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Periquito-rico fala, canta ou imita sons?

Resposta rápida

O Periquito-rico não fala como um ser humano nem canta como um canário, mas tem uma habilidade impressionante para imitar sons do ambiente por meio do mimetismo vocal. Ele copia barulhos cotidianos como o toque do telefone e pequenos assobios, transformando tudo isso no próprio repertório.

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Periquito-rico fala, canta ou imita sons?

EspéciesPor 🕒 5 min de leitura
Ilustração de ave

Sabe aquela cena em que você está na cozinha, a chaleira apita e, logo depois, o som se repete exatamente igual, só que vindo da gaiola na sala? Dá até a impressão de que tem alguém morando ali de favor. O Periquito-rico não fala no sentido humano nem canta como um canário, mas ele tem uma habilidade impressionante para imitar sons do ambiente por meio do chamado mimetismo vocal. Quem nunca conviveu com um psitacídeo, grupo que inclui papagaios, calopsitas e os periquitos, costuma achar que qualquer ave com bico curvo vai começar a repetir frases inteiras da novela das nove. Com o Periquito-rico, a realidade é um pouco diferente e bem mais interessante.

Diferente das aves canoras, que contam com uma estrutura anatômica especializada para produzir aquelas melodias longas e complexas de tirar o chapéu, o nosso periquito brasileiro é um especialista em copiar barulhos cotidianos. Ele capta o toque do telefone, o chiado do micro-ondas, o estrondo do portão e pequenos assobios, transformando tudo isso no próprio repertório. Por que será que eles fazem isso? Cientificamente, essa repetição não passa de aprendizado social. Na natureza, imitar sons e emitir chamadas específicas ajuda a manter a coesão do bando e o reconhecimento entre os indivíduos. Quando vive em uma casa, a família humana acaba virando o bando dele. Então, se você passa o dia assobiando uma mesma melodia ou repetindo uma palavra curta sempre que entra no cômodo, é bem provável que a ave tente copiar o padrão para interagir com você.

Como estimular e lidar com o comportamento vocal

Acontece que isso varia muito de um indivíduo para outro. Há periquitos que aprendem a imitar vários barulhos da rotina com facilidade, enquanto outros preferem se limitar aos piados rítmicos tradicionais da espécie. Criar expectativas de que a ave vai virar uma tagarela profissional é o caminho mais curto para a frustração. Outro ponto que pega bastante quem está pensando em ter um exemplar é o volume da conversa. De manhãzinha e no fim da tarde, é perfeitamente normal que o periquito emita chamadas mais altas. Trata-se do equivalente aviário a um bom dia e um boa noite coletivos. O problema começa quando o som vira um grito estridente e contínuo ao longo do dia inteiro. Vale a pena questionar a ideia de que a ave faz isso por pura teimosia ou maldade. Na grande maioria das vezes, o grito excessivo é um sinal de alerta de que algo não vai bem. Pode ser tédio, fome, isolamento prolongado ou falta de estímulo sensorial.

Se, toda vez que a ave decide abrir o bico para gritar, alguém corre até lá para mandar calar a boca, o resultado costuma ser o oposto do esperado. Ela aprende rapidinho que o escândalo funciona como um botão mágico para atrair gente. A melhor estratégia para lidar com isso é ignorar o berro e só dar atenção quando o ambiente estiver civilizado. Quer incentivar sons divertidos? Esqueça qualquer tentativa de castigo, bronca ou isolamento no escuro. O único método que traz resultado real é recompensar o comportamento que você aprova. Chegue perto falando mansamente, quase em um sussurro. Esse tom costuma despertar a curiosidade do periquito, que logo entorta o pescoço para tentar entender o segredo. Assim que ele soltar um assobio bacana ou arriscar imitar o seu chamado, reforce o acerto com um petisco adequado ou uma comemoração discreta.

Manter a cabeça de um psitacídeo ocupada é um ótimo antídoto contra o tédio. Disponibilizar brinquedos próprios para rasgar, roer e destruir, além de galhos limpos e seguros de árvores livres de veneno, ajuda a canalizar toda aquela energia guardada. Um bico ocupado destruindo um pedaço de papelão costuma resultar em um ambiente bem mais tranquilo para todo mundo.

A origem legal e os cuidados com a saúde

Existe um detalhe burocrático que pega muita gente de surpresa. O Periquito-rico é um legítimo representante da nossa fauna silvestre. Ao contrário do periquito-australiano, que tem status doméstico, criar um exemplar nacional exige atenção redobrada com a legislação ambiental. Pegar um bicho na natureza ou fechar negócio com vendedores sem procedência é crime, além de incentivar a captura ilegal. Qualquer aquisição precisa vir de criadouros comerciais autorizados pelos órgãos competentes, acompanhada da nota fiscal e da anilha oficial na patinha. O combate ao tráfico de animais começa na hora da escolha consciente.

Por fim, vale prestar atenção nos sinais vitais do pet. Se aquela ave barulhenta e curiosa de repente murcha no poleiro, fica com as penas eriçadas e passa o dia inteiro muda, não ache que ela virou um poço de serenidade. A apatia e o silêncio repentino costumam indicar que o animal não está bem, sofrendo talvez com alguma dor ou problema respiratório. Diante de qualquer mudança drástica no comportamento, o caminho correto é procurar um veterinário especializado em pets silvestres para uma avaliação profissional.

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