Problemas de saúde comuns no Gato branco

Sabe aquela cena em que você chama o gato da sala, balança o sachê, faz barulho com o pote de ração e o bichano continua esticado no sofá, parecendo ignorar completamente a sua existência com uma soberba típica da espécie? Acontece que, se o seu companheiro de quatro patas for um felino de pelagem branca pura, pode não ser puro charme ou desinteresse. Às vezes, ele simplesmente não ouve você.
Os gatos brancos apresentam uma predisposição genética marcante para a surdez congênita, aquela que já nasce com o filhote, e uma fragilidade enorme na pele contra a radiação solar. Não é azar e muito menos falta de cuidado do tutor. É pura genética.
Por trás daquela pelagem imaculada e dos olhos que parecem dois botões de cristal, existe um mecanismo biológico curioso. O mesmo gene responsável por deixar o pelo totalmente branco também interfere na migração de células chamadas melanócitos durante a gestação. Essas células não cuidam apenas da cor; elas exercem um papel estrutural vital no ouvido interno. Sem elas no lugar certo, o tecido vascular da cóclea colapsa e o gatinho perde a capacidade de processar os sons.
Existe um mito de que todo gato branco é surdo, o que não passa de exagero. A ciência mostra que a surdez está muito associada à cor dos olhos. Felinos brancos com olhos azuis ou com heterocromia, que é quando um olho é de cada cor, têm uma chance bem maior de apresentar audição comprometida. Se o gato tiver heterocromia, por exemplo, a surdez costuma aparecer apenas no ouvido do mesmo lado do olho azul. Já os gatinhos brancos com olhos amarelos ou verdes seguem a mesma média de audição dos gatos de outras cores.
Outro ponto que exige atenção redobrada é a pele. Como a pelagem e a epiderme carecem de pigmentação protetora, as áreas com menos pelos e sem cor, como as pontas das orelhas, as pálpebras e o focinho, ficam totalmente desprotegidas contra os raios ultravioleta.
Muitos tutores pensam que o gato de apartamento está imune porque não sai para a rua. Só que a luz do sol passa pelo vidro da janela, bate naquele tapete felpudo onde o gato gosta de esticar a barriga e, com o passar dos anos, essa exposição contínua pode provocar queimaduras, descamação e até o temido câncer de pele felino, conhecido clinicamente como carcinoma de células escamosas.
Como adaptar a rotina e proteger a saúde do seu gato branco
Cuidar de um gato branco pede alguns ajustes simples na rotina, mas que mudam completamente o nível de conforto e segurança dele dentro de casa.
Se o seu companheiro não ouve, pare de levar para o lado pessoal aquela manias de parecer que está te esnobando. A forma como vocês conversam precisa apenas de uma adaptação de canal. Eles costumam compensar a ausência de som com uma percepção visual e tátil fora do comum.
- Avise que você está chegando: Gatos surdos levam grandes sustos se alguém encosta neles do nada. Experimente andar com um pouco mais de firmeza no assoalho para que ele sinta a vibração e perceba a sua aproximação.
- Aposte em códigos visuais: Acender e apagar a luz do cômodo de forma suave ou fazer sinais com as mãos funciona muito bem para avisar que a comida está pronta ou que é hora de interagir.
- Controle a exposição solar: Mantenha o animal em áreas seguras da casa, principalmente nos períodos em que o sol bate direto nos cômodos. Vale a pena instalar películas protetoras nos vidros se a incidência for alta.
- Fuja da automedicação: Jamais passe protetor solar de uso humano ou qualquer creme nas orelhas e no focinho do gato sem conversar com o veterinário antes. Várias fórmulas carregam componentes tóxicos que o animal acaba ingerindo ao se limpar.
Quando procurar o veterinário
Como os gatos têm uma habilidade olímpica para esconder qualquer tipo de dor, manter uma rotina de prevenção é o melhor escudo. O caminho mais seguro envolve consultas de rotina com o veterinário ao menos anualmente, encurtando esse intervalo no caso de animais idosos para checar a pele e a saúde como um todo.
Fique de olho em qualquer sinal diferente no corpo do bichano. Se aparecer alguma vermelhidão que não vai embora, feridas nas pontas das orelhas que parecem estacionadas, descamação, casquinhas ou mudanças na textura da pele, marque uma avaliação sem demora. Identificar lesões provocadas pelo sol logo no início impede problemas sérios no futuro.
Por fim, se o seu gato branco tiver pedigree, compensa trocar uma ideia com o veterinário sobre outras questões hereditárias comuns a certas raças, a exemplo de problemas nos rins. Conhecimento de causa e suporte profissional formam a dupla ideal para o seu felino viver bem e em paz.






