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Problemas de saúde comuns no Mastim inglês

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O Mastim inglês merece atenção especial à torção gástrica e a problemas ortopédicos ligados ao crescimento. O porte gigante também exige investigação de condições hereditárias antes da escolha do filhote.

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Problemas de saúde comuns no Mastim inglês

SaúdePor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de cachorro

Se você já pensou em dividir a sala de estar com um Mastim inglês, provavelmente percebeu que a principal dúvida não é onde vai colocar o sofá, mas sim como manter essa verdadeira força da natureza saudável e inteira por muitos anos. Afinal, olhar para aquele animal de olhar melancólico e pele solta que parece ocupar metade do ambiente faz qualquer um ponderar sobre o que vem pela frente.

A expectativa de vida média do Mastim inglês fica entre seis e dez anos, um número que costuma surpreender quem está acostumado com cães menores. Por trás desse porte colossal, que facilmente ultrapassa os oitenta ou noventa quilos, existe um organismo que exige atenção redobrada a alguns problemas de saúde específicos, liderados pela perigosa torção gástrica, questões ortopédicas de crescimento e certas condições hereditárias que merecem investigação antes mesmo de o filhote chegar em casa.

Vamos conversar sobre o que realmente importa para a saúde desse gigante, sem rodeios ou termos de bula de remédio. Afinal, cuidar de um cão desse tamanho exige entender a mecânica do corpo dele na rotina real.

O maior perigo: a torção gástrica

A emergência médica mais crítica para a raça é a Dilatação Vólvulo-Gástrica, famosa como torção gástrica. Pense no estômago desse cão como um balão largo e pesado que, ao acumular muito gás e alimento, pode rodar sobre o próprio eixo, estrangulando os vasos sanguíneos. É uma situação que exige socorro veterinário imediato e não admite espera até o dia seguinte.

Os sinais de alerta são bem claros na observação diária. Se o cão tenta vomitar de forma improdutiva, insistindo em golfar apenas saliva e espuma, enquanto o abdômen incha e endurece visivelmente, o relógio começa a correr contra a vida dele. Ele fica inquieto, respira com muita rapidez, baba em excesso e pode assumir uma postura típica, com o peito colado no chão e o traseiro empinado.

Para evitar que o estômago do seu cão vire um pêndulo perigoso, algumas regras mudam na rotina da casa. Esqueça a ideia de usar comedouros elevados. Estudos mostram que suportes altos para a vasilha de comida aumentam o risco de torção gástrica em raças gigantes, contrariando o senso comum que muita gente repete por aí. Além disso, divida a ração diária em pelo menos duas ou três refeições menores e proíba qualquer corrida ou pulo logo depois que ele comer.

A corrida de arrancada esquelética dos filhotes

Imagine um filhote que ganha dezenas de quilos em poucos meses. O crescimento do Mastim inglês parece uma obra de construção civil acelerada, onde a estrutura óssea tenta dar conta de uma massa monumental.

Nessa fase, que vai até os dois anos de idade, colocar carga excessiva sobre as articulações é o caminho mais curto para problemas como a displasia coxofemoral e a displasia de cotovelo, que causam frouxidão articular e dor crônica. Por isso, a nutrição precisa ser milimetricamente controlada. Dietas específicas para raças gigantes, com teor de proteína limitado e proporções equilibradas de cálcio e fósforo, evitam que o esqueleto cresça mais rápido do que a capacidade dos ossos de se fortalecerem.

E vale o aviso sobre os passeios da turma jovem. Caminhadas longas, saltos ou subir e descer escadas com frequência são proibidos para filhotes em desenvolvimento. Uma boa regra prática de convivência diz que você nunca deve levar o cão para uma caminhada mais longa do que a distância que você conseguiria carregá-lo de volta para casa caso ele decida se deitar no meio da rua por cansaço ou calor. Afinal, tentar erguer noventa quilos de puro teimoso canino não é tarefa para os fracos.

Almofadas que não devem ser esvaziadas

Conforme o cão cresce e ganha peso, é comum notar o surgimento de bolsas de líquido nos cotovelos. Esses são os chamados higromas cotovelares, que funcionam como uma espécie de calo protetor que o próprio corpo do animal fabrica para amortecer o impacto contra o piso duro da casa.

Aqui mora um erro clássico de quem quer resolver tudo rápido: achar que precisa drenar essa água com uma seringa. Nunca faça isso. O higroma é uma resposta benigna do organismo e tentar esvaziá-lo abre uma porta escancarada para infecções bacterianas graves. A solução correta é simples e caseira, exigindo apenas que você ofereça camas macias, tapetes acolchoados e superfícies forradas para ele descansar sem pressionar diretamente as articulações.

Genética e prevenção no dia a dia da raça

Além do estômago e dos ossos, o Mastim inglês carrega no DNA a predisposição para outras condições que exigem triagem séria. Entre elas estão a atrofia progressiva da retina e a retinopatia multifocal, que afetam a visão, além da mielopatia degenerativa, que compromete a coordenação dos membros posteriores com a idade, e a cistinúria, que pode gerar cálculos renais difíceis.

Quando você for buscar um filhote, a conversa com o criador precisa ser direta sobre os exames dos pais. Reprodutores saudáveis precisam obrigatoriamente passar por avaliações oficiais de quadris, cotovelos, olhos e coração, além de testes de DNA para essas doenças hereditárias. Ignorar essa etapa é comprar um bilhete de loteria com grandes chances de frustração e sofrimento.

Cuidar de um Mastim inglês exige vigilância constante, mas tudo isso é amplamente recompensado pela lealdade incomparável desse gigante gentil. Mantenha as consultas preventivas em dia com um veterinário de confiança, ajuste a rotina de exercícios à fase de vida dele e aproveite cada momento ao lado do seu colosso de quatro patas.

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