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Qual é a gaiola ou viveiro ideal para Periquito-australiano?

Resposta rápida

A gaiola ou viveiro ideal para o periquito-australiano precisa ser retangular e horizontal, medindo no mínimo 60 centímetros de largura por 50 de profundidade e 60 de altura para um casal. Como a ave tem hábitos de voo plano, evite modelos altos e estreitos e priorize aramados atóxicos.

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Qual é a gaiola ou viveiro ideal para Periquito-australiano?

EspéciesPor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de Periquito-australiano

A cena é clássica. Você entra numa loja de animais, olha para o alto e vê aquelas gaiolas redondas, cheias de penduricalhos brilhantes, parecendo um pequeno palácio vitoriano em miniatura. Dá vontade de levar o conjunto completo para casa. Mas será que é isso mesmo que o seu futuro companheiro precisa? Se você está pensando em adotar um periquito-australiano, a gaiola ou viveiro ideal para o periquito-australiano é retangular, horizontal e tem, no mínimo, 60 cm de largura por 50 cm de profundidade e 60 cm de altura para um casal.

Esqueça as torres altas e estreitas. Muita gente acha que quanto mais alta a gaiola, melhor, porque o animal vai voar para cima e para baixo. Só que o periquito-australiano, conhecido cientificamente como Melopsittacus undulatus, é uma ave de hábitos horizontais e adaptada a áreas abertas. Na natureza, eles cruzam grandes extensões voando em linha reta, e não fazendo acrobacias verticais dignas de um elevador. Se você colocar um periquito em uma gaiola alta e estreita, ele vai se sentir confinado da mesma forma que um corredor de apartamento faz a gente se sentir sem conseguir esticar os braços. A largura é o que realmente importa para que ele dê pequenas batidas de asa e voos planos de uma ponta à outra.

Como a escolha dos materiais protege a saúde da ave

E tem a questão da segurança do material, que costuma passar despercebida no momento da compra. Como o periquito usa o bico como uma verdadeira terceira mão para escalar as grades e investigar tudo, o aramado precisa ser de primeira linha. Nada de grades galvanizadas baratas com zinco solto ou tintas cheias de chumbo. Esse hábito constante de bicar o metal pode fazer com que a ave ingira micropartículas tóxicas, levando a quadros graves de intoxicação por metais pesados, com problemas neurológicos e inflamações severas no sistema digestivo. Vale investir em um recinto com acabamento totalmente atóxico.

Outro detalhe que costuma enganar o tutor iniciante é o piso e os poleiros que vêm de fábrica. Aqueles bastões de plástico perfeitamente cilíndricos e lisos parecem inofensivos, mas funcionam para a pata da ave como andar o dia todo de salto alto ou descalço num piso de cimento. Com o tempo, a pressão contínua no mesmo ponto da sola gera feridas e calos doloridos conhecidos como pododermatite ulcerativa, que abrem espaço para infecções bacterianas.

A solução para esse incômodo é simples e natural. Substitua os plásticos por galhos de árvores frutíferas não tratadas com pesticidas, como goiabeira ou limoeiro, com casca e diâmetros variados. Isso força os pés da ave a se exercitarem de formas diferentes, além de ajudar a desgastar as unhas de maneira saudável. Posicione esses poleiros nas extremidades da gaiola, deixando o centro totalmente livre para o voo plano.

A rotina e o espaço do periquito em casa

Para manter a cabeça dessa ave ocupada e longe de encrenca, o enriquecimento do ambiente não é capricho, é necessidade básica. Brinquedos simples de madeira sem tratamento ou tiras de papelão cru para desfiar custam pouco e evitam o tédio. Um periquito sem nada para fazer costuma criar manias irritantes e autodestrutivas, como morder a grade feito um prisioneiro inquieto ou gritar sem parar o dia todo. Na hora de organizar a casa dele, instale os potes de água e comida no alto, nunca embaixo do trajeto dos poleiros, a menos que você queira que ele use o próprio almoço como sanitário. E coloque uma banheira rasa removível: a maioria deles adora um banho diário para ajeitar a plumagem.

Essas dimensões que conversamos antes funcionam como ponto de partida, mas a vida real exige alguns ajustes. Se a ideia for manter um bando maior, aquele espaço de sessenta centímetros vira aperto na hora e você vai precisar de um viveiro grande para ninguém disputar território na base da bicada. O mesmo cuidado se aplica se você escolher o periquito-inglês, que é uma variedade mais pesada e corpulenta da mesma espécie, exigindo poleiros com diâmetro maior e uma gaiola mais ampla para não amassar as penas da cauda nas laterais. Caso decida colocar um ninho para reprodução, lembre que aquela caixa de madeira consome um pedaço considerável da área interna e muda toda a circulação de ar do recinto.

No lado prático da legalização, uma boa notícia: o periquito-australiano é classificado oficialmente como animal doméstico pelo IBAMA, conforme a Portaria 93 de 1998. Na prática, isso significa que você não precisa preencher cadastros no SISPASS, pedir autorizações especiais nem guardar pilhas de licenças ambientais para ter o bichinho cantando na sua sala.

O cuidado que você não pode terceirizar é a observação da rotina. Se a ave passar horas encolhida no chão da gaiola, com as penas todas arrepiadas, ignorar a comida ou mostrar qualquer machucado nas solas das patas, trate isso como urgência. Pássaros escondem fraquezas até o último limite por puro instinto de sobrevivência silvestre. Ao notar qualquer alteração desse tipo, procure logo um veterinário especializado em aves em vez de tentar soluções caseiras na internet.

Garantir uma gaiola horizontal espaçosa, madeira limpa para gastar o bico e água fresca todos os dias resolve quase tudo o que o seu companheiro precisa para viver bem por muitos anos.

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