ranger vem do atrito do bico córneo. Procure um veterinário especializado se o barulho não parar, vier acompanhado de falta de energia, baba grossa, bico alterado ou se o animal passar as patas no rosto.

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Tartaruga range os dentes: quando procurar um veterinário?

SaúdePor 🕒 4 min de leitura
Ilustração de tartaruga

Imagine a cena. Você está sentado na sala num fim de tarde silencioso, com a atenção voltada para a TV ou um livro, quando de repente escuta um barulho seco e repetitivo vindo do terrário ou do aquaterrário. Um som que lembra pequenos estalos ou o atrito de algo duro. Você se aproxima, olha para a tartaruga, para o jabuti ou para o cágado e pensa que o bichinho resolveu mastigar o ar ou que está rangendo os dentes.

Tartarugas, cágados e jabutis simplesmente não possuem dentes. O som que você ouve não é o ranger de dentes convencional, mas sim o atrito do bico córneo do animal, conhecido tecnicamente como ranfoteca. Quando esse atrito se torna frequente, costuma ser o sinal de que algo vai mal, indicando desde dor intensa e infecções na boca até deformidades ósseas causadas por problemas na alimentação e na iluminação.

Mas por que o bico do animal estalaria a ponto de parecer um dente rangendo? Para entender o fenômeno, vale olhar para a anatomia desses animais. O bico de um quelônio é feito de queratina, o mesmo material das nossas unhas, sobreposto diretamente aos ossos da mandíbula e da maxila. Na natureza, esse bico sofre um desgaste natural constante porque o animal passa o dia mordiscando alimentos fibrosos, folhas duras e gramíneas. Quando o bico cresce errado ou o osso da mandíbula se deforma, as superfícies superiores e inferiores deixam de se encaixar direito. É aí que o atrito mecânico irregular acontece, gerando aquele ruído incômodo que chama a atenção de qualquer tutor atento.

O que está por trás do barulho

E o que leva o bico a ficar desalinhado ou a boca a incomodar tanto a ponto de produzir esse som? A causa mais comum por trás desse desajuste é a Doença Óssea Metabólica, um problema que surge quando o animal vive sem uma proporção adequada de cálcio e fósforo na dieta, além da falta de radiação ultravioleta essencial para o metabolismo dele. Sem sol direto de verdade ou lâmpadas específicas para répteis, os ossos do crânio enfraquecem e perdem densidade. O maxilar e a mandíbula mudam de eixo, o bico cresce de forma desproporcional e a boca perde o encaixe perfeito.

Outra hipótese que costuma fazer o animal estalar ou abrir e fechar a boca sem parar é a estomatite, uma inflamação na boca que geralmente surge por causa de infecções. O bico machucado, tomado por feridas ou placas na mucosa, faz o bicho tentar encontrar algum alívio esfregando a cabeça ou mexendo a mandíbula de um jeito pouco natural. Nos cágados e nas tartarugas que vivem na água, ruídos na região bucal ou a mania de ficar com a boca aberta o tempo todo também apontam para infecções respiratórias sérias, a exemplo da pneumonia. A falta de ar obriga o quelônio a alterar os movimentos da cabeça e do maxilar na tentativa desesperada de conseguir oxigênio.

Quando procurar ajuda profissional

Se o barulho não para, o caminho mais sensato é marcar uma avaliação com um veterinário que entenda de animais silvestres e exóticos. Só o profissional consegue examinar a boca do bicho com segurança, checar o estado daquele bico córneo e descobrir se existe infecção ou enfraquecimento nos ossos. Até chegar o dia da consulta, vale a pena dar aquela conferida caprichada nos cuidados do dia a dia. O seu pet tem tomado banhos de sol de verdade, sem barreiras de vidro ou plástico bloqueando os raios ultravioleta essenciais para ele? A comida oferecida tem fibras de sobra e os nutrientes necessários?

Muita gente sente aquela vontade irrefreável de pegar uma lixa ou um alicate de unha para tentar consertar o bico torto do animal em casa. Segurar esse impulso é estritamente necessário. O bico está ligado a ossos bastante frágeis e qualquer tentativa amadora de corte pode provocar fraturas, sangramentos e uma dor desnecessária para o bicho.

Estalos isolados logo depois que o animal come algo mais duro até podem aparecer esporadicamente, desde que ele continue animado e comendo com vontade. Por outro lado, se o som vier acompanhado de falta de energia, baba grossa, bico com formato claramente alterado ou a mania constante de passar as patas no rosto, a visita ao consultório vira prioridade. Esse ruído estranho funciona como um pedido de socorro do organismo. Com o diagnóstico certo e ajustes rápidos na comida e no recinto, o animal recupera o bem-estar e o silêncio volta a reinar na sala.

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