Quanto tempo vive um Spitz japonês?

Se você já se pegou olhando para aquela nuvenzinha branca e peluda no sofá e pensando em quantas décadas vai poder dividir o tapete da sala com ela, saiba que a resposta costuma ser bem animadora. O Spitz japonês tem uma expectativa de vida média estimada entre 10 e 14 anos.
Para um cão de porte pequeno a médio, que pesa ali entre quatro e onze quilos, essa faixa etária é bastante padrão e até generosa. Afinal, estamos falando de uma raça reconhecida oficialmente por entidades cinológicas internacionais e integrada a programas de criação consolidados. Mas, como toda boa conversa entre amigos, os números oficiais contam apenas metade da história. O que acontece nesses anos todos depende muito de como você cuida do seu companheiro no dia a dia.
Muita gente assume que cães de raças peludas e aspecto delicado exigem uma rotina de cuidados digna de um spa francês. No caso do Spitz japonês, a realidade é bem mais prática, embora exija consistência. A começar pelo maior mito que circula sobre eles: a ideia de que todo aquele pelo branco impecável exige banhos semanais.
Se você colocar seu cachorro debaixo do chuveiro toda semana, vai conseguir exatamente o oposto do que deseja. Banhos frequentes removem a camada de óleos naturais que protege a pele da raça, abrindo as portas para dermatites e coceiras. A pelagem dupla desses cães tem uma estrutura fascinante que funciona quase como um tecido impermeável. Se o seu peludo voltar da caminhada com as patas encardidas de lama, a melhor estratégia é resistir à tentação do chuveiro, esperar a lama secar completamente e passar uma escova. A sujeira simplesmente se solta sozinha.
A rotina de cuidados na prática
Para manter essa pelagem bonita e a saúde em dia, a regra de ouro é simples. A escovação deve acontecer uma vez por semana durante a maior parte do ano. A única exceção acontece duas vezes por ano, quando a raça passa pela troca intensa de subpelo. Esse período dura poucas semanas e transforma a casa em uma espécie de cenário de tempestade de neve fofa. Nessas épocas, a escovação vira um compromisso diário para ajudar o animal a eliminar os pelos mortos sem sufocar a casa.
Quanto aos banhos, o melhor caminho é espaçá-los bastante, limitando a frequência a uma vez por estação do ano, a menos que ele decida nadar em alguma substância realmente problemática. Vale a pena observar como o pelo responde a essa rotina mais seca, pois a maioria dos tutores se surpreende ao descobrir que menos água significa um animal mais limpo e sem odor.
Outro ponto que pega muita gente de surpresa é a necessidade de exercícios. As orelhas triangulares desse cão parecem pequenas antenas de radar sempre atentas, e a carinha sorridente faz com que ele pareça o epítome do conforto caseiro. Por ser compacto, muita gente acha que ele vive feliz apenas circulando pelo apartamento. Não é bem assim. O Spitz japonês é um cão ativo que precisa de caminhadas diárias ou corridas interativas para queimar energia, evitar o tédio e manter o sistema cardiovascular funcionando a todo vapor.
Atenção à saúde e aos joelhos
Do ponto de vista médico, a raça é considerada robusta e habitualmente saudável, sem aquela lista interminável de problemas genéticos complexos que aparecem em outros tipos de cães. Ainda assim, existe um ponto anatômico que merece vigilância constante dos tutores: a luxação de patela.
Trata-se de uma alteração ortopédica em que a rótula do joelho sai do lugar anatômico correto. Se você notar que o cãozinho começou a mancar de repente, ou se ele dá pequenos saltos esquisitos com as patas traseiras ao caminhar, não ignore. Esses sinais podem indicar problemas no joelho e exigem uma avaliação com um veterinário para um diagnóstico preciso.
O controle do peso anda de mãos dadas com a saúde articular. Alimentar o animal com a ração fracionada em duas porções diárias e resistir à tentação de exagerar nos petiscos é fundamental. O ganho de peso coloca uma sobrecarga mecânica desnecessária nos joelhos e reduz a qualidade e a expectativa de vida do animal.
Convém lembrar também que essa raça tem uma necessidade emocional enorme de companhia. Conhecido carinhosamente como um pequeno comediante, o Spitz japonês foi feito para viver perto da família. Deixá-lo isolado no quintal por longos períodos é receita certa para gerar estresse crônico, latidos excessivos e comportamentos destrutivos, o que acaba cobrando um preço alto da saúde mental do peludo.
Se você notar qualquer mudança brusca no comportamento, apatia, alteração no jeito de caminhar ou sinais de coceira na pele, marque uma consulta veterinária. Cuidar de perto da nutrição, garantir passeios regulares e respeitar a biologia da pelagem são as melhores ferramentas para garantir que aquela convivência alegre dure por muitos anos.








