Pular para o conteúdo

Shih-tzu: características, temperamento e cuidados

Resposta rápida

O Shih-tzu é um cão pequeno, dócil e ótimo para apartamento, mas que exige três cuidados inegociáveis: peitoral em vez de coleira de pescoço, proteção contra o calor e uma rotina que evite tédio. A raça é sensível à solidão e tem predisposição a problemas respiratórios e de traqueia.

Ler artigo completo ↓

Shih-tzu: características, temperamento e cuidados

RaçasPor 🕒 6 min de leitura
Ilustração de Shih Tzu

Você conhece a cena: aquele focinho achatado dormindo no sofá, roncando como um motorzinho velho, e de repente abre um olho só porque ouviu o barulho do pacote de petisco. É o Shih-tzu em sua essência.

Se você está pensando em ter um, ou já tem um e quer entender melhor o que faz essa raça funcionar, o Shih-tzu é um cão pequeno, extremamente afetuoso e ótimo para apartamento, mas que exige três cuidados inegociáveis: peitoral em vez de coleira de pescoço, proteção contra o calor e uma rotina que evite tédio e broncas. O resto é detalhe, e a gente vai destrinchar agora.

Como ele é: características físicas

O Shih-tzu é um cão de companhia de pequeno porte, com pelagem longa e abundante, crânio arredondado e aquele focinho encurtado que todo mundo acha fofo. Aqui vai o porém: esse focinho achatado (o termo técnico é braquicefalia) é também o ponto fraco da raça.

Pense assim: o cachorro se resfria principalmente pela respiração, arfando. O focinho curto reduz a área onde essa troca de calor acontece, então o Shih-tzu esquenta mais rápido e se resfria pior do que um cão de focinho comprido. É como tentar correr sob o sol do meio-dia respirando por uma máscara apertada. Por isso, passeio em horário quente não é desconforto, é risco real. Manhã cedo e fim de tarde são os horários amigos dessa raça.

Temperamento: o que esperar da convivência

Aqui a raça brilha. O Shih-tzu é sociável, dócil e costuma se dar muito bem com crianças e com outros animais. Late pouco sem motivo, o que os vizinhos de apartamento agradecem, e se adapta muito bem a espaços pequenos.

Mas tem um custo emocional nessa doçura toda: ele é sensível à solidão. Um Shih-tzu que passa o dia inteiro sozinho, sem brinquedo, sem estímulo, tende a desenvolver comportamentos compulsivos. E aí chegamos no assunto que ninguém quer discutir no jantar, mas que muito tutor de Shih-tzu já pesquisou às escondidas.

O elefante na sala: por que tanto Shih-tzu come cocô?

A coprofagia (o hábito de comer fezes) é observada com frequência na raça, e a primeira coisa que você precisa saber é que não existe um "gene do Shih-tzu que come cocô". Isso é mito. O comportamento tem causas variadas, e entender qual é a do seu cão muda completamente a solução.

As causas se dividem em dois grupos:

  • Físicas: verminoses, giardíase, problemas na produção de enzimas digestivas ou ração de baixa digestibilidade. Quando a comida é mal aproveitada, as fezes saem com resíduo de gordura e proteína que, para o faro do cão, cheiram a comida. Se o seu Shih-tzu come fezes e ainda tem diarreia, vômitos ou está emagrecendo, o caminho é o veterinário, não o adestrador.
  • Comportamentais: tédio, ansiedade de separação, busca por atenção e, principalmente, medo de bronca.

A bronca é o problema, não a solução

Essa parte merece atenção porque muita gente ainda repete o erro clássico: chega em casa, vê o cocô no lugar errado e briga, grita ou, pior, esfrega o focinho do cachorro nas fezes. Parece lógico. Não é.

Na cabeça do cão, a conta é outra. Ele não conecta a bronca ao que fez três horas atrás. Ele aprende uma coisa só: fezes perto do tutor geram fúria. A solução genial que ele encontra? Fazer as fezes desaparecerem antes de você chegar. Ou seja, a bronca não resolve, ela fabrica e alimenta o hábito. Nunca use punição desse tipo.

O manejo correto é quase o oposto:

  1. Recolha as fezes imediatamente, sem alarde e sem que ele veja você disputando o "tesouro".
  2. Recompense quando ele faz certo: defecou no lugar correto e se afastou dos dejetos? Petisco e carinho na hora.
  3. Melhore a dieta: ração de boa qualidade e digestibilidade, fracionada em pelo menos duas refeições ao dia, reduz o apelo das fezes.
  4. Enriqueça o ambiente: brinquedos recheáveis, passeios de faro e estímulo mental antes dos períodos sozinho.
  5. Se há gato em casa, atenção redobrada: as fezes de gato são ainda mais atrativas por causa da ração rica em proteína. Caixa de areia em local inacessível ao cão, sem exceção.

Existem suplementos que deixam as fezes com sabor amargo, mas só entram com indicação veterinária e nunca substituem o resto do manejo. Não existe cápsula mágica que resolva tédio.

Coleira de pescoço: aposente hoje

Esse é talvez o cuidado mais importante e o mais ignorado. O Shih-tzu tem predisposição ao colapso de traqueia, uma doença degenerativa em que os anéis de cartilagem que sustentam a traqueia vão perdendo a firmeza. Pense num canudo de plástico flexível: quando você puxa o ar com força, as paredes dele se achatam e o ar para de passar.

Agora imagine esse canudo sendo puxado toda vez que o cão estica a guia no passeio. É exatamente o que a coleira de pescoço faz. O resultado é aquela tosse seca característica, que muita gente descreve como "grasnar de ganso". Se o seu Shih-tzu tosse assim, principalmente quando se empolga ou puxa a guia, não trate como engasgo ou resfriado: leve ao veterinário para investigar.

A prevenção é simples e barata: use sempre peitoral, nunca coleira de pescoço. E mantenha o peso em dia, porque sobrepeso piora o quadro respiratório. Um Shih-tzu gordinho pode ser fofo na foto, mas é um cão respirando com mais dificuldade do que precisaria.

Outros cuidados que fazem diferença

A raça também tem tendência à luxação de patela, que é quando a rótula sai do lugar, algo comum em cães pequenos. Evite incentivar pulos de móveis altos e observe se ele manca ou segura uma patinha de vez em quando. Aquele pulinho do sofá parece inofensivo até o dia em que não é.

Na higiene, a tosa da região perianal e a limpeza do pelo ao redor da boca ajudam a evitar resíduos e problemas de pele. E nos sinais de emergência, não hesite: língua ou gengiva arroxeada, desmaio depois de tosse, ou o cão parado com o pescoço esticado e a boca aberta lutando para respirar pedem atendimento veterinário imediato. Nada de esperar para ver se passa.

Ah, e se alguém te oferecer um "Shih-tzu mini" ou "micro" como algo especial, desconfie. Essas variações não correspondem a padrão oficial da raça e costumam vir acompanhadas de fragilidade de saúde. Pequeno demais aqui não é charme, é risco.

Resumindo a convivência

O Shih-tzu é um companheiro excelente para apartamento, carinhoso e fácil de conviver, desde que você respeite as limitações do corpo dele: peitoral sempre, passeios em horários frescos, comida de qualidade, rotina com estímulo e zero bronca. Feito isso, o que sobra é um cão que quer basicamente uma coisa da vida: estar perto de você, de preferência no sofá, roncando como se pagasse aluguel.

Compartilhar:💬🔗
← Explorar cães

Mais sobre Shih Tzu

Uma nova seleção de leituras a cada visita.

Outros artigos sobre cães

Continue a leitura por aqui.