Quanto tempo vive um Shih-poo?

Imagine a cena: você está sentado no sofá, o cachorro da sua vizinha decide que é um ótimo momento para dar pulos circulares na sua perna, e você se pega pensando quanto tempo aquela criatura peluda e parecida com um ursinho de pelúcia vai ficar por perto para alegrar a casa. Se o animal em questão é um Shih-poo, a resposta costuma ser bastante generosa. Em média, um Shih-poo vive entre 12 e 16 anos.
Conversei recentemente com um amigo que adotou um filhote dessa mistura e a primeira dúvida dele foi exatamente sobre os ponteiros do relógio biológico do animal. Afinal, a gente cria uma expectativa de longo prazo quando decide colocar um ser peludo de quatro patas na rotina da família. Vale um pequeno esclarecimento prático aqui. Não existe um censo estatístico feito exclusivamente para medir a idade exata que essa raça mista alcança em todos os lares do mundo. Esse intervalo de doze a dezesseis anos é uma estimativa muito sólida baseada em duas coisas simples: o fato de o Shih-poo ser um cachorro de pequeno porte, pesando menos de dez quilos, e a expectativa de vida das raças que deram origem a ele, o Shih Tzu e o Poodle.
Na biologia dos cães, existe uma regra curiosa. Quanto menor o cachorro, mais tempo ele tende a viver. Enquanto cães de grande porte costumam desacelerar mais cedo, os nanicos da turma frequentemente passam dos doze anos com uma facilidade invejável. Como o Shih-poo herda essa genética leve, ele larga na frente quando o assunto é longevidade.
Agora, é bem provável que você já tenha ouvido aquela frase clássica de que cachorro misturado tem saúde de ferro e nunca fica doente. Esqueça isso. A ideia de que o cruzamento cria uma espécie de super-herói canino imune a tudo é um mito completo. A genética mista pode ajudar a diminuir a chance de alguns problemas hereditários muito específicos de raças puras com histórico fechado de reprodução, mas não funciona como um escudo mágico contra vírus, bactérias, problemas cardíacos ou o desgaste natural da idade. O seu Shih-poo vai precisar de vacinas anuais, visitas regulares ao consultório médico e controle rigoroso de parasitas exatamente igual a qualquer outro cachorro da vizinhança.
O peso da rotina e os cuidados com o corpo do pet
Outro detalhe que costuma pegar o tutor desprevenido na rotina é a fragilidade da traqueia desses bichos. Se você tem o costume de prender a guia direto na coleira de pescoço daquele seu cãozinho miúdo, pense em como seria tentar caminhar enquanto alguém puxa você pelo colarinho apertado da camisa. É basicamente isso que rola com a garganta dele durante um passeio um pouco mais animado.
Com o passar dos anos, essa pressão constante judia dos anéis de cartilagem que mantêm a passagem de ar aberta, gerando aquela tosse seca que lembra o grasnido de um ganso. A saída para esse problema é bem simples e transforma o passeio do pet: deixe a coleira de pescoço de lado e adote um peitoral, daqueles que abraçam o tronco e dividem a força do puxão de maneira uniforme.
A estrutura delicada desse cruzamento pede uma atenção constante para pequenos sinais que costumam passar batido na correria. Pense naquele momento em que você faz carinho na cabeça do animal. Aproveitar o instante para conferir se os olhos estão limpos, sem lágrimas em excesso ou aquela névoa esbranquiçada, ajuda a perceber qualquer alteração bem no início. O mesmo raciocínio serve para a balança. Controlar o peso evita que a gordura extra aperte o peito, o que dá um alívio enorme para a respiração e poupa as articulações das pernas de trás.
A chegada da maturidade
Conforme os ponteiros avançam, a rotina dentro de casa também pede uma dose de adaptação. Por volta dos sete anos de idade, o seu Shih-poo entra oficialmente na turma dos mais velhos. Aquela pilha elétrica de filhote vai cedendo espaço para sonecas prolongadas e para uma paixão declarada por um cantinho ensolarado no sofá. É aquele momento em que o peludo não rejeita uma volta na rua, mas prefere trajetos mais curtos, camas bem macias e pausas longas para apenas acompanhar o movimento ao redor.
Nessa fase, o tutor assume o papel de um observador mais atento. Cães de pequeno porte nessa faixa etária carregam uma tendência maior para problemas no coração, questões respiratórias e o surgimento de catarata. Um exame de rotina que acontece todo ano, e que vira semestral conforme os pelos brancos se espalham pelo focinho, vale ouro para contornar qualquer complicação antes que ela vire um problemão. Ficar de olho nos olhos, notar se a respiração segue tranquila e vigiar o ponteiro da balança são atitudes simples que ajudam o animal a chegar firme e forte à velhice.
No fim das contas, ver o pet alcançar a marca dos quinze anos esbanjando energia não é apenas uma questão de sorte genética. Isso depende muito mais de escolhas diárias sensatas, comida de boa qualidade na tigela, visitas regulares ao consultório e de um dono disposto a aposentar a coleira de pescoço em favor de um passeio leve e seguro.








