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Tartaruga-de-orelha-amarela: características e cuidados

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A tartaruga-de-orelha-amarela é uma espécie semiaquática exótica que pode atingir até 35 cm de carapaça, pesar 3 kg e viver por décadas, sendo que sua posse é proibida no Brasil. Quem convive com répteis precisa investir em um aquaterrário espaçoso com água aquecida, lâmpadas específicas e muita disposição para a manutenção.

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Tartaruga-de-orelha-amarela: características e cuidados

RaçasPor 🕒 4 min de leitura
Ilustração de tartaruga

Sabe aquela cena clássica do filhote de tartaruga do tamanho de uma moeda de dez centavos nadando num aquário redondo de plástico com uma palmeirinha de mentira no centro? Pois é, aquela imagem fofa esconde uma realidade bem diferente do que muita gente imagina quando pensa em ter um réptil desses em casa.

A tartaruga-de-orelha-amarela é uma espécie semiaquática exótica originária da América do Norte que, ao contrário do que diz a lenda urbana dos pet shops do passado, não fica pequenininha para sempre. Na fase adulta, ela pode atingir entre 20 e 35 cm de carapaça, pesar cerca de 3 kg e viver por décadas. Mais do que isso, a importação, a criação comercial e a posse dessa espécie específica são proibidas no Brasil por causa do risco ambiental que ela representa se for solta na natureza. Se você quer uma tartaruga d'água legalizada por aqui, a única opção permitida é a nossa nativa tigre-d'água brasileira, adquirida exclusivamente com nota fiscal e microchip de criadouros autorizados.

Mas por que tanta burocracia e tamanho alarde por causa de um bicho que parece tão inofensivo?

Para começar, aquele filhotinho bonitinho cresce muito rápido. O aquário de mesa que cabe no canto da escrivaninha logo se torna um problema de espaço. Um adulto precisa de um aquaterrário espaçoso, com capacidade mínima de 120 litros de água limpa, além de uma área seca para descansar.

E aqui entra um ponto que costuma pegar muita gente de surpresa. Répteis são animais que não produzem o próprio calor interno. Eles dependem totalmente do ambiente para regular a temperatura do corpo, o que transforma a montagem do recinto em uma pequena engenharia.

A água precisa ficar sempre morna, entre 24°C e 28°C, controlada por um aquecedor com termostato. Na parte seca, onde o animal faz o famoso ritual de esticar as pernas para tomar sol, uma lâmpada térmica precisa manter o ambiente entre 30°C e 35°C.

A luz também cumpre outra função vital. Sem uma lâmpada que emita radiação ultravioleta do tipo B, a tartaruga não consegue sintetizar vitamina D3. Sem essa vitamina, o corpo dela simplesmente não absorve o cálcio da comida, o que resulta na temida doença óssea metabólica, deixando o casco mole e causando deformações irreversíveis.

A rotina de alimentação e cuidados com o recinto

A comida que vai no prato também muda bastante com o passar dos anos. Na infância, elas funcionam como pequenas máquinas de caça e exigem muita proteína animal para dar conta daquele pique de crescimento. Com a idade avançada, viram onívoras e passam a aceitar bem vegetais folhosos escuros, como couve e almeirão.

A refeição acontece na água, já que o líquido ajuda o bicho a engolir tudo direitinho. Dar alface comum é uma cilada clássica, porque o legume tem muita água e poucos nutrientes, servindo basicamente para causar diarreia. O fundo do recinto também merece atenção redobrada. Esqueça o cascalho miúdo ou aquelas pedrinhas coloridas. Como elas passam o tempo todo mordiscando o que encontram no piso em busca de petiscos, engolir uma pedra menor provoca uma obstrução intestinal grave e com risco real para a vida. O fundo fica melhor pelado no vidro ou forrado apenas com pedras grandes, impossíveis de serem engolidas.

A sujeira acumulada exige um filtro potente, capaz de rodar e limpar todo o volume de água várias vezes por hora. E, por mais tentador que pareça deixar o bicho passear pela casa para esticar as pernas, o piso da sala é um ambiente hostil. Fora da água, a tartaruga sofre com desidratação, estresse e perde o contato com a umidade que os rins tanto precisam.

A convivência pede alguns cuidados básicos de higiene. Répteis carregam bactérias como a salmonela no intestino sem demonstrar qualquer sinal de doença. Lavar as mãos com água e sabão depois de mexer na água ou tocar no casco não é exagero, mas sim o mínimo para evitar problemas de saúde na família.

Se você notar que o animal começou a nadar de lado, perdeu a capacidade de afundar, rejeita comida mesmo com a água aquecida, está com os olhos inchados ou exibe manchas brancas no casco, não adianta buscar respostas em fóruns da internet. Esses indícios revelam que a saúde vai mal e exigem a consulta com um veterinário especializado em animais silvestres.

Manter uma tartaruga em casa pede estrutura, investimento de espaço e disposição para o longo prazo. Com o ambiente ajustado e a manutenção em dia, você garante que o pet viva bem por muitos e muitos anos.

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