Problemas de saúde comuns no Pastor suíço

Imagine que você acabou de adotar um filhote de Pastor suíço. Ele corre pela sala, escorrega no piso frio com aquela energia típica de cachorro grande e olha para você com uma carinha de quem não fez nada. Dá até vontade de suspirar de paixão. Mas aí bate aquela dúvida comum de tutor de primeira viagem: afinal, que tipo de problema de saúde pode aparecer nessa raça tão bonita e atlética? O principal problema de saúde documentado para o Pastor suíço é uma alteração genética chamada mutação no gene MDR1, que afeta a forma como o organismo lida com certos medicamentos, somada à tendência natural de cães grandes a desenvolverem problemas nas articulações, como a displasia no quadril.
A gente costuma achar que cães de grande porte, com aquela pelagem branquinha impecável e ar de lobo saudável, vieram com garantia de fábrica contra qualquer doença. Só que a biologia não funciona bem assim. Vamos falar primeiro desse assunto genético que costuma assustar quem ouve falar pela primeira vez. O gene MDR1 é o responsável por produzir uma espécie de porteiro químico no corpo do cachorro. Esse porteiro trabalha na barreira que protege o cérebro, além de ajudar a eliminar toxinas pelo intestino, fígado e rins. No Pastor suíço, uma parcela considerável da população carrega uma alteração nesse gene. Quando isso acontece, é como se a portaria do cérebro ficasse sem vigia. Determinados remédios de uso comum, que seriam filtrados sem problema nenhum em outros cães, passam direto para o sistema nervoso central e causam uma intoxicação grave.
Que remédios perigosos são esses?
Aqui mora o maior perigo do dia a dia. Muita gente tem o hábito de comprar vermífugos, remédios para sarna ou antiparasitários em casas agropecuárias sem falar com o veterinário. Para um Pastor suíço portador da mutação, alguns desses produtos podem ser fatais. A ivermectina em doses elevadas para tratamento de parasitas, por exemplo, entra nessa lista preta. O mesmo vale para a loperamida, aquele famoso remédio humano para diarreia que a gente às vezes pensa em dar por conta própria quando o cachorro passa mal. Sedativos comuns usados em clínicas também exigem doses milimetricamente calculadas ou substituição por outras substâncias.
A boa notícia é que o teste genético existe justamente para evitar surpresas. Com uma simples coleta de células da mucosa bucal usando um cotonete próprio, o laboratório descobre se o seu cachorro tem os dois genes normais, se é portador de uma cópia ou se tem duas cópias alteradas. Esse exame é feito uma única vez na vida. De posse desse laudo, o veterinário monta um guia de segurança farmacológica exclusivo para o seu companheiro.
E quanto aos problemas no quadril?
Deixando de lado a farmácia por um instante, o esqueleto do Pastor suíço também merece aquela dose extra de cautela durante a infância. Afinal, estamos falando de um bicho grande que cresce em ritmo acelerado, o que abre margem para a famosa displasia coxofemoral, aquela falha de encaixe entre o osso da coxa e a bacia que dói e atrapalha o movimento. Se você já flagrou o filhote derrapando no piso da cozinha ou disparando em piso duro, testemunhou o cenário ideal para judiar de juntas que ainda estão pegando forma. Cuidar disso desde cedo é simples e envolve coisas prosaicas. Vale espalhar tapetes pela casa para evitar tombos, vigiar a balança com comida de primeira e segurar a onda com corridas pesadas até o corpo dele terminar de se desenvolver.
Sinais de alerta que exigem rapidez
Como o problema do gene MDR1 não dá pinta nenhuma no cotidiano, você jamais vai descobrir a falha olhando para o animal dormindo no tapete. O estrago só aparece quando o bicho cruza o caminho do remédio errado. Se acontecer algum descuido e ele ingerir o que não deve, fique de olho nos sintomas que dão as caras logo em seguida. Baba em excesso, moleza fora do comum, olho arregalado, tropeços esquisitos ao andar, tremores pelo corpo e fraqueza repentina pedem socorro médico sem demora.
O mesmo raciocínio vale para o corpo do bicho. Caso ele comece a poupar uma das patas traseiras ao caminhar, pene para levantar depois da soneca ou corra com aquele jeitinho engraçado de coelho, marque uma consulta com o especialista. Estas orientações servem apenas para informar e nunca dispensam a avaliação de um profissional de confiança. Proteja a rotina do seu parceiro, tire dúvidas sobre qualquer comprimido antes de oferecer ao animal e curta a convivência com a tranquilidade de quem sabe o que está fazendo.







