Problemas de saúde comuns no Pastor maremano-abruzês

Se você está pensando em dividir a casa com um Pastor maremano-abruzês, provavelmente já imaginou a cena: aquela grande nuvem branca de pelo espesso deitada na varanda, parecendo um urso de pelúcia gigante, mas com a postura firme de um guarda-costas profissional. É um cão imponente, rústico e feito para o trabalho duro no campo. Mas, por trás daquela pelagem densa e do ar indestrutível, existem alguns pontos de saúde que todo tutor precisa conhecer de perto para garantir uma vida longa e confortável ao companheiro. O que muita gente esquece é que a própria rusticidade da raça às vezes faz o tutor descuidar dos detalhes.
Quais são os principais problemas de saúde que afetam o Pastor maremano-abruzês?
Isso passa por três frentes principais: a displasia de quadril, a dilatação-volvo gástrica e algumas afeções oculares que exigem monitoramento. Por ser um cão de grande porte e ossatura pesada, a anatomia do Maremano cobra um preço quando o manejo preventivo é deixado de lado. Afinal, carregar um corpo robusto todos os dias exige juntas e órgãos funcionando em perfeita harmonia, sem espaço para improvisos na rotina de cuidados.
Articulações e o desafio da displasia coxofemoral
A conversa sobre a saúde dessa raça quase sempre começa pelos quadris. A displasia coxofemoral é uma condição em que a articulação do fêmur e a bacia não se encaixam como deveriam, gerando um desgaste progressivo da cartilagem. Muita gente pensa que, por ser um cão rústico de fazenda, o Maremano é blindado contra esse tipo de problema ortopédico. Não é bem assim. A genética pesa bastante, mas o ambiente na fase de filhote faz toda a diferença. Permitir que o pequeno corra em pisos escorregadios ou ganhe peso rápido demais acelera o desgaste das articulações antes mesmo de o cão atingir a idade adulta.
Como o tutor pode perceber que algo vai mal nas articulações do cão sem ser um ortopedista? O sinal costuma aparecer de forma sutil, como uma certa preguiça para levantar depois de uma noite de sono, ou aquele jeito meio travado ao subir os degraus da varanda. É o tipo de detalhe que passa despercebido se você não prestar atenção no dia a dia. Por isso, o controle de peso funciona como a suspensão de um carro pesado. Manter o cão magro e bem musculoso evita uma sobrecarga mecânica desnecessária. É a velha história dos amortecedores: quanto menos peso extra eles carregam, mais tempo duram sem apresentar dor ou rigidez articular.
Antes de adquirir um filhote, vale a pena perguntar se os pais passaram por exames radiográficos de quadril, protocolo bastante comum em criadores sérios para tentar afastar genes indesejados da linhagem. Mas a ortopedia não é a única preocupação que ronda o sono do tutor de um cão grande.
Cuidados essenciais com a digestão e a torção gástrica
Outro ponto que merece atenção redobrada é a famosa torção gástrica, cujo nome técnico é dilatação-volvo gástrica. Imagine um cão grande que devora a tigela de ração e sai correndo pela grama logo em seguida. No caso de raças de tórax fundo como o Maremano, o estômago pode se encher de gás e girar sobre o próprio eixo como se fosse um saco torcido. É uma emergência veterinária dramática. O estômago bloqueado impede a circulação de sangue, e o cão pode entrar em colapso em poucas horas.
Como evitar esse susto na rotina da casa? A solução é simples e exige apenas disciplina. Em vez de despejar um pratão cheio de comida uma única vez por dia, divida a ração em duas ou mais refeições menores. E o mais importante: crie uma pausa técnica obrigatória após o rango. Assim como ninguém sai correndo uma maratona logo depois de uma feijoada, o cão precisa descansar por uma ou duas horas depois de comer, sem brincadeiras bruscas ou corridas pelo quintal.
Além das articulações e do estômago, os guias da raça recomendam avaliações oftalmológicas periódicas. Problemas nos olhos podem surgir de forma sutil, e um exame de rotina com o veterinário ajuda a identificar alterações na visão ou na estrutura ocular antes que o quadro se komplique. Afinal, um cão de guarda precisa enxergar bem o que acontece ao seu redor, seja espantando uma folha que voa no quintal ou monitorando a chegada da visita.
O ritual de escovação também serve como um ótimo momento de checagem. Aquela pelagem dupla e resistente às intempéries esconde a pele, exigindo escovação semanal para evitar nós e acúmulo de sujeira. Aproveite para passar as mãos pelo corpo do cão, sentindo se há algum caroço, sensibilidade inesperada ou inchaço escondido sob todo aquele pelo branco. Essa rotina simples de toque cria um vínculo forte e ainda adianta qualquer percepção de mudança física.
A observação atenta em casa funciona apenas como uma triagem inicial do tutor. O diagnóstico definitivo, o tratamento e o planejamento preventivo dependem sempre da avaliação de um veterinário. Se o seu Maremano começar a salivar excessivamente sem motivo, tentar vomitar sem conseguir, ficar com a barriga rígida e muito inchada ou demonstrar inquietação extrema, procure socorro médico imediatamente, pois esses são sinais clássicos de que o estômago pode estar em perigo.
No fim das contas, cuidar de um Pastor maremano-abruzês é uma questão de equilibrar a rusticidade natural da raça com alguns cuidados práticos de manejo. Com a dieta fracionada, o descanso pós-refeição respeitado e as consultas preventivas em dia, a convivência com esse gigante gentil tende a ser longa e tranquila.







